Voltar para a página inicial

Fique por dentro: Sem título

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 22:30
86.794 visualizações
Fique por dentro: Sem título
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

31.out.2026 às 14h00 Diminuir fonte Aumentar fonte Tulio Kruse São Paulo Falhas de segurança no Smart Sampa, programa de vigilância da Prefeitura de São Paulo, permitiam que usuários tivessem acesso a imagens de câmeras de diversos municípios e a dados sigilosos de forma ilimitada, indicam documentos técnicos e relatos de especialistas em cibersegurança.

Eles descrevem problemas generalizados no desenho da plataforma SentinelX —que serve como base para o programa de vigilância—, com várias vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por invasores.

A Folha conversou com dois especialistas em segurança digital que afirmaram ter comprovado essas vulnerabilidades. Quatro documentos enviados à reportagem também apontam as mesmas falhas, dois deles com imagens do sistema que mostram os problemas relatados.

Questionada, a gestão Ricardo Nunes ( MDB ) não respondeu sobre os novos indícios de falhas, enviados em detalhes por email.

A gestão municipal reiterou as informações da mesma nota enviada na semana passada sobre o assunto, afirmando que "não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa" e que "o que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor da Guarda Civil Metropolitana entre os mais de 7.500 agentes de segurança".

Procurada por e-mail oficial, telefonemas a sócios e assessores, além de mensagens por aplicativo na terça (27) e na quarta-feira (28), a SentinelX e o Consórcio Smart City SP não responderam aos pedidos de comentários.

Essas imagens apontam, por exemplo, que um usuário com credenciais básicas no sistema —ou seja, que não é administrador nem gestor com funções estratégicas— acessou uma câmera que faz leituras de placas de automóveis em Campo Grande (MS) a partir de um login em São Paulo.

Mostram também que era possível ver as atividades de um funcionário público na plataforma: o que ele havia pesquisado, quais câmeras havia acessado, origem de acesso e horários das atividades.

Dois especialistas que conversaram com a reportagem sob condição de anonimato disseram que conseguiram confirmar essas falhas e apresentaram indícios disso.

Antes mesmo de colher essas informações, a Folha também recebeu dezenas de vídeos de câmeras de vigilância gravados clandestinamente. Essas gravações incluem imagens internas de dois equipamentos de saúde e também de câmeras particulares, integradas à plataforma por condomínios residenciais.

Entre as falhas mais básicas está uma configuração, relatada em todos os documentos e entrevistas, que permitia que usuários tivessem logins e senhas idênticos entre si. Tanto a senha quanto o login utilizados eram o número do registro funcional dos servidores na prefeitura.

Esse número de registro está disponível no Diário Oficial do município, facilitando seu uso para invasão do sistema. Não havia autenticação em dois fatores, outra medida trivial de segurança digital.

A reportagem conseguiu confirmar que endereços virtuais ligados a 13 cidades estão expostos na internet. Segundo especialistas, o ideal seria que esses domínios estivessem ocultos para dar mais proteção aos ambientes digitais.

De acordo com um dos documentos revisados pela reportagem, que descreve em detalhes as vulnerabilidades da SentinelX descobertas a partir de testes, arquivos disponíveis sem restrição nos portais municipais expõem o código usado para criar os sites. Esse código revela endereços de sistemas internos e regras de verificação de acesso.

Foi assim, segundo esse relatório, que foram encontradas informações de 181 credenciais de guardas civis que ainda usavam login e senha idênticos —essas informações estavam em um repositório público na internet havia 11 meses, mostrou reportagem do UOL. Há indícios de que os primeiros vazamentos de dados ocorreram antes disso, em outubro de 2024.

Os especialistas consultados pela reportagem e os documentos obtidos apontam, no entanto, que os problemas de segurança do Smart Sampa vão muito além do vazamento. O problema mais grave seria a falta de controle de acesso às ferramentas mais poderosas do programa, permitindo que usuários comuns pudessem ver dados sigilosos sem restrição.

Usuários com credenciais básicas teriam acesso às notificações de reconhecimento facial em tempo real —aproximadamente 2.000 faces por minuto, com dados biométricos—, de acordo com dois documentos e o relato de um dos entrevistados. Isso também ocorria com câmeras de leitura de placas, o que significa risco de permitir a um invasor rastrear veículos em tempo real.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Documentos mostram, com capturas de tela, que contas comuns também poderiam ter acesso a dados sigilosos como CPF e telefone de agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana), boletins de ocorrência elaborados pela guarda.

A plataforma também não tinha mecanismo para desconectar usuários que estivessem logados na plataforma há várias horas, segundo esses documentos —no jargão técnico, um mecanismo para renovação de tokens. Isso abre a possibilidade para um invasor manter-se conectado sem limite de tempo.

Um ataque hacker poderia explorar todas essas vulnerabilidades em cerca de 30 minutos, segundo uma estimativa à qual a Folha teve acesso.

Os especialistas entrevistados destacaram que a plataforma estava vulnerável à invasão por qualquer um com conhecimentos de cibersegurança e que a forma como a plataforma foi desenhada permitia seu uso para cometimento de crimes --uma vez que era possível rastrear pessoas e monitorar o movimento de agentes públicos.

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

#Brasil#Cidades
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas

Região: Sem título

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Redatores da Empire Cidadeshá 4 minutos