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Fique por dentro: Risco de colapso de correntes do Atlântico é ignorado em planos climáticos; Brasil é exceção

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 23:30
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Fique por dentro: Risco de colapso de correntes do Atlântico é ignorado em planos climáticos; Brasil é exceção
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Um sistema de correntes oceânicas essencial para regular o clima da Terra pode sofrer um enfraquecimento significativo até o fim do século, mas o risco ainda é ignorado pela maioria dos governos em seus planos de adaptação climática. De 91 planos nacionais apresentados à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, apenas dois mencionam a possibilidade de colapso dessas correntes — e nenhum deles prevê medidas concretas para enfrentar o cenário.

O alerta foi publicado em artigo na revista Nature Sustainability, elaborado por pesquisadores que analisaram como os países se preparam para possíveis mudanças na circulação do Oceano Atlântico.

O sistema em questão é a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, conhecida pela sigla AMOC. Ela funciona como uma espécie de esteira transportadora oceânica: leva águas quentes da superfície em direção ao norte do Atlântico e devolve águas mais frias para o sul em camadas profundas.

Esse movimento redistribui calor pelo planeta e influencia temperaturas e padrões de chuva em regiões muito distantes do oceano. Com o aquecimento global, a circulação está enfraquecendo e pode continuar a perder força ao longo deste século.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que um colapso completo é considerado improvável antes de 2100. Um estudo recente citado pelos autores projetou redução de 50% na intensidade da AMOC até o fim do século em cenário intermediário de emissões.

Uma redução acentuada da circulação poderia provocar mudanças importantes no clima de diferentes regiões. No norte da Europa, por exemplo, a diminuição do transporte de calor vindo dos trópicos poderia favorecer episódios de frio extremo durante o inverno. Simulações climáticas com a AMOC desligada indicaram a possibilidade de temperaturas de até -20 °C em Londres (Inglaterra).

Os efeitos também poderiam atingir regiões que dependem das chuvas de monção. Experimentos com modelos climáticos apontaram enfraquecimento médio de 29% das monções da África Ocidental e de 19% das monções de verão da Índia em cenários de interrupção da circulação.

Essas alterações aumentariam os riscos para o abastecimento de água e a produção de alimentos em áreas dependentes dessas chuvas. Outros estudos mencionados no artigo apontam maior risco de secas severas em partes da América Central, da África Ocidental e da região amazônica.

A pesca e o nível do mar também poderiam ser afetados. Mudanças nas temperaturas oceânicas e na distribuição das águas teriam consequências para comunidades costeiras, estoques pesqueiros e estruturas de proteção contra a elevação do mar.

Os pesquisadores propõem cinco medidas para incorporar o risco da AMOC ao planejamento climático: identificar países e investimentos mais vulneráveis; testar projetos com simulações que considerem o colapso da circulação; priorizar soluções flexíveis, que possam ser adaptadas ao longo do tempo; manter o monitoramento das correntes oceânicas; e revisar as projeções climáticas globais.

O objetivo não é prever exatamente quando — ou mesmo se — ocorrerá um colapso, mas verificar se decisões tomadas hoje continuariam funcionando em diferentes cenários climáticos.

Os autores também ressaltam que preparar-se para esse risco não deve desviar recursos do combate aos impactos já observados, como ondas de calor, secas e enchentes. A redução rápida das emissões de gases de efeito estufa continua sendo fundamental.

A AMOC já passou por mudanças drásticas no passado. Estudos indicam que o sistema esteve perto de interrupção quase completa há cerca de 17,5 mil anos, após o período mais frio da última era glacial. O histórico mostra que alterações profundas são possíveis, embora não determine quando ou se uma nova interrupção acontecerá.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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