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Fique por dentro: Partidos árabes crescem em eleição em Israel. O que isso pode significar?

O que isso pode significar?

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 08:00
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Fique por dentro: Partidos árabes crescem em eleição em Israel. O que isso pode significar?
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Nas páginas da História, um “criador de reis” (“kingmaker”) é uma pessoa ou grupo capaz de definir impasses políticos e dar sustentação a uma das partes envolvidas na disputa — a ponto de decidir quem vai assumir o poder. A guarda pretoriana romana é o exemplo mais conhecido, por ajudarem a coroar e derrubar Césares por cerca de 300 anos. Na última eleição de Israel, disputada nesta semana, os partidos árabes conseguiram um número de cadeiras no parlamento capaz de transformá-los em “kingmakers”. O problema é que o apoio dessas forças não é desejado nem pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nem por seus opositores.

O parlamento de Israel, o Knesset, tem 120 cadeiras. Para formar um governo, um partido ou coalizão de partidos precisa garantir pelo menos 61 desses assentos, algo que nenhumas das forças políticas do país alcançou desde 1948. Daí, a necessidade de negociar coalizões que permitam a governabilidade.

Na última eleição parlamentar, em 2022, as forças no entorno de Netanyahu lhe garantiram uma maioria de 68 cadeiras. Porém o desgastes com os conflitos em Gaza e no Líbano e a guerra contra o Irã têm cobrado um forte preço político e econômico interno em Israel, o que reduziu o poder do primeiro-ministro.

Na eleição de terça-feira (27), o soma de votos do partido Likud e seus aliados garantiram um patamar potencial de 53 cadeiras, enquanto os opositores na esfera do partido Yashar, comandado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, devem ter conquistado 48 assentos.

Um forte comparecimento às urnas por parte dos árabes-israelenses – cerca de 80% — deixou os “partidos árabes” com potenciais 19 cadeiras – um recorde –, o que colocaria o grupo como um natural “criador de reis”. Porém esse grupo está rachado: de um lado está o islamista Ra’am e do outro está uma lista conjunta que une o Hadash (árabe-judeu e de linha comunista), o Balad (nacionalista palestino) e o Ta’al (nacionalista árabe).

Sobre possíveis negociações para incluir esses partidos no governo, a possibilidade não está e nunca esteve nos planos do Likud, que descartou essa sugestão ao longo de toda a campanha.

Esse comportamento só foi reforçado por Netanyahu nos últimos dias, que alegou interferência estrangeira para o desempenho acima do esperado pelos partido árabes. O primeiro-ministro acusou sem provas que o regime do Catar investiu grandes quantias para empoderar esse grupo político e exigiu uma investigação pelo Shin Bet, a Agência de Segurança de Israel.

Embora Gadi Eisenkot tenha criticado Netanyahu por esses comentários, dizendo que ele estaria tentando deslegitimar as eleições, ele tampouco pode negociar abertamente uma composição de governo com as forças árabes, sob o risco de perder apoio dentro de seu grupo.

Mas mesmo entre os partidos árabes de Israel não há um consenso. Em artigo recente publicado pela Universidade de Tel-Aviv, Yusri Hazran é professor sênior no Shalem College, analisou que a política árabe em Israel nunca esteve tão dividida quanto hoje.

Tanto a arena política formal (dos partidos políticos) quanto a arena popular oscilam entre duas ideias. Uma delas vê a questão nacionalista como a chave para normalizar as relações entre o Estado e a sociedade árabe.

A outra é representada pelo Ra’am e surgiu nas últimas duas décadas, tendo buscado impacientemente por mudanças. “Eles demonstram uma disposição pragmática incondicional para se juntar a qualquer coalizão a fim de avançar os interesses locais da sociedade árabe. Essa escola não nega sua identidade nacional palestina, mas não considera essa identidade como o fator decisivo para determinar a natureza das relações da sociedade árabe com o Estado”, explicou.

Um estudo do Programa Konrad Adenauer para Cooperação Judaico-Árabe do Centro Moshe Dayan da TAU revela que uma grande maioria (73,2%) dos cidadãos árabes de Israel apoia a inclusão de um partido árabe no governo que será formado após as eleições — 41,8% apoiam a entrada em qualquer governo formado e 31,4% apoiam a entrada em um governo de centro-esquerda.

#Política#Governo
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