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Fique por dentro: Os guardiões de memórias que trabalham onde a saudade permanece

O costume de homenagear os mortos é antigo, está relacionada as […]

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 10:04
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Fique por dentro: Os guardiões de memórias que trabalham onde a saudade permanece
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Aline Ramalho 01/11/2026 05:04 Reconhecidos por seu trabalho e muitas vezes considerados invisíveis perante a sociedade, os sepultadores exercem uma profissão que vai muito além de abrir sepulturas, esses profissionais tem o papel de ajudar a preservar memórias, acolher despedidas e conviver diariamente com a saudade do outro.

O costume de homenagear os mortos é antigo, está relacionada as tradições cristãs e cada cultura desenvolveu à sua maneira, uma forma de preservar a memória daqueles que partiram. Alguns Países possuem tradições e formas de homenagens diferentes das nossas, como exemplo o México, com músicas, flores e comidas, tendo suas tradições sido reconhecida pela UNESCO, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

No Brasil essas homenagens fazem parte da tradição católica, como um momento de oração, reflexão e a esperança da ressurreição. No dia de Finados, celebrado no dia 2 de novembro, as famílias vivenciam essa data tradicionalmente pela participação em missas e com visitas aos cemitérios, que nem sempre existiram como conhecemos hoje e que foram surgindo com a evolução da sociedade.

Os cemitérios são locais de memórias, de história de uma época e que fazem a conexão entre passado e presente e o futuro certo. Nesse local transitam famílias que visitam os túmulos de seus entes queridos e também profissionais que diariamente realizam seu trabalho, preparando o local do sepultamento, posicionando o caixão e por vezes precisam atuar na exumação, estes profissionais são os SEPULTADORES, mais conhecidos como coveiros.

Esses profissionais tiveram sua profissão regulamentada aqui no Brasil em 1965 e desde o primeiro momento essa profissão já foi considerada insalubre e precária. Esses profissionais ainda hoje sofrem com o estigma social da profissão, um trabalho desprestigiado pela sociedade, tornando esses profissionais invisíveis perante a sociedade, por vezes esses profissionais escondem seu oficio.

São esses profissionais que estão presentes nos atos fúnebres e que para muitos são profissionais que tem seu trabalho resumido a abrir sepulturas, preparar túmulos, posicionar caixões e realizar exumações, essa percepção deixa de fora a percepção humana do trabalho.

Os sepultadores não lidam apenas com a morte. Eles convivem diariamente com histórias de vida. São eles que acompanham o último adeus de uma mãe ao filho, de filhos aos pais, de casais que compartilharam uma vida inteira e de famílias que, muitas vezes, ainda não conseguem compreender a ausência de quem amam.

Os cemitérios não são apenas lugares onde repousam os mortos. São espaços de memória, onde estão guardadas histórias de famílias, de gerações e de toda uma comunidade. Cada nome gravado em uma lápide representa alguém que viveu, amou, construiu relações e deixou lembranças.

E os sepultadores fazem parte dessa preservação. São profissionais que conhecem os caminhos entre os túmulos, que observam o passar dos anos, que veem famílias retornarem para visitar seus entes queridos e que testemunham como o amor e a saudade permanecem mesmo depois de muito tempo.

Neste Dia de Finados, quando tantas pessoas se dirigirem aos cemitérios para homenagear aqueles que partiram, vale também voltar o olhar para esses trabalhadores que quase sempre passam despercebidos.

Reconhecer sua importância não significa apenas garantir direitos trabalhistas ou melhores condições para o exercício da profissão. Significa também combater o preconceito, valorizar sua humanidade e compreender que há dignidade em todo trabalho realizado com respeito e cuidado

Entre a Lei e a Vida, existe algo que nenhuma norma consegue impor por completo que é a sensibilidade de reconhecer a humanidade do outro.

A reflexão proposta é sobre o fato de que onde muitos enxergam apenas túmulos, existem histórias; onde muitos veem apenas a morte, permanece a memória; e onde a sociedade costuma enxergar apenas um coveiro, existe alguém que merece ser visto, respeitado e valorizado.

Aline Ramalho é advogada, especialista em Direito da Saúde e colunista do Portal Acre.

Aline Ramalho Advogada, especialista em Direito da Saúde, com foco em medicamentos e tratamentos de alto custo, especialmente em casos oncológicos, coautora de livros. Comprometida em viabilizar acesso digno e efetivo à saúde.

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