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Fique por dentro: O que aprendi em Harvard que não estava escrito em nenhum livro

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 21 de outubro de 2026 às 20:45
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O que aprendi em Harvard que não estava escrito em nenhum livro Empresas e vidas extraordinárias compartilham da capacidade de escolher onde investir atenção Harvard Business School: experiência de três anos mudou minha visão sobre estratégia, foco e escolhas pessoais. (Pexels)

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 17h00 .

Última atualização em 21 de outubro de 2026 às 17h06 .

Priorizar nos meus resultados Google Durante três anos, viajei a Boston para participar do OPM na Harvard Business School. Entrei em Harvard esperando aprofundar meus conhecimentos sobre estratégia, liderança, crescimento e negócios. E, de fato, estudei tudo isso. Michael Porter, casos empresariais, decisões complexas, empresas que venceram, empresas que fracassaram, mercados em transformação.

Mas talvez o maior aprendizado que eu tenha trazido de Harvard não estivesse escrito em nenhum livro.

Do primeiro dia em que cheguei a Boston até o último dia do terceiro ano, percebi uma mudança substancial na minha maneira de enxergar a vida, o trabalho e o uso da minha própria energia.

No início da minha trajetória como empreendedor, minha agenda era caótica. Na verdade, talvez nem pudesse ser chamada de agenda. Os temas simplesmente surgiam, e eu ia lidando com eles conforme apareciam. Um problema operacional, uma decisão financeira, uma reunião comercial, uma questão familiar, uma demanda urgente, uma mensagem no celular. Tudo misturado e acontecendo ao mesmo tempo.

Durante muito tempo, acreditei que ser multitarefa era uma virtude. Talvez até o único caminho possível para empreender. Achava que fazer muitas coisas ao mesmo tempo significava ser produtivo, disponível e eficiente.

Hoje vejo que, muitas vezes, aquilo era apenas uma pulverização de forças.

Eu dividia minha atenção entre vários assuntos e, no fim, não estava verdadeiramente inteiro em nenhum deles. Quando estava no computador resolvendo uma questão importante da empresa, minha cabeça estava nos meus filhos em casa. Quando estava com meus filhos, minha cabeça estava no trabalho. Quando estava montando meu cavalo e me preparando para uma competição de hipismo, parte de mim continuava presa a algum problema da empresa.

Era como se eu estivesse sempre presente fisicamente, mas mentalmente em outro lugar.

Em Harvard, estudando casos reais de empresas, comecei a perceber um padrão. As organizações que construíam trajetórias extraordinárias raramente eram aquelas que tentavam fazer tudo ao mesmo tempo. As melhores empresas tinham foco. Sabiam escolher. Tinham clareza sobre onde queriam competir, onde poderiam ser excelentes e, principalmente, onde não deveriam gastar energia.

Essa é uma das lições mais difíceis da estratégia: aprender que escolher é também renunciar.

No ensino tradicional, especialmente no modelo latino, muitas vezes somos formados para decorar conceitos, repetir fórmulas e buscar respostas certas. Em Harvard, a dinâmica era diferente. O método de casos nos obrigava a aprender com a experiência. Olhar para decisões reais, com informações incompletas, dilemas humanos, ambiguidade e consequências.

Essa ideia aparece de forma brilhante no livro The Ambiguities of Experience, de James March. A experiência ensina, mas não de forma simples. Ela exige interpretação, reflexão e humildade para entender que nem sempre o aprendizado está explícito.

Foi nesse processo que comecei a conectar estratégia empresarial com estratégia de vida.

Se uma empresa perde força quando tenta perseguir todos os mercados, todos os clientes e todas as oportunidades ao mesmo tempo, por que seria diferente conosco?

Quando queremos fazer tudo simultaneamente, corremos o risco de não fazer nada com profundidade.

No terceiro ano de Harvard, comecei a mudar minha forma de me dedicar às coisas. Passei a tentar estar inteiro no que estou fazendo. Se estou em uma reunião importante de alinhamento, não toco no telefone. Tento dedicar minha atenção, meu raciocínio e minha energia àquele tema. Se estou em cima do cavalo, treinando para uma competição, procuro deletar, na medida do possível, todos os outros assuntos à minha volta e concentrar minha mente na conexão com o animal. Se vou analisar um documento relevante, tento realmente entrar naquele documento, sem deixar que outros temas disputem espaço dentro da minha cabeça.

Foco não é apenas uma escolha racional. É um condicionamento. É um exercício diário de controle da mente. É aprender a dizer “agora não” para tudo aquilo que tenta capturar nossa atenção fora de hora.

Uma empresa também pode viver em estado permanente de dispersão. Reuniões demais, prioridades demais, projetos demais, urgências demais. Quando tudo é prioridade, nada é prioridade. A energia se dilui. As pessoas se cansam. As decisões ficam reativas. E a companhia perde a capacidade de concentrar força no que realmente importa.

Talvez por isso a estratégia seja tão difícil. Porque ela não exige apenas inteligência. Exige disciplina. Exige renúncia. Exige coragem para sustentar uma escolha mesmo quando novas distrações aparecem todos os dias.

Fui a Harvard para estudar estratégia empresarial. Estudei Porter, competitividade, posicionamento, crescimento, liderança e transformação. Mas o que trouxe de mais valioso foi uma espécie de estratégia para a vida.

Aprendi que estar presente é uma forma de excelência.

Quando estou trabalhando, quero estar verdadeiramente trabalhando. Quando estou com meus filhos, quero estar verdadeiramente com meus filhos. Quando estou montando, quero estar verdadeiramente montando. Quando estou decidindo, quero estar verdadeiramente pensando.

No fundo, talvez o grande aprendizado seja este: uma vida bem vivida também precisa de foco.

Não no sentido de reduzir a vida a uma única dimensão. Pelo contrário. Trabalho, família, esporte, saúde, amigos, estudo e espiritualidade podem conviver. Mas cada coisa merece o seu momento. Cada dimensão importante da vida exige presença verdadeira.

A estratégia, no mundo dos negócios, ensina que não se vence tentando ser tudo para todos.

Não se constrói uma trajetória extraordinária tentando estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Constrói-se uma vida melhor quando aprendemos a estar inteiros onde realmente escolhemos estar.

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