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Fique por dentro: O despertar da juventude renova as esperanças nas eleições deste ano

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 22:18
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Fique por dentro: O despertar da juventude renova as esperanças nas eleições deste ano
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O despertar da juventude renova as esperanças nas eleições deste ano Temos menos de uma semana de luta pela frente, mas já é possível observar o crescimento das mobilizações populares, puxadas sobretudo por estudantes

“Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém. Quem ganha mais do que come sempre ganha o pão de alguém”. (Provérbio português)

Estamos diante de uma eleição em que todos pagaremos a conta de um eventual, indesejável e aterrorizante desgoverno da extrema direita. A hipótese pavorosa de uma chegada do fascismo ao poder poderá resultar em mais mortes entre aposentados — caso as aposentadorias deixem de ser indexadas ao salário mínimo —, no estrangulamento do Bolsa Família, na asfixia do SUS e na entrega de riquezas nacionais, como a Petrobras, a Embraer e a Floresta Amazônica, além das terras raras e de outros recursos minerais, a governos e capitais estrangeiros.

Temos menos de uma semana de luta pela frente, mas já é possível observar o crescimento das mobilizações populares, tanto nas redes sociais quanto nas ruas de todo o País. Em Porto Alegre, mais de 150 mil manifestantes tomaram as ruas e praças para recepcionar Lula e celebrar a expectativa de vitória da democracia sobre a barbárie. O público estimado equivale a cerca de um décimo da população da capital gaúcha.

Ao lado disso, Lula e seus familiares abriram seus sigilos bancários e telefônicos, diferentemente do candidato miliciano, cujos vínculos com o crime organizado vêm sendo objeto de crescente escrutínio público. Para dimensionar as suspeitas de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, basta comparar seus rendimentos declarados com o patrimônio acumulado: somente em imóveis, são 107 propriedades, das quais 53 teriam sido adquiridas com dinheiro vivo, de acordo com um levantamento publicado pelo portal UOL.

Pior: diariamente surgem notícias sobre contas no exterior e suspeitas de tráfico de influência em operações controversas. Um exemplo é a mansão adquirida por Flávio Bolsonaro em Brasília, por mais de 6 milhões de reais. Considerando o salário de senador, seriam necessários cerca de 15 anos de rendimentos para pagar o imóvel, que, no entanto, foi quitado rapidamente.

Em outro episódio que merece esclarecimentos, o Banco de Brasília (BRB), durante o governo de Ibaneis Rocha, aliado de Bolsonaro no Distrito Federal, destinou mais de 2 bilhões de reais ao Banco Master, que posteriormente entrou em colapso financeiro. O Master do “amigão” Daniel Vorcaro.

O que traz alento neste momento tão dramático é o engajamento dos jovens. Há muito não se viam tantos, liderando as passeatas, criando símbolos, inovando linguagens escritas, visuais e corporais.

Em Pele Negra, Máscaras Brancas (Editora Ubu), Frantz Fanon recorda: “na verdade, o que é necessário é libertar o homem”. Entretanto, a extrema direita busca justamente o contrário: submetê-lo aos interesses de uma minoria violenta, armada e predatória, que se apropria do trabalho humano e dos bens comuns — como o ar, as águas e as terras —, convertendo em propriedade privada aquilo que pertence a todos.

Não foi à toa que Jair Bolsonaro liberalizou a compra de armamento e o candidato Flávio apresentou projeto de lei para retirar marcações das munições, de sorte a dificultar a identificação da autoria de disparos.

Autêntico libertário, Fanon vai além e afirma, na mesma obra: “Não se deve tentar fixar o homem, pois seu destino é ser liberto”. Mas como usufruir plenamente da liberdade quando se trabalha seis dias por semana? É nesse contexto que se insere a proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton, que prevê a redução da jornada semanal de seis para cinco dias de trabalho, sem redução salarial, aprovada com o apoio de Lula.

Em outra obra, Os Condenados da Terra , Fanon ressalta a importância de cada geração assumir seu papel histórico: “No interior de uma relativa opacidade, cada geração deve descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la”. Pois bem, está claro que a geração atual descobriu sua tarefa histórica e não está disposta a abandoná-la. Um enorme alento para aqueles que, como eu, já temos a cabeça branca e não víamos sinais claros de renovação na luta.

A angústia diante do próximo pleito foi atenuada pela originalidade, pela combatividade e pela alegria demonstradas pelas novas gerações, sobretudo em um momento tão delicado para a nação. A complexidade destas eleições pode ser compreendida à luz de outra reflexão de Fanon, em Pele Negra, Máscaras Brancas : “Os psicanalistas dizem que não há nada mais traumatizante para a criança pequena do que o contato com o racional. Pessoalmente, eu diria que, para um homem que só tem a razão como arma, não há nada mais neurótico que o contato com o irracional”.

Em grande medida, é disso que se trata: precisamos lidar com manifestações do irracional, seja pelo medo do comunismo, seja pela rejeição aos banheiros unissex. Daí a dificuldade de dialogar com aquilo que escapa à razão e se situa no terreno da crença cega, do misticismo exacerbado e da instrumentalização política da religião.

No entanto, se a religiosidade pode ser instrumentalizada para o mal, também pode se tornar uma poderosa aliada do bem. Na mesma obra, Fanon cita Aimé Césaire, seu conterrâneo da Martinica, cuja visão combina o espírito cristão com a generosidade latino-americana, fonte de inspiração que também alcançaria Che Guevara. Nas palavras de Césaire: “Em qualquer lugar do mundo, não há desgraçado linchado ou torturado que não seja eu também assassinado e humilhado”.

É com esse espírito que devemos refletir sobre nosso voto no dia 25: pensando nas pessoas linchadas e torturadas, nas mulheres vítimas de feminicídio, na população LGBTQIAPN+, nas pessoas negras, idosas, empobrecidas e com deficiência, enfim, em todas aquelas que vivem à margem da sociedade. Que a exclusão de cada uma e cada um — de toda pessoa, sem exceção — seja sentida como uma ferida que atinge a todos nós.

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