Fique por dentro: Não é frete nem preço baixo. A nova briga entre Shopee e Mercado Livre é no crédito
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Consulte formatos e valores disponíveisNão é frete nem preço baixo. A nova briga entre Shopee e Mercado Livre é no crédito A Shopee tinha uma carteira de crédito de US$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 9,3 bilhões, no Brasil, em setembro de 2026 Shopee também está acelerando sua operação financeira no Brasil e já construiu uma carteira de crédito de US$ 1,8 bilhão
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 06h03 .
Priorizar nos meus resultados Google O Mercado Pago deixou de ser apenas uma ferramenta para facilitar as compras no Mercado Livre e passou a ter peso próprio dentro do negócio. A operação brasileira de serviços financeiros gerou, segundo estimativa do Itaú BBA , cerca de US$ 873 milhões, ou R$ 4,7 bilhões , de lucro líquido nos 12 meses até o primeiro semestre de 2026.
O valor representa crescimento de 52% em dólar constante na comparação anual. Apenas no primeiro semestre, o lucro estimado foi de aproximadamente US$ 400 milhões.
A análise mostra como o crédito e os pagamentos ganharam importância dentro do ecossistema do Mercado Livre. E a mudança não está acontecendo apenas na companhia argentina. A Shopee também está acelerando sua operação financeira no Brasil e já construiu uma carteira de crédito de US$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 9,3 bilhões .
A disputa entre as duas plataformas, portanto, começa a ultrapassar o comércio eletrônico. Crédito e serviços financeiros se tornaram uma nova frente de competição.
O Itaú BBA chegou à estimativa de lucro do Mercado Pago no Brasil ao cruzar as demonstrações financeiras da operação com informações dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) que estruturam parte da carteira.
Três fatores explicam o avanço dos resultados, segundo o banco. O primeiro é a rentabilidade do crédito. O Itaú estima um NIMAL (margem financeira líquida, após perdas com crédito) de aproximadamente 36%, já considerando o custo de financiamento e excluindo cartões.
O segundo é a melhora da rentabilidade das safras mais maduras de cartões, especialmente aquelas originadas em 2024 e 2025. O terceiro é o crescimento dos pagamentos processados pelo Mercado Pago. O volume total de pagamentos (TPV) avançou a uma taxa composta anual de 29% entre o primeiro semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2026.
O resultado financeiro ganha ainda mais importância porque o Mercado Livre continua reinvestindo parte das margens do negócio de comércio eletrônico. Para o banco, isso torna o Pago uma parcela cada vez mais relevante do resultado consolidado da companhia.
O crédito também está diretamente ligado ao crescimento do marketplace . O Itaú BBA estima que entre 18% e 20% do GMV brasileiro do Mercado Livre seja financiado por meio do buy now, pay later (BNPL) e dos cartões do Mercado Pago.
Na prática, isso cria uma relação entre os dois negócios: o serviço financeiro ajuda a viabilizar a compra no marketplace , enquanto o volume de transações gera dados que podem ser utilizados na análise de crédito.
A carteira brasileira de crédito do Mercado Pago cresceu cerca de 74% em dólar constante na comparação anual, segundo o relatório. Esse crescimento, porém, não veio acompanhado até agora de uma deterioração nos indicadores que o banco considera mais importantes.
A qualidade da carteira é uma das principais preocupações para uma operação de crédito que cresce rapidamente, sobretudo em um cenário de juros elevados e renda das famílias pressionada.
Até agora, o Itaú BBA considera os indicadores do Mercado Pago positivos. A métrica de inadimplência que o banco prefere acompanhar é a parcela de recebíveis que entra na faixa de 90 a 180 dias de atraso em relação aos recebíveis que estavam adimplentes no semestre anterior.
Esse indicador ficou em 8,9% no primeiro semestre de 2026, uma melhora de 3,1 pontos percentuais em um ano e próximo das mínimas históricas da série analisada pelo banco.
O Itaú faz uma ressalva: a composição da carteira mudou ao longo do tempo, e o crescimento mais rápido dos cartões pode estar contribuindo para a melhora do indicador. Por isso, não é possível atribuir toda a evolução exclusivamente à qualidade do crédito.
Ainda assim, a conclusão do relatório é que os indicadores atuais não justificam uma preocupação maior com a inadimplência. O banco também considera que o crescimento da carteira pode funcionar como um termômetro de risco. Caso as condições de crédito piorem, o Mercado Livre poderia reduzir o ritmo de expansão.
É nesse mercado que a Shopee está construindo uma operação financeira em ritmo acelerado. A carteira de empréstimos da companhia no Brasil alcançou US$ 1,8 bilhão em setembro de 2026, alta de 194% em relação ao ano anterior.
O Mercado Pago ainda opera em uma escala muito maior, com uma carteira de crédito estimada em US$ 11,9 bilhões pelo Itaú BBA.
A diferença, porém, não impediu a Shopee de apresentar números relevantes para uma operação relativamente nova. O banco estima um NIMAL de aproximadamente 27% para o crédito da Shopee, já considerando os custos de financiamento. A operação também teria gerado cerca de US$ 200 milhões, ou R$ 1,1 bilhão, de lucro líquido em 2025.
No BNPL, a modalidade de compre agora e pague depois, a Shopee já financia aproximadamente 10% de seu GMV no Brasil.
Para o Itaú BBA, esses números fazem da Shopee um concorrente que deve ser acompanhado não apenas no comércio eletrônico, mas também no mercado de crédito.
A diferença de escala entre as duas companhias ainda é grande. O Mercado Pago possui uma carteira de crédito várias vezes maior e já opera uma estrutura financeira mais madura. Mas a trajetória da Shopee indica uma mudança no modelo de competição.
As plataformas de comércio eletrônico estão usando seus próprios ecossistemas para oferecer cartões, crédito e BNPL, transformando serviços financeiros em uma forma de aumentar o consumo dentro da própria plataforma.
O Itaú BBA considera que a operação de crédito da Shopee apresenta uma combinação relevante de crescimento, rentabilidade e qualidade dos ativos. Para o Mercado Livre, a vantagem é a escala. Para a Shopee, é a velocidade de expansão.
O movimento coloca o Mercado Pago em uma disputa que vai além das plataformas de comércio eletrônico.
O Itaú BBA também compara Mercado Livre e Nubank no mercado brasileiro de cartões. Juntos, os dois responderam por mais de 51% do crescimento da carteira de cartões do país nos 12 meses até o segundo trimestre de 2026, equivalente a aproximadamente US$ 10,6 bilhões.
O Nubank apresenta um NIMAL estimado de aproximadamente 20%, enquanto o Mercado Livre consolidado ainda aparece com cerca de -5% nessa métrica.
No crédito ao consumidor e ao comerciante, porém, o Mercado Livre lidera, com NIMAL consolidado estimado em 37%, contra aproximadamente 19% do Nubank.
A comparação mostra como o Mercado Pago deixou de ser apenas um braço de pagamentos do Mercado Livre e passou a disputar uma fatia relevante do mercado financeiro digital brasileiro.
Uma eventual queda dos juros também pode ampliar esse movimento. O Mercado Livre não possui alavancagem financeira relevante, mas taxas menores podem reduzir o custo de antecipação de recebíveis para os vendedores que utilizam sua plataforma.
O Itaú BBA estima que uma redução de 100 pontos-base na curva de juros, caso seja integralmente repassada, poderia reduzir a taxa de aceitação cobrada dos vendedores em aproximadamente 14 pontos-base, ou 2,4% em termos relativos.
O crédito mais barato também poderia estimular novas concessões e aumentar o volume de mercadorias movimentado na plataforma.
Isso é particularmente relevante porque uma parcela significativa do GMV brasileiro já está ligada ao crédito do próprio ecossistema.
A tese do Itaú BBA, portanto, vai além de dizer que o Mercado Pago está crescendo. O ponto é que o negócio financeiro passou a ter escala suficiente para influenciar a história de resultados do próprio Mercado Livre.
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