Fique por dentro: Maior destino do lixo plástico da Europa, Turquia quer liderar economia circular na COP31
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Consulte formatos e valores disponíveisMaior destino do lixo plástico da Europa, Turquia quer liderar economia circular na COP31 Sede da grande conferência climática da ONU, país aposta na reciclagem para fortalecer sua indústria nacional, mas enfrenta desafios da poluição plástica no Mediterrâneo Antália, no litoral mediterrâneo da Turquia, receberá a COP31 em novembro; a algumas centenas de quilômetros dali, a costa de Adana enfrenta problemas de contaminação por resíduos plásticos. (Getty Images)
Priorizar nos meus resultados Google Cerca de 730 toneladas de resíduos plásticos chegam ao mar Mediterrâneo todos os dias. A Turquia responde por 19,1% desse total, o equivalente a algo próximo de 140 toneladas diárias, e só fica atrás do Egito entre os mais de 20 países espalhados pela costa.
É nesse cenário que, em novembro, Antália, cidade no litoral sul turco, receberá a COP31, de 9 a 21 de novembro. A algumas centenas de quilômetros dali, na costa de Adana, a praia de Adanalioglu é um retrato emblemático da chegada de pedaços de plástico triturados da Europa.
As usinas de reciclagem da região, que processam resíduos do Reino Unido, da Europa e também o plástico doméstico, são apontadas por especialistas como a origem das partículas poluentes que escapam para canais de irrigação, chegam ao rio Seyhan e contaminam o mar.
O descompasso é difícil de ignorar, porque a Turquia chega à COP31 com uma agenda ambiciosa para liderar a economia circular.
“Nosso objetivo é colocar o desperdício zero e a redução do metano no centro da ação climática”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Murat Kurum.
A iniciativa integra os dez temas prioritários da Agenda de Ação da COP31, que terá um dia dedicado ao tema em 11 de novembro, durante a Cúpula de Líderes.
Para ampliar o alcance internacional da política, um documento apresentado em Istambul propõe a criação dos chamados Distritos Desperdício Zero (Zero Waste Districts), territórios que combinam separação de resíduos na origem, reúso, reparo e compostagem.
A proposta estabelece metas de redução do envio de resíduos a aterros de pelo menos 70% até 2030 e 90% até 2040, com a ambição de alcançar cem países.
A iniciativa se soma à Estratégia Nacional de Economia Circular, lançada pela Turquia em 2025, com mais de 50 ações previstas até 2028 para setores prioritários da economia.
No cenário internacional, o país também busca um compromisso para reduzir pela metade o crescimento do volume global de resíduos até 2035, num mundo que já gera mais de 2,5 bilhões de toneladas por ano.
A aposta na reciclagem tem motivação econômica além da ambiental: reduzir a dependência de recursos importados e fortalecer uma indústria que gera empregos e abastece setores como embalagens, papel e têxteis.
Em entrevista à EXAME, Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, explica que a estratégia turca não é nova. “Ter grande disponibilidade de matéria-prima secundária alivia a pressão sobre os recursos naturais e fortalece a indústria, inclusive a de recicláveis ”, afirma.
Um dos desafios é que parte da matéria-prima vem de fora. As importações turcas de resíduos dispararam depois de 2018, quando a China deixou de processar plástico estrangeiro.
Em 2025, a União Europeia enviou 510 mil toneladas de resíduos plásticos à Turquia, tornando o país o principal destino desse material entre os membros da OCDE.
E o fluxo tende a crescer. Em 21 de novembro, a UE passa a proibir a exportação de resíduos para países fora da OCDE. Como a Turquia integra o grupo, deve receber ainda mais.
Em avaliação de setembro, a Comissão Europeia apontou “problemas graves” ligados ao plástico doméstico e ao importado, entre eles poluição marinha, danos à vida selvagem e biodiversidade, queima a céu aberto e descarte irregular.
A Turquia endureceu a regulação, ampliou inspeções e aumentou multas, mas a falta de transparência e de dados ainda compromete o monitoramento. Ainda assim, o órgão concluiu que as exportações para o país devem continuar.
"Se o plástico europeu acaba poluindo os rios, o solo ou as comunidades de outras pessoas, isso não é reciclagem. É terceirização da poluição", criticou o ex-comissário europeu de Meio Ambiente Virginijus Sinkevičius.
Segundo o CEO da Green Mining, ativo nas últimas COPs do Clima, a expectativa é que a economia circular ganhe protagonismo em Antália e converse cada vez mais com a agenda de clima e biodiversidade.
“Os dados já mostram que a extração e o processamento de materiais respondem por cerca de metade das emissões globais. Para falar de descarbonização, é preciso olhar para essa etapa da cadeia”, afirma Rodrigo.
Segundo o executivo, a agenda de energia sempre dominou o debate porque tem um componente econômico forte em vários setores, enquanto os impactos da cadeia produtiva ficaram em segundo plano. “Mas é uma parte muito representativa do problema e que não pode ser negligenciada.”
Rodrigo vê na COP30, em Belém, o ponto em que a economia circular passou a ser tratada diretamente, e na COP31 a continuidade desse legado, com foco em implementação.
Na avaliação de especialistas ouvidos pela EXAME, a Turquia foca em fazer o que muitos países tiveram dificuldade: conectar compromissos internacionais a uma estratégia concreta de transformação da economia nacional.
Como sede da COP31, o país aproveita a posição de anfitrião para consolidar o que já vem construindo em casa.
“O grande teste é mostrar que o crescimento da indústria da reciclagem consegue acompanhar o crescimento da economia, e que isso acontece com rastreabilidade e transparência, não só em volume", concluiu Rodrigo.
1 /10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)
2 /10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)
3 /10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)
4 /10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)
5 /10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)
6 /10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)
7 /10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)
8 /10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)
9 /10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)
10 /10 (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)
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