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Fique por dentro: Inspirada nas tumbas do Egito, Estátua da Liberdade foi concebida como mulher muçulmana; veja a história do monumento financiado por arrecadações

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CNN Brasil 20 de outubro de 2026 às 00:21
Via CNN Brasil
Fique por dentro: Inspirada nas tumbas do Egito, Estátua da Liberdade foi concebida como mulher muçulmana; veja a história do monumento financiado por arrecadações
Foto: Foto: CNN Brasil
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Inaugurada em 28 de outubro de 1886, a Estátua da Liberdade, na ilha de Manhattan , é frequentemente descrita como "um presente da França aos Estados Unidos". Seu nome oficial é "A Liberdade Iluminando o Mundo" – mas seu título original, "Egito Carregando a Luz até a Ásia", dá pistas de que a história não é bem como dizem.

Hoje símbolo dos valores ocidentais e da relevância cultural dos Estados Unidos, o gigantesco monumento começou como imagem de uma serva muçulmana de véu, desenhada para decorar a entrada do Canal de Suez no Porto de Said. O motivo da transformação, dizem os historiadores, foi mais monetário do que ideológico.

Um escultor francês em visita ao Egito em 1855 ficou impressionado pelas gigantescas tumbas com estruturas de humanos e animais colossais que adornavam o deserto. As estátuas de Ramsés II sentadas na fachada de seu templo medem 30 metros; no templo de Hathor e Nefertari estão seis figuras de 10 metros de altura.

Nasceu ali a ambição de Frédéric-Auguste Bartholdi de construir um monumento de escala impressionante, simbolizando algo tão poderoso quanto os antigos líderes egípcios. A abertura do Canal de Suez, prevista para acontecer nos anos seguintes, pareceu a oportunidade perfeita para seu projeto.

Bartholdi começou a desenvolver uma figura inicialmente chamada "Libertas", representando uma jovem camponesa egípcia trajando um véu. A composição, com o pedestal, seria chamada "Egito Carregando a Luz até a Ásia", representando a conexão pelo Suez, e mediria em torno de 40 metros.

Bianca Andrade se muda para mansão de R$ 9 milhões em SP; veja detalhes Feng Shui: 6 plantas para alinhar a energia da sua casa Bienal de Arquitetura Brasil tem casa de impressora 3D; veja detalhes O livro "The Statue of Liberty" (2004), de Barry Moreno, mostra a evolução da figura em miniaturas esculpidas pelo artista. A ideia final inclui um pedestal com aparência similar à do farol (ou Pharos ) de Alexandria; a mão direita erguida empunhando uma lanterna em direção ao canal e a mão esquerda livre, parcialmente escondida pelo robe.

Edward Berenson, no livro "Statue of Liberty: A Transatlantic Story" (2012), revela o significado do design. A proposta era elevar uma "mulher fellah , ou camponesa árabe", para um status de "deusa colossal". Bartholdi teria apresentado a figura e o conceito ao construtor do Canal de Suez, Ferdinand de Lesseps, e ao Quediva Isma'il Pasha.

"Frédéric-Auguste Bartholdi estava certo de que Lesseps abraçaria a ideia. Para sua grande decepção, tanto Lesseps quanto o Quediva declinaram. A estátua era simplesmente muito cara", escreve Zachary Karabell no livro "Parting the Desert: The creation of the Suez Canal" (2003).

O projeto ficou em pausa durante a Guerra Franco-Prussiana até que, em 1865, o escultor conheceu um historiador francês que ensinava sobre democracia e apoiava o movimento abolicionista nos Estados Unidos . Foi ele quem sugeriu mudar a temática da estátua para um sinal de "amizade" entre a nação francesa e os americanos.

Munido de um novo conceito, Bartholdi foi aos Estados Unidos em 1871 para buscar um novo comprador. Segundo o livro "Liberty's Torch", de Elizabeth Mitchell, o artista escreveu em seu diário que considerou locais como o Prospect Park em Brooklyn e o Central Park para posicionar o monumento, mas acabou escolhendo a Liberty Island em Manhattan.

A autora diz que, sem o espírito de vendedor e as diversas estratégias de arrecadação aplicadas por Bartholdi, não haveria uma Estátua da Liberdade hoje. E não eram todos os americanos que a queriam; uma frase popular do escritor Mark Twain resume a oposição: "A que nos interessa uma estátua da liberdade, quando temos a coisa própria em seu esplendor mais selvagem?"

Twain havia sido convidado a doar e contribuir com obras de seu acervo pessoal para um evento do "Fundo para o Pedestal de Bartholdi" em 1883. Ele enviou uma contribuição financeira junto a uma carta propondo outra figura: "E se a sua estátua representar [a Liberdade] velha, curvada, vestida com trapos, triste e envergonhada pelos 6 mil anos de insultos e humilhação, implorando a Deus em nossa porta por um pão velho e uma hora de descanso? [...] Este é o aspecto dela do qual devemos ser lembrados, para nunca esquecê-lo."

Aos poucos, o projeto foi ganhando mais doadores e apoio popular. O dia 28 de outubro de 1886, inauguração da estátua, foi feriado na cidade de Nova York. Atualmente, o significado da estátua é mais associado a outro grande nome da literatura americana: Emma Lazarus, autora do poema "The New Colossus".

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