Fique por dentro: Em carta, Flávio se compara a Rui Barbosa, De Gaulle e líderes venezuelanos
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Consulte formatos e valores disponíveisWagner Meier/Getty Images O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma carta nesta quarta-feira (28/10), na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e constrói um discurso de exílio político. No comunicado, divulgado após sua ida aos Estados Unidos, ele cita figuras históricas e lideranças políticas que atuaram no exterior em meio a perseguições, crises institucionais ou disputas pelo poder.
Entre os nomes mencionados estão o jurista brasileiro Rui Barbosa, o general francês Charles de Gaulle, o escritor cubano José Martí e os opositores venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Ao aproximar trajetórias distintas, Flávio procura sustentar a ideia de que líderes afastados de seus países podem continuar atuando politicamente mesmo fora de seus territórios.
Logo no início do texto, o senador agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela recepção. “Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, escreveu.
Na sequência, Flávio se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional, reivindicando para si a condição de presidente eleito. A declaração reforça a tentativa de apresentar sua situação como resultado de uma disputa política, em vez de um afastamento voluntário da vida pública no Brasil.
A referência a Rui Barbosa e Charles de Gaulle mobiliza personagens cujas trajetórias foram marcadas por crises políticas e pela atuação fora de seus países. Rui Barbosa, jurista e político brasileiro, viveu no exterior durante parte de sua trajetória, inclusive em meio a conflitos com o governo de Floriano Peixoto. Já De Gaulle liderou, a partir do exílio em Londres, a resistência francesa à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
José Martí, por sua vez, foi um intelectual e líder independentista cubano que passou períodos no exílio em razão de sua oposição ao domínio espanhol. Sua atuação política e intelectual no exterior esteve ligada à mobilização pela independência de Cuba.
Os exemplos venezuelanos aproximam a carta de disputas políticas mais recentes na América Latina. Juan Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, em contestação ao governo de Nicolás Maduro, e posteriormente deixou o país. Edmundo González foi reconhecido por setores da oposição como vencedor da eleição presidencial venezuelana de 2024, cujo resultado oficial proclamado pelo Conselho Nacional Eleitoral deu a vitória a Maduro.
María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana, também enfrentou restrições políticas e judiciais no país.
Embora os nomes citados tenham enfrentado circunstâncias distintas, a escolha permite a Flávio associar sua própria trajetória à de figuras que reivindicaram legitimidade política ou mantiveram a oposição a governos de seus países a partir do exterior.
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