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Fique por dentro: Com IPO, Anthropic terá de provar que consegue lucrar, dizem especialistas

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 02:00
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Fique por dentro: Com IPO, Anthropic terá de provar que consegue lucrar, dizem especialistas
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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A futura abertura de capital da Anthropic pode aumentar a pressão por transparência financeira e resultados concretos no setor de inteligência artificial (IA). Para executivos de startups e especialistas ouvidos sobre o tema, a estreia na bolsa pode ajudar investidores a avaliar se o avanço tecnológico dessas empresas é acompanhado por modelos de negócios sustentáveis.

A Anthropic, responsável pelo Claude, é apontada como uma das candidatas a protagonizar uma das grandes estreias do setor no mercado de capitais. A empresa registrou receita de US$ 16,3 bilhões (R$ 87,1 bilhões) no primeiro semestre de 2026, mas também enfrenta questionamentos sobre custos e riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia.

Para Allan Miranda, CEO da startup Luria, o movimento representa mudança de fase para a indústria. Mais do que demonstrar a maturidade tecnológica do setor, a abertura de capital pode evidenciar a diferença entre desenvolver modelos avançados e construir negócios capazes de se sustentar no longo prazo.

“Até aqui, boa parte das avaliações esteve associada à evolução dos modelos, à capacidade computacional e às expectativas de crescimento”, afirma Miranda. Com a chegada dessas empresas ao mercado de capitais, ele avalia que indicadores, como receita recorrente, eficiência operacional, margens e valor entregue aos clientes, devem ganhar importância.

O executivo também destaca que o diferencial competitivo não estará apenas na criação de modelos cada vez mais poderosos. Para ele, as empresas que conseguirem transformar essa capacidade em soluções específicas e incorporadas às operações de seus clientes poderão construir vantagens mais duradouras.

“O capital continuará buscando oportunidades em IA, porém com uma exigência crescente de fundamentos econômicos e diferenciação competitiva”, diz Miranda. A questão, acrescenta, será entender quanto do valor produzido pela IA as empresas conseguem capturar e transformar em vantagem competitiva.

Alex Bernat, cofundador da startup Vetto, também vê a possível operação como marco para a indústria. Na avaliação dele, o mercado terá a oportunidade de analisar não apenas o potencial de crescimento das empresas que desenvolvem modelos avançados, mas também a sustentabilidade de negócios que exigem investimentos elevados em pesquisa e infraestrutura.

Bernat ressalta ainda que uma empresa de capital aberto fica sujeita a escrutínio maior sobre suas decisões e a forma como utiliza os recursos. Isso é especialmente relevante, segundo ele, para organizações que desenvolvem tecnologias com impacto significativo na sociedade.

A abertura de capital, acrescenta, pode ampliar as possibilidades de participação de investidores no crescimento econômico gerado pela IA.

Para Marcelo Abreu, diretor do centro de inovação Venturus, a transparência financeira é um dos principais benefícios de uma possível estreia da Anthropic na bolsa. Ele afirma que a divulgação de resultados pode ajudar a esclarecer como as grandes empresas do setor geram receita e lidam com os custos de desenvolvimento.

“Ambas têm dificuldades com os custos, mas, até agora, não sabemos exatamente o tamanho disso”, afirma Abreu, ao comparar Anthropic e OpenAI. Na avaliação do executivo, o acesso a informações financeiras mais detalhadas permitirá acompanhar melhor as estratégias e as perspectivas das empresas.

Gabriel Cunha, especialista em soluções de IA da Oracle, também considera a operação um teste importante para o setor. Além de ajudar a dimensionar o interesse dos investidores por grandes ofertas públicas, o IPO poderá fornecer informações sobre a estrutura financeira da Anthropic, incluindo gastos, alocação de recursos e concentração das vendas.

Cunha chama atenção, ainda, para a concorrência de modelos de código aberto. Nesse cenário, a Anthropic precisará demonstrar o que diferencia sua tecnologia e apresentar visão de futuro capaz de convencer os investidores.

O desempenho da oferta também poderá servir como referência para a OpenAI, que adiou seus planos de abrir capital em 2026. A recepção do mercado à Anthropic pode ajudar a calibrar as expectativas em torno de eventual estreia da concorrente.

As avaliações dos especialistas convergem em um ponto: o avanço tecnológico, por si só, pode não ser suficiente para garantir o sucesso financeiro das empresas de IA.

Uma abertura de capital pode ampliar a visibilidade sobre receitas, custos, investimentos e riscos, oferecendo aos investidores mais elementos para avaliar o potencial de cada negócio. Ao mesmo tempo, as empresas terão de demonstrar que conseguem manter o crescimento e transformar os recursos investidos em resultados.

O processo ainda depende de definições sobre preço, volume da oferta e calendário. Até que esses detalhes sejam estabelecidos, a possível estreia da Anthropic representa tanto uma oportunidade de ampliar a transparência do setor quanto um teste para a confiança dos investidores no modelo econômico da IA.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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