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Fique por dentro: BYD avança na Bahia e quer comprar porto desativado da Ford

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Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 00:35
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Fique por dentro: BYD avança na Bahia e quer comprar porto desativado da Ford
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Um ano após inaugurar sua fábrica em Camaçari (BA), a BYD prevê iniciar até dezembro a produção de carros com etapas industriais realizadas integralmente no Brasil. A montadora chinesa também demonstrou interesse em adquirir o antigo porto da Ford, em Candeias (BA), para ampliar sua capacidade de exportação.

Os planos foram apresentados nesta quinta-feira (29), durante coletiva na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador (BA). Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente da fábrica, os complexos de estamparia, soldagem e pintura já estão em fase de testes.

A expectativa é concluir os testes em novembro e iniciar a produção local entre novembro e dezembro. O primeiro modelo a passar pelo processo será o Atto 2, híbrido plug-in que combina motor elétrico e motor a combustão, compatível com gasolina e etanol. O veículo custa entre R$ 149.990 e R$ 166.660.

A ampliação das etapas de fabricação no país também pode ajudar a BYD a cumprir exigências de conteúdo local em acordos comerciais, como as regras do Mercosul, que exigem que pelo menos 35% do produto tenha componentes locais.

Antes da entrada em operação dos novos complexos, os veículos chegavam da China pré-montados. Na unidade baiana, eram instalados componentes essenciais, como motor e pneus. Com as novas estruturas, a maior parte do processo industrial poderá ser feita no Brasil.

A estamparia dá forma às chapas de aço que compõem a carroceria. Na etapa de soldagem, as partes são unidas, enquanto a pintura protege a estrutura contra corrosão e dá acabamento ao veículo. Depois, os carros seguem para a montagem final e passam por verificações e testes.

Atualmente, a fábrica produz cerca de 700 veículos por dia. Entre os modelos montados na unidade estão Dolphin Mini, Song Pro, Atto 2 e King.

A instalação é o maior polo da BYD fora da China. A empresa informa ter investido R$ 11 bilhões no complexo, que ocupa cerca de um milhão de metros quadrados de área construída. A expectativa é dobrar o tamanho da estrutura nos próximos anos.

Segundo os dados apresentados na coletiva, a fábrica gera nove mil empregos diretos, e a empresa espera alcançar dez mil postos ainda em 2026. Quando todos os investimentos previstos estiverem concluídos, a projeção é chegar a 20 mil funcionários.

O levantamento do Observatório da Indústria da Fieb aponta salário médio de R$ 3,9 mil entre os trabalhadores da fábrica, valor 24% superior à média da indústria baiana.

A parceria entre a entidade e a BYD busca mensurar os efeitos econômicos da instalação sobre Camaçari. Para isso, são analisados registros oficiais de emprego, movimentações do mercado de trabalho formal e dados empresariais, além de informações históricas da cidade.

A intenção é comparar a situação econômica do município antes e depois da chegada da montadora e projetar os impactos da operação.

A expansão da BYD ocorre em momento de aumento das importações de veículos no Brasil. Segundo dados da Anfavea, o país importou 406,7 mil veículos nos oito primeiros meses de 2026, alta de 29,8% em relação ao mesmo período de 2025. Mais da metade das unidades veio da China: foram 221 mil veículos, avanço de 109,9% na comparação anual.

O crescimento das marcas chinesas também foi comentado por Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul. No início de outubro, o executivo afirmou que a indústria automotiva ocidental errou ao avaliar a velocidade com que a eletrificação ganharia espaço no mercado.

Zola também criticou as condições de competitividade no Brasil e afirmou que a falta de incentivos e previsibilidade dificulta a ampliação da cadeia de fornecedores locais. Segundo ele, componentes e matérias-primas nacionais, como aço, plásticos e pneus, podem custar mais do que os equivalentes chineses.

A ampliação da produção da BYD na Bahia pode aumentar a participação de componentes fabricados no país e abrir espaço para exportações. O alcance desse plano dependerá da entrada em operação dos novos complexos industriais e de como a empresa avançará em relação ao antigo porto da Ford.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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