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Fique por dentro: Biblioteca da USP vive de “solução temporária” cinco meses após alagamentos

Cinco meses depois, local permanece fechado e não há previsão para reabertura

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 05:15
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Fique por dentro: Biblioteca da USP vive de “solução temporária” cinco meses após alagamentos
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Imagens cedidas conforme apuração dos redatores da Empire Cidades São Paulo — Cinco meses depois das fortes chuvas provocarem o desabamento do teto da biblioteca da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP), localizada na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista, o local registrou dois alagamentos, permanece fechado e vive de uma “solução temporária” para o problema.

Com um acervo de mais de 250 mil itens, dentre eles 60 mil raros, a biblioteca da Feusp registrou o primeiro alagamento em 11 de maio deste ano, durante as obras de substituição do telhado que eram esperadas desde 2024. Os impactos da chuva somados à manutenção fez com que o teto viesse abaixo. Funcionários precisaram correr para tentar salvar os livros.

Imagens obtidas pelo Metrópoles à época mostravam os servidores da faculdade se organizando para intercalar papel toalha entre as páginas dos livros afetados, para retirar a umidade e impedir a possível proliferação de fungos. Nos vídeos, também é possível ver o buraco no teto e o piso alagado.

No dia 12 de setembro, quase quatro meses exatos depois, a biblioteca passou por outro alagamento, agravando ainda mais a situação do telhado. O edifício registrou a entrada de mais água e o 2º andar foi o principal atingido desta vez, local este para onde foi transferido o acervo em maio como uma medida preventiva.

Em resposta à reportagem, a administração da biblioteca informou que após o episódio de maio, o contrato com a empresa responsável pela reforma do telhado foi rescindido e, como forma de proteger o local, foi colocado uma cobertura provisória, uma lona, até que a USP desse andamento aos procedimentos para retomada da obra.

Uma funcionária do local, que preferiu não se identificar, contou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades que o plano de retirada do acervo foi executado pelos próprios servidores em 10 dias, com a contratação de carregadores pagos pela própria Faculdade de Educação que, apesar disso, não possui qualquer autonomia para dar andamento às obras do edifício.

A servidora também revelou que somente no mês de setembro a biblioteca registrou ao menos três episódios de alagamento. “Antes da ocorrência do dia 12, fizemos uma reunião com a responsável pela execução das obras nas unidades da USP, a Superintendência do Espaço Físico (SEF), para demonstrar nossa preocupação diante das fortes chuvas e fomos orientados a esperar, pois uma obra de reparo mais eficiente seria apresentada após a apresentação de 3 orçamentos”.

Este “reparo mais eficiente” só chegou no dia 19 de setembro, depois que a universidade realizou uma contratação emergencial para a instalação de uma nova cobertura, ainda provisória mas mais resistente, para conter a entrada de grandes volumes de água. Apesar disso, a administração do local classifica como uma “solução temporária”.

Em relação à obra definitiva do telhado, para que episódios como os enfrentados nos últimos quatro meses não voltem a acontecer, a direção da biblioteca vê um “avanço importante nas últimas semanas”, depois que a reitoria da USP reconheceu o caráter emergencial da situação e adotou, junto à SEF, medidas para viabilizar sua execução. Ainda assim, não há data nem previsão para início dos trabalhos e reabertura do local.

Esse avanço é visto pela comunidade USPiana como consequência da própria mobilização. “Depois dos alagamentos recentes, a situação passou a ser pautada na imprensa. E nós fizemos nos organizamos e fizemos um ato, no dia 28 de setembro. E, do nosso ponto de vista, isso foi determinante. Nossa comissão foi recebida pela vice-reitoria da época e houve o estabelecimento de alguns compromissos”, conta Reinaldo Santos, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e representante da Faculdade de Educação.

O ato em questão aconteceu na USP e exigia, segundo o Sintusp, a “contratação imediata de uma empresa para instalar o novo telhado, a perícia de todo o prédio para dimensionar as área afetadas e reformas necessárias, um cronograma público das obras, uma audiência pública e um concurso público e contratações para recompor os quadros de manutenção e fiscalização das obras”. A organização do movimento conseguiu entregar 2500 assinaturas reunidas para exigir a licitação emergencial à reitoria da instituição.

“A previsão é de que tenhamos uma perspectiva mais certeira de quanto tempo vai levar essa obra nos próximos meses. Mas estamos acompanhando tudo de perto, em contato direto com as funcionárias da biblioteca, com a direção da faculdade, porque também nos preocupa as condições de trabalho, que tiveram bastante dificuldades nesse período, e a segurança desse trabalho também”, destaca o diretor do Sintusp.

Hoje, a biblioteca da Faculdade de Educação da USP, com mais de 250 mil itens de acervo, dentre eles 60 mil obras raras e mais de 40 mil livros didáticos, tornando-a uma das maiores de toda a América Latina, permanece fechada para o público.

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