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Consulte formatos e valores disponíveisLula autorizou a abertura dos próprios sigilos e dos familiares, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo. A campanha do senador recusou a proposta, tratada como armadilha eleitoral. Instalou-se a modalidade mais brasileira da fiscalização: a disposição de mostrar tudo depende da disposição do vizinho. O eleitor, convidado para assistir ao duelo, continua esperando os documentos. Até aqui, a vitrine mais iluminada é a do desafio.
Segundo a Folha, Randolfe Rodrigues anunciou uma ofensiva no Conselho de Ética contra Flávio Bolsonaro, com pedido de perda do mandato. No centro das alegações estão um pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse e supostos benefícios recebidos pelo senador. As acusações dependem de apuração. Já o roteiro político está pronto: dinheiro, banqueiro, cinema e eleição. Há, porém, um inconveniente para a estreia — conforme a reportagem, o Conselho sequer foi instalado nesta legislatura. Brasília consegue produzir o escândalo antes de montar a comissão que deveria examiná-lo.
A Meta foi ao TSE discutir o cumprimento da decisão que exige tratamento igualitário entre as campanhas de Lula e Flávio. A empresa foi cobrada a explicar medidas relativas à distribuição de conteúdo político e aos anúncios eleitorais. O velho cabo eleitoral precisava de sola de sapato. Seu sucessor trabalha dentro do celular e ninguém vê direito por onde anda. Quando a publicação circula, a campanha comemora a força popular. Quando emperra, começa a peregrinação ao tribunal. Até o algoritmo ganhou importância suficiente para frequentar os bastidores do poder.
Javier Milei voltou a provocar o governo brasileiro e insinuou fraude eleitoral. O Itamaraty reagiu com nota de repúdio e acusação de interferência externa. A insinuação não veio acompanhada, nas fontes consultadas, de comprovação de irregularidade. Veio acompanhada de repercussão, mercadoria que o argentino sabe exportar. Entre administrar as próprias dificuldades e comentar a eleição alheia, sempre aparece um intervalo para cuidar da urna do vizinho. A diplomacia recolhe os cacos; as redes contabilizam as curtidas.
Flávio Bolsonaro recebeu apoio de Gusttavo Lima e Zezé de Camargo em Goiás e gravou vídeo na casa de Gusttavo. Celebridade oferece palco, exposição e uma boa coleção de imagens para a campanha. Converter fã em eleitor é outro serviço, sem garantia no contrato. O público pode cantar o refrão inteiro, pedir bis e, diante da urna, escolher uma música completamente diferente. Pesquisa eleitoral ainda não aceita aplausômetro como substituto.
Mateus Simões encaminhou proposta para permitir a redução de até 75% nas alíquotas do IPVA, uma das principais bandeiras de Cleitinho. Durante a campanha, cobrava explicações sobre a viabilidade das promessas do adversário. Depois das urnas, resolveu colaborar com a engenharia. A derrota tem propriedades pedagógicas extraordinárias: ensina em poucos dias aquilo que meses de debate não conseguiram. O desconto ainda depende da Assembleia. A mudança de discurso já está funcionando.
Simões também apresentou proposta de revisão anual das remunerações da Segurança Pública. A categoria merece valorização e respeito, inclusive fora do calendário eleitoral. O que desperta curiosidade é essa disposição para organizar compromissos quando a mudança do gabinete já aparece no horizonte. O projeto não concede aumento imediato. Por enquanto, distribui expectativa. O sucessor que encontre espaço no orçamento. Fazer carinho no contracheque alheio fica mais confortável quando outro sujeito vai administrar a folha.
Simões pode apresentar projetos e anunciar suas virtudes. Para transformá-los em lei, precisará de articulação na Assembleia, onde as propostas ainda dependem de entendimento para avançar. A caneta do Executivo tem tinta, mas não fabrica maioria parlamentar. Deputado conhece bem o valor de uma pauta quando o governador está com pressa. Na reta final do mandato, até o relógio começa a negociar contra o dono do gabinete.
Cleitinho e Falcão preparam a transição diante de um déficit projetado de R$ 10,51 bilhões para 2027. É dinheiro suficiente para deixar qualquer discurso de vitória com dificuldade para engolir o primeiro gole de café. A campanha terminou; a subtração continua. Agora começa a etapa em que promessas precisam sobreviver ao encontro com a calculadora. E calculadora, para desespero dos marqueteiros, não se impressiona com vídeo bem editado.
Gabriel Azevedo confirmou que participará do futuro governo. A secretaria ainda não foi anunciada, embora seu nome circule para a Educação. O antigo adversário já garantiu a entrada; falta descobrir em qual sala ficará. Na política, certas divergências têm prazo de validade semelhante ao dos santinhos: encerrada a eleição, encontram uma utilidade bastante diferente. Se a Educação for confirmada, Cleitinho terá de explicar como a escolha conversa com os critérios apresentados na campanha. A primeira prova será do governador.
Marcos Lisboa recusou o convite para a Fazenda. Flávio Roscoe preferiu continuar na Fiemg. Duas respostas que ajudam a lembrar uma inconveniência: vencer a eleição não transforma todo convite em ordem de convocação. O gabinete pode ter prestígio, motorista e placa na porta. Também tem cobrança, responsabilidade e uma coleção de problemas esperando assinatura. Há quem examine a cadeira e perceba que o estofamento não compensa o tamanho da conta.
Flávio Roscoe disse não ao secretariado de Cleitinho, mas deixou a porta aberta para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O presidente da Fiemg admitiu que poderá assumir uma função em Brasília caso o candidato vença a eleição presidencial. Pelo visto, o problema do convite mineiro pode ter sido o endereço. Roscoe permanece na entidade enquanto acompanha as urnas: trocar Belo Horizonte pela capital federal dependerá de uma contratação que o eleitor ainda precisa autorizar.
O deputado federal Zé Vitor, reeleito pelo PL, conhece a receita do Brejo Alegre: tomar café olhando o queijo, sem anunciar qual pedaço pretende cortar. Natural de Araguari, estreou na Câmara com 32.833 votos, em 2018, e ganhou musculatura entre os nomes de peso do partido em Minas, ao lado de Nikolas Ferreira e Domingos Sávio. Para 2027, aparece bem posicionado na sucessão da Frente Parlamentar da Agropecuária. Nos bastidores trazidos à coluna, também é lembrado para a Agricultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, embora a pasta permaneça em disputa. O mineiro acompanha as possibilidades sem precisar levantar da mesa. Entre comandar a bancada do agro e ocupar um ministério, o queijo é grande. Falta combinar quem ficará com a faca.
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