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Fique por dentro: Ações brasileiras em Nova York desabam até 19% na noite da reeleição de Lula

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 26 de outubro de 2026 às 05:30
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Fique por dentro: Ações brasileiras em Nova York desabam até 19% na noite da reeleição de Lula
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ações brasileiras em Nova York desabam até 19% na noite da reeleição de Lula XP, PagSeguro e Itaú lideram perdas no pregão noturno; exportadoras recuam menos Em queda livre: ativos brasileiros recuam em NY após vitória de Lula (coffeekai/Getty Images)

Priorizar nos meus resultados Google Todas as 20 ações e ADRs de empresas brasileiras com negócios no pregão noturno de Nova York caíam na madrugada desta segunda-feira, 26

As empresas brasileiras negociadas em Nova York passaram a noite de domingo, 25, devolvendo em poucas horas o que haviam ganhado em semanas. No pregão noturno que se seguiu à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 20 ações e ADRs de companhias brasileiras registraram negócios, e todas operavam no vermelho por volta de 1h desta segunda-feira, 26 (horário de Brasília), em relação ao fechamento de sexta-feira, 23. As perdas iam de 1,20%, na Embraer, a 19,49%, na PagSeguro, segundo dados do Investing.com e do Yahoo Finance.

Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, o mercado tratou a vitória dele como o cenário mais provável.

Na sexta-feira, último pregão antes da votação, quase todos esses papéis subiram em Nova York. A XP avançou 3,61%, a Petrobras, 2,11%, e o Itaú, 1,90%. A virada de Lula na apuração inverteu o sinal.

"A bolsa vai devolver tudo e mais um pouco", disse Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, sobre a bolsa brasileira, em entrevista à EXAME durante a transmissão da apuração.

As maiores perdas da noite se concentraram no setor financeiro. A PagSeguro recuava 19,49%, para US$ 9,21, e a XP, 19,47%, para US$ 24,49. A Stone perdia 16,11%, a US$ 9,63, e a gestora Vinci Partners, 14,53%. O Nubank chegou a cair mais de 12% no início da noite.

Entre os bancos tradicionais, o Itaú cedia 17,79%, a US$ 7,95, e o ADR das ações preferenciais do Bradesco, 17,69%, a US$ 3,35. O papel das ordinárias do banco recuava 10,08%, e o Santander Brasil, 9,91%.

Foram justamente os setores mais sensíveis aos juros que puxaram o rali entre os dois turnos. Nesse período, o Ibovespa subiu quase 7% e superou pela primeira vez os 200 mil pontos, com varejo e construção civil na liderança.

Para Menezes, a principal preocupação dos investidores é a trajetória das contas públicas. O gestor ressalta, porém, que os dois candidatos apresentaram propostas de gastos sem indicar claramente como seriam financiadas.

A Petrobras teve uma das quedas mais fortes entre as grandes companhias. O ADR das ações ordinárias caía 15,90%, a US$ 22,00, e o das preferenciais, 15,81%, a US$ 19,81. Na visão de Menezes, a petroleira até poderia se beneficiar do câmbio, por vender petróleo no mercado internacional, mas a condição de estatal acrescenta fatores específicos à avaliação dos investidores.

A Braskem perdia 12,94%, a US$ 1,48, a TIM, 10,22%, e a Ambev, 10,00%. A Afya, de educação médica, recuava 14,91%.

Na outra ponta da lista ficaram as empresas que faturam em dólar. A Embraer caía apenas 1,20%, a US$ 69,99, segundo o Yahoo Finance. A Vale recuava 4,19%, a US$ 11,88, a Gerdau, 6,86%, e a CSN, 7,63%, depois de ter disparado 13,46% na sexta-feira.

Para essas companhias, um real mais fraco aumenta o valor das receitas em moeda brasileira. Menezes cita a Vale e o setor de papel e celulose entre as possíveis beneficiadas, mas pondera que o desempenho delas pode não ser suficiente para compensar uma queda mais ampla da bolsa.

As empresas de serviços públicos também caíram menos que a média. A Sabesp recuava 5,00%, a Ultrapar, 5,04%, e a Cemig, 4,35%. Os ADRs de Suzano e Vivo não registraram negócios no pregão noturno até o fechamento deste texto.

Fontes: Investing.com e Yahoo Finance (Embraer). Cotações por volta de 1h de segunda-feira, 26, horário de Brasília, comparadas ao fechamento de sexta-feira, 23.

O movimento das ações individuais se refletiu no EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York. Por volta de 1h20, ele recuava 19,61%, a US$ 34,24, aprofundando a queda registrada no início da noite, quando a apuração ainda estava em curso.

Em Chicago, o contrato futuro contínuo de real perdia 10,14%, a US$ 0,17940 por real. Convertida para o padrão brasileiro, a cotação equivale a um dólar de cerca de R$ 5,57, ante R$ 5,01 implícitos no fechamento de sexta-feira.

Menezes trabalha com uma desvalorização do real de 10% a 12% no curto prazo, levando o dólar à faixa de R$ 5,60 a R$ 5,65. Para a bolsa, a projeção é mais longa. "Eu estou trabalhando com um cenário de índice de 175 mil, 180 mil para o ano que vem", disse.

O pregão noturno nos Estados Unidos funciona com poucos participantes, e ordens pequenas movem os preços com força. A leitura mais precisa virá com a abertura do mercado brasileiro nesta segunda-feira, às 9h para o dólar futuro e às 10h para o Ibovespa, e do pregão regular em Nova York, às 10h30 de Brasília.

ADRs (American Depositary Receipts) são certificados negociados nas bolsas americanas que representam ações de empresas estrangeiras. Um banco americano mantém as ações originais em custódia e emite os recibos, cotados em dólar. Por isso, o preço de um ADR de empresa brasileira reflete ao mesmo tempo a ação em São Paulo e a taxa de câmbio. Quando a bolsa cai e o real se desvaloriza juntos, o investidor em dólar perde duas vezes. Nem toda empresa brasileira listada lá fora usa ADRs. XP, PagSeguro, Stone, Vinci, Afya e Nubank listam as próprias ações diretamente na Bolsa de Nova York.

Além do horário regular e das sessões estendidas antes da abertura e depois do fechamento, algumas ações americanas e ADRs podem ser negociados de madrugada em plataformas alternativas, como a Blue Ocean, que funciona das 20h às 4h de Nova York, de domingo a quinta-feira. A liquidez é baixa, nem todos os papéis são negociados, e as cotações variam conforme a fonte de dados. Por isso, alguns ADRs brasileiros não registraram negócios na noite de domingo.

O EWZ, ou iShares MSCI Brazil, é um fundo de índice (ETF) da BlackRock negociado em Nova York que replica uma carteira de grandes e médias empresas brasileiras. Como é cotado em dólar e pode ser negociado quando a B3 está fechada, virou um termômetro do humor dos estrangeiros com o Brasil, especialmente em fins de semana e feriados.

É um contrato futuro de câmbio negociado na CME, a bolsa de derivativos de Chicago, que permite apostar na valorização ou desvalorização do real frente ao dólar. Diferentemente do padrão brasileiro, ele é cotado em dólares por real. Para chegar à cotação usada no Brasil, basta dividir 1 pelo preço do contrato. Um valor de US$ 0,17940 por real, por exemplo, equivale a um dólar de cerca de R$ 5,57. Como a negociação começa ainda no domingo à noite, o contrato antecipa a reação do câmbio antes da abertura da B3.

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