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Filial Brasileira do Museu Chega em 2028, a 1ª das Américas — Pompidou Au Brésil

Bia Yunes Guarita ajudou a abrir espaço para a América Latina no acervo do Centre Pompidou, na França.

Por Redatores da Empire Cidades 5 de novembro de 2026 às 05:00
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Filial Brasileira do Museu Chega em 2028, a 1ª das Américas — Pompidou Au Brésil
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Conta-se que, há poucos anos, em uma reunião de aquisições do Centre Pompidou, em Paris, estavam em votação obras de um artista paraguaio, um chileno e uma brasileira. Bernard Blistène, então diretor do Musée National d’Art Moderne, olhou para a única latino-americana à mesa e brincou: “Com certeza você vai votar na brasileira”. Bia Yunes Guarita devolveu: “Com certeza, não”. Ele riu, esperando o fim da piada. Mas ela não estava para brincadeiras. “A obra proposta não representava a potência daquela artista”, explica. “As pessoas veriam uma obra menor da brasileira. A do paraguaio, ao contrário, era uma obra importante. Votei no Paraguai.” A cena diz muito sobre a colecionadora paulistana que virou uma das madrinhas do primeiro Pompidou das Américas, previsto para ser inaugurado em dezembro de 2028 em Foz do Iguaçu. Diz também sobre o museu que ela espera ver na tríplice fronteira.

Filha de Ivani e Jorge Yunes, casal que a partir dos anos 1970 reuniu uma das maiores coleções particulares do país, Beatriz assumiu a gestão do acervo familiar após a morte do pai. Em paralelo, montou a própria coleção e uma rede de apoio que inclui a Pinacoteca de São Paulo e o Malba, em Buenos Aires, do qual é patrona. Já com o Pompidou, o vínculo passa de uma década. Há seis anos, ela integra o conselho de administração dos Amis du Centre Pompidou, a associação de mecenas que decide aquisições para o museu, sendo a única latina entre uma dezena de europeus.

Foi dessa cadeira que ela enxergou o ponto cego da instituição. Por volta de 2020, disse a Blistène que faltava ali um curador dedicado à região. “Não dá para alguém que mora em Londres entender de Jaider Esbell. Um curador de fora vai olhar para os grandes nomes, para Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, que hoje já não são realidade para um museu comprar. É preciso uma visão local.” Ofereceu-se, com o marido, para custear o cargo – um ano depois, ganhou aval para que Paulo Miyada, curador-chefe do Instituto Tomie Ohtake, assumisse o posto de curador adjunto para a América Latina do Pompidou.

O efeito aparece no acervo. Desde 2021, já são mais de 300 obras de cerca de 150 artistas latino-americanos. Entre compras e doações, entraram Rosana Paulino, Claudia Andujar, Leda Catunda, Emanoel Araújo, o yanomami venezuelano Sheroanawe Hakihiiwe e a chilena Seba Calfuqueo. Entrou também uma Tomie Ohtake, artista que o Pompidou cobiçou por mais de uma década. “A Tomie é uma artista universal. Ela conversa com as grandes mulheres da abstração, com mulheres que saíram do seu país e construíram carreira em outro.”

É esse o critério que ela vê nas reuniões de aquisição – e da filial paranaense do museu. “É dificílimo alguém defender uma obra dizendo que o artista tem vínculo com a França. Não tem isso.” Pesa mais a capacidade de uma peça puxar fios para temas do presente. Na sua leitura, o interesse pela região vem daí: povos originários, diásporas, ecologia. “Não é a América Latina. É do que a América Latina é feita”, diz. E o Pompidou, garante, entende isso. “É um museu sem bandeiras. O que entra no acervo ou em exposição tem que ter alguma ligação com o global.”

A conversa sobre um Pompidou no Brasil existe há mais de 12 anos. O prédio tem projeto do paraguaio Solano Benítez, Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016. Usa tijolos feitos com a terra vermelha da região e troca boa parte do ar-condicionado por inércia térmica, sombra e ventilação natural. Terá galerias, cineteatro, observatório e núcleo de pesquisa, além de uma praça aberta.

Foz entra numa constelação que já inclui Metz, Málaga, Xangai e Seul. O governo paranaense negocia a parceria desde 2021, e ela foi assinada em Paris em maio de 2025. Em junho passado, o contrato saiu no Diário Oficial: R$ 183 milhões por ao menos oito anos de licenciamento da marca, consultoria, formação de equipes e acesso ao acervo para o Museu Internacional de Arte – Centre Pompidou Paraná, seu nome oficial. Bia conta que, na cerimônia de pedra fundamental, em setembro de 2025, a primeira coisa que Laurent Le Bon, atual presidente do Pompidou, fez ao acordar foi visitar as cataratas. A equipe ainda está em formação e Bia defende curadores argentinos e paraguaios. “São eles que terão autoridade para dizer: aqui tem um artista incrível que vocês não conhecem.” O museu terá acervo próprio, e ela já propôs um grupo de patronos que inclua hermanos.

Sondada para integrar o núcleo curatorial paranaense, ela recusou educadamente. “Meu envolvimento é com a França.” Promete seguir sugerindo e conectando, enquanto os laços se multiplicam. O Estúdio Campana, que doou cerca de 70 obras ao Pompidou, já pensa em levar algo a Foz. “Humberto me disse: ‘Bia, imagina se fica só lá. Vai ter alguma coisa aqui, a gente pensa junto’.” Le Bon, reconduzido à presidência da instituição em julho, passou férias no Brasil recentemente, em modo avião. Bia viu o francês nos Lençóis Maranhenses, mas manteve segredo. Foz fica para 2028.

*Reportagem publicada na edição 11 da ForbesLife Fashion disponível nos aplicativos na e na Play Store.

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#Cultura#Belém#Brasil#Internacional#Economia#Cidades
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