'fantasma' do 7 de outubro assombra campanha de Netanyahu — Eleições em Israel
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Consulte formatos e valores disponíveisEleições em Israel: 'fantasma' do 7 de outubro assombra campanha de Netanyahu País vai às urnas no próximo dia 27 pela primeira vez desde falhas de segurança que levaram a ataque do Hamas que terminou com quase 1.200 mortos em 2023 O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (Debbie Hill/AFP)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + As eleições em Israel levam os eleitores às urnas em 27 de outubro para renovar o Knesset, o parlamento do país, e definir indiretamente o próximo chefe de governo, no primeiro pleito desde os ataques do grupo Hamas em 2023. Benjamin Netanyahu tenta permanecer no cargo em uma disputa apertada com Gadi Eisenkot, sob críticas por supostas falhas de segurança antes do atentado.
Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira, 27, decidir a nova composição do parlamento e, por consequência, um novo chefe de governo. É a primeira eleição desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e desde os conflitos que se seguiram, em Gaza, com o Irã, com o Hezbollah e os Houthis.
O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tenta se manter no poder, mas a campanha dele é assombrada por críticas sobre supostas falhas de segurança do governo à época do atentado do Hamas, que deixou quase 1.200 mortos e gerou pânico em Israel. Nos últimos meses, cresceu no país a seguinte dúvida: Netanyahu foi alertado ou não sobre a iminência de um ataque às vésperas do 7 de outubro?
Reportagens recentes do The New York Times e do jornal israelense Haaretz mostraram que, cerca dez dias antes da ação do Hamas, o premiê teria recebido uma ligação do presidente dos Emirados Árabes alertando sobre o perigo iminente. Segundo os relatos, Netanyahu não teria dado importância. O gabinete dele nega veementemente qualquer alerta.
Para a professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP e pesquisadora da Universidade de Haifa, em Israel, Karina Calandrin, as eleições deste ano são pautadas, acima de tudo, pela segurança. "Antes, Netanyahu conseguia se apresentar como um líder especialmente capacitado para garantir a segurança do país. Hoje, essa imagem é contestada pela maior falha de segurança da história recente de Israel", diz Calandrin.
A professora e doutora afirma que o que está sendo avaliado não são apenas resultados de campanhas militares em Gaza, contra o Hezbollah ou contra o próprio Irã, mas também a "capacidade de transformar esses resultados em estabilidade duradoura". Segundo ela, "existe uma diferença importante entre alcançar vitórias militares e proporcionar uma sensação efetiva de segurança à população".
Outro debate que pauta a eleição israelense é sobre a exigência do serviço militar obrigatório. Em 2024, a Suprema Corte do país derrubou uma isenção histórica que dispensava os judeus ultraortodoxos de se alistarem nas Forças de Defesa de Israel (IDF), o que provocou insatisfação de alguns segmentos mais tradicionais do judaísmo.
Israel adota um sistema parlamentarista de governo. O parlamento local, chamado de Knesset, tem 120 assentos. Para governar, um partido precisa garantir 61 vagas (metade + 1). Por causa do sistema proporcional de votação, é improvável que uma única legenda detenha a maioria e, por isso, é necessária a coalizão entre políticos de diferentes alas para governar.
Com esse cenário, a definição de um novo governo pode acontecer dias ou até semanas após a votação, já que tudo depende de negociações entre partidos. Se mesmo assim não houver consenso, é possível a formação de um governo minoritário.
"No sistema parlamentar israelense, o elemento decisivo não é simplesmente qual partido conquista mais cadeiras, mas quem consegue reunir uma maioria capaz de sustentar um governo", afirma Karina Calandrin.
Pesquisas de intenção de voto indicam uma corrida apertada entre Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, ex-chefe da Defesa israelense. Eisenkot integrou o gabinete de segurança do premiê, mas renunciou em 2024, por causa de divergências sobre o andamento do conflito em Gaza.
Ele fundou o próprio partido, Yashar, no ano passado, e é considerado um novato na política. Além disso, Eisenkot, que perdeu um filho na guerra, tem construído a campanha com críticas a Netanyahu pelas supostas falhas de segurança que levaram aos ataques de 7 de outubro.
Atualmente, a coalizão que governa Israel é liderada pelo Likud, partido de Netanyahu. Para continuar no poder, é provável que o premiê ainda precise do apoio de outras legendas, também de direita.
Os ultraortodoxos e a direita radical são vitais para ele “não apenas para alcançar uma maioria parlamentar, mas também para sustentar iniciativas que possam alterar o equilíbrio entre Executivo e Judiciário”, afirma Calandrin.
As críticas a supostas falhas de segurança por parte do governo Netanyahu desgastaram a imagem do primeiro-ministro, que já responde a inquéritos na justiça israelense sobre suborno, fraude e quebra de confiança. Os casos envolvem o recebimento de presentes caros em troca de favores e negociações ilícitas por uma cobertura favorável na mídia.
Karina Calandrin, pesquisadora da Universidade de Haifa, em Israel, afirma que Netanyahu não perde automaticamente qualquer proteção judicial se deixar o cargo "porque os processos por corrupção já estão em andamento enquanto ele exerce a função de primeiro-ministro. "Mas uma eventual saída do governo pode reduzir significativamente sua capacidade de influência política e institucional sobre o ambiente em que esses processos se desenvolvem", afirma a professora.
Os israelenses escolherão em 27 de outubro os 120 integrantes do Knesset, o parlamento do país. A nova composição parlamentar determinará quem terá apoio para assumir o cargo de primeiro-ministro.
Um partido ou uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 dos 120 assentos do Knesset para sustentar um governo. Como uma única legenda dificilmente alcança essa maioria, a definição pode levar dias ou semanas de negociações entre partidos.
As pesquisas indicam uma disputa apertada entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, ex-chefe da Defesa israelense e fundador do partido Yashar. Eisenkot integrou o gabinete de segurança de Netanyahu, mas renunciou em 2024 por divergências sobre o conflito em Gaza.
A campanha é marcada pelas críticas às supostas falhas de segurança que antecederam os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que deixaram quase 1.200 mortos. Segundo Karina Calandrin, professora do Ibmec-SP e pesquisadora da Universidade de Haifa, a imagem de Netanyahu como líder capaz de garantir a segurança do país passou a ser contestada.
Reportagens do The New York Times e do Haaretz afirmam que Netanyahu teria recebido, cerca de dez dias antes do ataque, uma ligação do presidente dos Emirados Árabes com um alerta sobre um perigo iminente. O gabinete do primeiro-ministro nega veementemente que o aviso tenha ocorrido.
Benjamin Netanyahu não perde automaticamente qualquer proteção judicial porque os processos por suborno, fraude e quebra de confiança já estão em andamento, segundo Karina Calandrin. A pesquisadora afirma, porém, que uma saída do governo pode reduzir significativamente a influência política e institucional do primeiro-ministro sobre o ambiente em que os casos se desenvolvem.
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