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Entenda: Você quer ser tratado com base na ciência ou no achismo do médico? | Triturando Dados #7

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 4 de novembro de 2026 às 12:30
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Entenda: Você quer ser tratado com base na ciência ou no achismo do médico? | Triturando Dados #7
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Você sabe o que é medicina baseada em evidências? Será que os médicos merecem os títulos de doutores? E por que o brasileiro faz tantos exames?

Para responder a essa e a outras dúvidas sobre saúde e medicina, Franklin Weise, mais conhecido como Frankito, o Curioso, entrevista o cardiologista José N. de Alencar no sétimo episódio do vodcast Triturando Dados.

Semanalmente, Frankito convida personalidades que são referência em suas áreas de atuação para esmiuçar todos os dados em torno dos temas mais curiosos do noticiário.

O programa estará disponível no TecMundo, toda quarta-feira, às 9h30. Já no YouTube, a íntegra do Triturando Dados será publicada sexta-feira, às 12h30. Acompanhe também nas plataformas de áudio e nas redes sociais.

Assista ao sétimo episódio completo no topo da página.

Insultingly Stupid Movie Physics: Hollywood’s Best Mistakes, Goofs and Flat-Out Destructions of the Basic Laws of the Universe (livro, disponível apenas em inglês)

Qual a diferença entre medicina tradicional e medicina baseada em evidências?

“A questão é que é assim, o que é evidência científica de boa qualidade, eu acho que está passando por uma revolução. Essa revolução já tem mais ou menos uns 30 anos, 40 anos já. Só que a gente tem aprendido a lidar com essa parte mais científica de maneira sistematizada. Então se você pensar, se você se perguntar, como leigo ou como médico, se a melhora de um paciente depois de um remédio é uma evidência, talvez você me responderia que sim. Então, a medicina baseada na melhora daquele paciente, aquela melhora visível que aconteceu após a administração do remédio, é medicina baseada em evidências. Mas a gente entendeu, no decorrer dos últimos anos, essa é uma revolução que a gente está vivendo agora na medicin. A gente entendeu que, ao perceber os vieses que tem nessa melhora, na interpretação, melhor dizendo, da melhora, a gente consigue também perceber outros fatores que poderiam ter levado a essa melhora, que não o remédio específico. Portanto, a gente não pode afirmar com certeza, categoricamente, que foi o remédio que levou a melhora. E aí, melhorar com remédio passou a não ser mais boa evidência. Perceber a melhora com remédio. Veio, portanto, a necessidade de haver um grupo controle. O grupo controle é um grupo que não vai receber esse mesmo remédio para a gente fazer um teste, no final das contas, de o grupo A e o grupo B, quem foi que teve mais probabilidade de melhora. Ou, em outras palavras, percentualmente, o grupo A ou o grupo B, quem foi que se deu melhor. Se a diferença, a única diferença que existiu entre o grupo A e o grupo B, for o remédio, então você pode atribuir, agora sim, ao remédio, a melhora ou a piora do grupo A ou do grupo B”.

“Médico não é cientista porque nós não somos treinados a ser cientistas. Eu vou depois explicar melhor. Mas eu falo que em toda disciplina de medicina baseada em evidências, nos meus livros, nós precisamos ser cientistas, porque a nossa profissão requer isso. Deixa eu explicar as duas partes aqui para não ser mal entendido. A primeira, médico não é cientista porque não é treinado a ser, nós realmente não fomos. A nossa graduação, eu costumo falar que ela tem um nível de ensino aqui que está mais próximo do ensino técnico, ou de bacharelado, do que do ensino de doutor. A gente não merece, ao meu ver, esse título de doutor que nos é dado aqui no Brasil, não mesmo. Com o passar do tempo, a gente acaba tendo cursos cada vez mais rápidos, superficiais, para botar essa pessoa na profissão e pronto. Esse é um ponto, nós não somos formados para ser cientistas, não temos disciplinas filosóficas na graduação de medicina, a gente não aprende epistemologia, não há disciplina de epistemologia lá. A gente, portanto, não aprende ciência, né? Então, esse é o primeiro ponto, nós não fomos treinados para isso, a gente foi treinado para ser técnico, para ler uma guideline, entender o que está escrito, minimamente, e aplicar aquela guideline. Nós não somos ensinados a refutar, e muito menos a analisar nossos próprios dados. O exemplo que eu dou é muito simples, Dona Maria está do outro lado aqui da mesa do meu consultório, Dona Maria é uma senhora simples, está aqui na minha frente. Simples como ela for, do background que ela tiver, experimente fazer uma pergunta, você como médico, para a Dona Maria. ‘Dona Maria, você quer que eu te dê hoje o melhor diagnóstico possível, o melhor tratamento possível, baseado pela ciência, ou eu posso inventar da minha cabeça, Dona Maria?’ A resposta da Dona Maria, quem quer que seja a Dona Maria, vai ser que quer, que quer a melhor evidência disponível, a melhor ciência disponível. Então, para você saber qual é a melhor ciência disponível, de um mundo de evidência científica boa e ruim, de um mundo de guidelines que tem conflitos de interesse, para ser um cientista mesmo, você tem que, na frente dela, entender de ciência, então você tem que ser um cientista”.

“O paciente quer muitos exames, e o médico acaba prescrevendo muitos exames. Então isso acaba onerando muito o sistema. Só que me parece que não necessariamente isso reverte em benefício pra saúde. Tá correto isso? Sim, corretíssimo, exato, porque veja, um dado como esse que eu acabei de demonstrar, que tem, se a gente ler o contrário do 3.9, isso são 96.1% de probabilidade de ser falso o dado que tá na sua frente. Agora, você multiplica isso por uma população, por um país inteiro fazendo esse rastreio, e não apenas esse rastreio, mas um outro rastreio que alguém falou que era bom, ou exames desnecessários… Então esses dados que estão chegando para os médicos e para os pacientes, muitos desses dados são, como viu na estatística, não aproveitáveis, são dados que não revertem depois em benefício à saúde. Pelo contrário, eles podem causar malefício, porque uma pessoa com esse resultado positivo, às vezes, no mínimo, psicologicamente, ié muito ruim pra ela. Mesmo que depois haja a correção do diagnóstico, ainda assim, e o tempo que ela ficou com esse diagnóstico na cabeça?"

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