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Entenda: Só em Cambé? Caso das câmeras em banheiros levanta dúvidas sobre outros colégios cívico-militares no Paraná

Colégio confirmou a instalação de câmeras, mas O post Só em Cambé?

Por Redatores da Empire Cidades 22 de outubro de 2026 às 09:46
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Entenda: Só em Cambé? Caso das câmeras em banheiros levanta dúvidas sobre outros colégios cívico-militares no Paraná
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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22/10/2026 Destaques Equipamento foi encontrado por uma aluna em Cambé. Colégio confirmou a instalação de câmeras, mas negou que elas registrassem imagens do interior das cabines. Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) apreendeu uma câmera encontrada no banheiro do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná. O equipamento havia sido retirado do local e guardado por uma estudante. Nesta quarta-feira (21), policiais e representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) realizaram uma vistoria na instituição.

Segundo informações divulgadas pelo g1 e pela RPC, afiliada da TV Globo, os policiais também procuravam outra câmera e o equipamento responsável pelo armazenamento das imagens. Entretanto, até a divulgação da reportagem, não havia confirmação de que esses dispositivos tivessem sido encontrados.

A Polícia Civil instaurou um inquérito e realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da instalação e utilização dos equipamentos.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelas estudantes, o equipamento estava instalado no banheiro havia aproximadamente três anos.

As alunas relataram que a direção do colégio havia informado, anteriormente, que o dispositivo era um sensor de fumaça utilizado para impedir que estudantes fumassem no ambiente.

A descoberta provocou preocupação entre os alunos, principalmente depois que outro estudante fotografou o sistema de monitoramento da escola.

As imagens registradas por ele mostravam o que era captado pelas câmeras, incluindo cabines e espelhos dos banheiros. O sistema também apresentava imagens do banheiro masculino.

Segundo a reportagem, as câmeras instaladas em outros ambientes da instituição possuem formato diferente e ficam visíveis.

Em entrevista à RPC, a estudante Alessa Gabriele relatou que os responsáveis pelos alunos não haviam assinado qualquer autorização para a captação de imagens nos sanitários.

Ela também manifestou preocupação com a possibilidade de pessoas terem acompanhado imagens de momentos íntimos dos estudantes.

“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, declarou Alessa.

O relato levanta questionamentos sobre a privacidade dos estudantes e sobre quem poderia ter acesso às imagens captadas pelo sistema.

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Até o momento, as informações divulgadas não permitem estabelecer quem efetivamente visualizou ou armazenou eventuais imagens íntimas.

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Em comunicado encaminhado aos pais e responsáveis, a direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo confirmou a existência dos equipamentos de monitoramento nos banheiros masculino e feminino.

A instituição, porém, afirmou que as câmeras estavam direcionadas às portas de entrada e não registravam os espaços utilizados para as necessidades fisiológicas dos estudantes.

Segundo a direção, o objetivo era acompanhar a circulação de pessoas e contribuir para a segurança escolar.

O colégio também informou que um estudante teria entrado sem autorização na sala dos monitores militares e acessado o computador utilizado pela equipe de vigilância.

Ainda conforme o comunicado, houve retirada forçada de câmeras instaladas nos acessos aos banheiros, situação classificada pela instituição como vandalismo.

A direção afirmou que pretende apurar as circunstâncias do acesso ao sistema e da divulgação das imagens, além de adotar as medidas administrativas cabíveis.

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná informou que a instalação de câmeras em locais que comprometam a intimidade e a privacidade dos estudantes não é permitida nas escolas estaduais.

A pasta citou a Resolução nº 5.206/2026, que proíbe a instalação e utilização de câmeras em banheiros e vestiários, inclusive equipamentos posicionados externamente que permitam captar imagens desses ambientes.

A Seed também destacou que a proteção à privacidade está prevista na Constituição Federal, na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Por determinação da Secretaria, o Núcleo Regional de Educação realizou uma vistoria na escola nesta quarta-feira (21).

Segundo a Seed, nenhuma câmera foi encontrada nos banheiros durante a inspeção. A informação se refere à situação verificada naquele momento e não esclarece, por si só, as circunstâncias anteriores à retirada dos equipamentos.

A Secretaria de Educação anunciou a criação de uma comissão para investigar os acontecimentos, esclarecer as circunstâncias e indicar eventuais providências administrativas.

Além disso, uma equipe multiprofissional foi encaminhada à instituição para prestar atendimento aos estudantes e à comunidade escolar.

A Seed informou que o descumprimento das normas poderá resultar na apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme as conclusões das investigações.

Enquanto a Secretaria conduz a apuração administrativa, a Polícia Civil investiga a instalação dos equipamentos, a captação de imagens e as demais circunstâncias relacionadas ao caso.

A existência das câmeras foi confirmada pela própria instituição. Entretanto, permanece sob investigação o alcance das gravações, quem teve acesso às imagens e se houve violação da intimidade dos estudantes.

Uma pergunta fica no ar e ainda não tem resposta: isso está acontecendo apenas em Cambé ou também em outras escolas do Paraná?

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