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Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 00:15
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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29.out.2026 às 4h00 Diminuir fonte Aumentar fonte Luis Eduardo de Sousa São Paulo A Polícia Civil de São Paulo investiga a hipótese de homicídio na morte de um paciente no Hospital do Servidor Público Estadual ( HSPE ), na capital paulista.

Anderson Isach de Souza Gomes, 48, servidor do Ministério Público estadual, morreu no HSPE em 9 de novembro de 2025, vítima de sepse e pneumonia por broncoaspiração, nove dias após uma cirurgia para tratar um câncer de próstata em um hospital particular de São Paulo.

O prontuário médico anexado ao inquérito, ao qual a Folha teve acesso, registra desencontros e falhas de comunicação entre as equipes da unidade, onde o paciente foi internado após complicações, com médicos apontando supostos erros de colegas.

De acordo com perícia contratada pela família, a morte foi consequência de "erros médicos graves".

O inquérito apura homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação, conduzida pelo 16º DP (Vila Clementino), tenta responder se os médicos que atenderam Gomes desrespeitaram protocolos clínicos.

Responsável pela administração do Hospital do Servidor, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) diz que apura as circunstâncias do atendimento e colabora com a Justiça. Além do inquérito policial, há uma ação indenizatória movida pela família contra o instituto.

Gomes era oficial de Promotoria em Tatuí (a 142 km de São Paulo). Em 2025, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e marcou para setembro uma consulta na urologia do HSPE.

Os registros indicam que o paciente foi atendido pelo urologista Thiago Hemerly, mas um familiar disse à reportagem que um médico residente fez a consulta. Na ocasião, Gomes foi orientado a remover o tumor, com indicação de cirurgia robótica, modalidade menos invasiva e com recuperação habitualmente mais rápida. Em um hospital particular, sob responsabilidade de Hemerly, a cirurgia robótica custaria R$ 55 mil.

Caso optasse pelo procedimento no Hospital do Servidor, o paciente teria de aguardar em fila, sem garantia de acesso à técnica robótica nem previsão de quando seria operado. Gomes então concordou em pagar pelo procedimento particular. No inquérito constam os comprovantes de pagamento em favor de Hemerly.

A Folha questionou o Iamspe sobre a disponibilidade de cirurgia robótica no HSPE ou em unidades credenciadas, bem como sobre o tamanho da fila de espera por procedimentos eletivos. O instituto não respondeu a essas perguntas. Nos últimos anos, o Hospital do Servidor tem sido alvo de queixas de usuários sobre problemas na assistência.

O familiar acusa Hemerly de ter usado o HSPE para atrair Gomes à cirurgia particular. A postura do médico após a operação, diz, foi de desleixo, alternando orientações a distância e decisões em conjunto com médicos residentes. O contato de Gomes com o médico, das complicações até a morte, aconteceu apenas uma vez, quando o quadro do paciente já era gravíssimo, na véspera do óbito.

Procurado pela reportagem, Thiago Hemerly disse apenas que aguarda intimação para depor no processo.

O familiar relata que tudo correu bem na cirurgia, realizada em 31 de outubro de 2025, uma sexta-feira. Gomes teve alta no dia seguinte e saiu do hospital com uma sonda vesical. Na segunda, porém, as complicações começaram: sangue na urina, hematoma no abdômen, sangue saindo do pênis e dificuldade para defecar.

Prints da conversa com Hemerly pelo WhatsApp, anexados ao inquérito, mostram que o urologista orientou o paciente a "caprichar na água". Também indicou um laxante.

Após a cirurgia, a recomendação de Hemerly era que o paciente se tratasse no Hospital do Servidor, de acordo com o relato do familiar.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Na terça, Gomes sentiu fortes dores e precisou ser levado ao pronto-socorro. O familiar relatou que ele gritava. No Hospital do Servidor, foi atendido por um residente, e uma tomografia identificou fístula da bexiga —isto é, havia urina vazando e se acumulando no abdômen.

O cirurgião-geral de plantão prescreveu analgésicos e deu alta ao paciente. No prontuário, anotou que o caso havia sido "avaliado pela urologia". Não houve, porém, parecer, carimbo ou assinatura de urologista no documento.

A perícia contratada pela família aponta este como o primeiro erro que, ao fim, teria resultado no choque séptico. O laudo, assinado pela médica Jéssica Tioma Nakayama, diz que Gomes precisava de internação para drenar urina e evitar proliferação bacteriana.

Na quarta-feira, o estado do servidor se agravou. Com o abdômen distendido e roxo, a sonda vesical travou completamente. Em novo contato por mensagem, Hemerly respondeu que o paciente deveria caminhar. Disse também que o bloqueio poderia ser por grumo, uma pequena obstrução.

À noite, com dores insuportáveis, Gomes deu entrada novamente no HSPE. Os exames indicavam falência renal iminente. Ele pernoitou na enfermaria do pronto-socorro à base de morfina. A internação pela urologia só foi formalizada na manhã de sexta. O quadro evoluiu para choque séptico, com pressão arterial média caindo para 45 mmHg.

A piora gradativa do quadro de saúde do paciente foi documentada no prontuário, com médicos fazendo acusações uns aos outros. Às 6h40 daquela sexta-feira, a equipe de urologia anotou que o intensivista da UTI fora convocado para avaliar a queda da pressão arterial, mas que, "a despeito de avaliá-lo, não adotou conduta". Minutos depois, o intensivista relatou ter cobrado a urologia para "rever a estratégia de abordagem cirúrgica devido à sepse de foco abdominal".

Horas mais tarde, Gomes foi submetido a uma colonoscopia em leito de UTI sob sedação e sem intubação prévia para proteger suas vias aéreas. Durante o exame, apresentou vômitos fecaloides e broncoaspirou fezes e conteúdo gástrico para os pulmões. Conforme registrado pela enfermagem, o evento deflagrou uma pneumonia aspirativa grave e acelerou o colapso do paciente.

Na madrugada de sábado, um urologista anotou no prontuário que buscou discutir o exame com a radiologia do HSPE, mas que a equipe não foi encontrada.

Foi feita uma cirurgia de emergência para lavar a cavidade abdominal do paciente, e exames posteriores confirmaram a presença da bactéria Klebsiella aerogenes no líquido abdominal. Após sucessivas paradas cardíacas e febre de 40°C, Anderson Gomes morreu no domingo, 9 de novembro de 2025, às 16h30.

A perícia aponta sete falhas graves no atendimento, destacando a alta indevida após o diagnóstico de fístula na bexiga e a demora de quatro dias para drenar o vazamento de urina como determinantes para a morte.

Na nota enviada à reportagem, o Iamspe afirma que tem "compromisso com a transparência, a ética e o rigor técnico na apuração e apresentará todos os esclarecimentos necessários à Justiça dentro do prazo legal".

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