Entenda: Quem é Gina Hinojosa, democrata de ascendência mexicana que será 1ª latina a governar o Texas
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Consulte formatos e valores disponíveisCarregando Carregando Gina Hinojosa, democrata de ascendência mexicana, fez história na terça-feira (3/11) ao se tornar a primeira latina a governar o Texas e a primeira mulher a ocupar o cargo desde Ann Richards, em 1991.
A deputada estadual derrotou Greg Abbott, um dos governadores republicanos mais proeminentes do país, que está há mais de dez anos no cargo e é um aliado fiel do presidente Donald Trump.
Sua vitória se soma à onda que devolveu o controle das duas casas do Congresso ao Partido Democrata nestas eleições de meio de mandato.
No Texas, reduto republicano onde os democratas não venciam uma eleição estadual havia mais de três décadas, James Talarico também fez história ao conquistar uma cadeira no Senado pelo Estado.
"Deus tinha um plano, e o povo do Texas também tinha um plano", disse Hinojosa em seu discurso. "Nunca tive a intenção de me tornar uma figura política. Sou uma mãe de família. Sou uma mãe que fez de tudo pelos filhos, que acredita nos professores e nas escolas públicas do Texas", acrescentou. "Mas o Texas nos pertence."
Filha de Gilberto Hinojosa, um proeminente político democrata, e Crisanta Lozano, Gina nasceu em McAllen, em 8 de dezembro de 1973, e cresceu em Brownsville. As duas são pequenas cidades do Vale do Rio Grande, região na fronteira com o México e de maioria latina.
O território, que apoiou Trump em 2024, voltou a ficar azul (referência à cor associada aos democratas) nestas eleições legislativas. "Sou filha do Vale do Rio Grande, onde as pessoas personificam a ética e os valores deste grande Estado", disse durante seu discurso.
Ela cursou um semestre na Faculdade de Direito da Universidade do Texas, onde conheceu seu marido, o advogado John Donisi, antes de se transferir para a Universidade George Washington, no Distrito de Columbia.
Depois de se formar e voltar a Austin, capital do Texas, começou a carreira como advogada de direitos civis e trabalhistas, representando integrantes de diferentes sindicatos.
Em 2005, integrou a equipe jurídica que apresentou uma ação contra Tom DeLay, então líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, por acusações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Ela afirma que entrou na política por acaso, depois de defender a escola do filho contra o fechamento, quando o Estado ameaçou cortar o financiamento da instituição, em 2012.
"Quando ameaçaram fechar a escola, fiquei indignada e me candidatei ao conselho escolar", contou Hinojosa em um episódio de agosto do podcast Tacos of Texas.
Ela venceu aquela batalha e, em 2015, foi eleita presidente do conselho do Distrito Escolar Independente de Austin (AISD).
Depois, em 2016, ela se candidatou à Câmara dos Representantes do Texas, motivada pela determinação de destinar uma parcela maior dos impostos locais sobre a propriedade às escolas públicas.
Hinojosa venceu as primárias democratas, que tiveram sete candidatos, e conquistou uma vitória ampla nas eleições gerais de 2016, garantindo uma cadeira na legislatura estadual.
Durante sua passagem pela Câmara dos Representantes do Texas, integrou diversas comissões, entre elas as de Educação Pública e Gestão de Terras e Recursos. Também apresentou projetos de lei voltados à educação pública e à transparência e à prestação de contas do governo.
Durante seus eventos de campanha ao governo do Estado, ela prometeu melhorias na área da educação. Mas, assim como a maioria dos democratas em todo o país, Hinojosa concentrou sua campanha na economia.
Entre suas promessas, estava o envio de um cheque de US$ 1.500 às famílias texanas, com recursos provenientes das reservas financeiras do Estado. A proposta contrasta com a aposta dos republicanos na redução dos impostos sobre a propriedade.
Ela também tem se mostrado cada vez mais crítica aos centros de dados, uma das poucas questões que vêm unindo eleitores texanos de diferentes partidos.
"O Texas é um Estado feito para e pelo povo do Texas ou um mundo para bilionários?", questionou na terça-feira em seu discurso como governadora eleita.
Em seguida, respondeu que o Texas "pertence a pecuaristas, agricultores, famílias trabalhadoras e pequenos comerciantes", e não a empresas nem aos "ricos e bem relacionados".
O bilionário Elon Musk doou US$ 5 milhões para a campanha de Greg Abbot — e US$ 158 milhões (R$ 867 milhões) à campanha do candidato republicano derrotado ao Senado, Ken Paxton.
Não é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo de governadora do Texas. Isso já aconteceu com Miriam "Ma" Ferguson (1925-1927 e 1933-1935) e Ann Richards (1991-1995), ambas democratas.
No entanto, desde que o Texas se tornou independente do México, em 1836, e passou a integrar os Estados Unidos, em 1845, o Estado nunca havia eleito uma pessoa de ascendência hispânica para chefiar seu poder Executivo.
Sua vitória concretiza um sonho antigo dos democratas: que as mudanças demográficas no Estado fossem acompanhadas por uma transformação no poder político. Atualmente, os latinos representam 40% da população do Texas.
"A vitória é um testemunho da nova realidade demográfica deste Estado", disse à BBC Mundo Álvaro J. Corral, cientista político e professor da Universidade do Texas no Vale do Rio Grande.
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