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Entenda: Primeira colheita de milho marca avanço de pesquisas contra desertificação em Gilbués

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 8 de novembro de 2026 às 15:33
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Entenda: Primeira colheita de milho marca avanço de pesquisas contra desertificação em Gilbués
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Primeira colheita de milho marca avanço de pesquisas contra desertificação em Gilbués Por Redação 8 de Novembro de 2026 às 15:33 Primeira colheita de milho marca avanço de pesquisas contra desertificação em Gilbués | Cristiane Araújo A primeira colheita de milho no Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas (Nuperade), em Gilbués, no sul do Piauí, representa um avanço nos estudos desenvolvidos para combater a desertificação e recuperar solos afetados pela degradação ambiental. As pesquisas, lideradas pelo Governo do Estado em parceria com instituições científicas, utilizam técnicas de manejo e tecnologias voltadas à recuperação da capacidade produtiva da terra.

Além do milho, o espaço já apresenta resultados no cultivo de outras espécies, como caju, acerola, tamarindo, tomate e cenoura. Os experimentos buscam identificar alternativas para melhorar as condições do solo, aumentar a resistência das plantas e ampliar as possibilidades de produção agrícola em uma das regiões mais afetadas pela erosão no Brasil.

O projeto é desenvolvido pelo Governo do Piauí, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Polissacarídeos e a empresa AFERT BioFertilizantes.

Entre as técnicas aplicadas no Nuperade estão o uso de biofertilizantes, hidrogel e práticas de conservação do solo, como a construção de curvas de nível. Essas intervenções ajudam a reter a água da chuva, diminuir a erosão e oferecer melhores condições para o desenvolvimento das plantações, principalmente durante os períodos de estiagem.

De acordo com Lucas Ferraz, pesquisador e responsável técnico pelo manejo das plantas no núcleo, dez áreas passaram por intervenções para recuperação do solo. Os resultados já podem ser observados no desenvolvimento das culturas e no florescimento de mudas implantadas durante os experimentos.

“Inicialmente, foi feita toda a correção do solo com biofertilizante. Há um ano, foram implantadas as primeiras mudas de caju, que, após esse período, floriram, indicando uma resposta positiva às técnicas aplicadas. Ainda temos o milho experimental, a acerola e o tamarindo se desenvolvendo e florindo. Isso é fantástico. A taxa de sobrevivência das plantas também tem sido otimizada com o uso do hidrogel, para fornecer água durante o verão”, explicou o pesquisador.

A colheita do milho permite avaliar, na prática, a resposta das culturas às técnicas utilizadas e representa uma etapa importante para a continuidade dos estudos sobre recuperação de áreas degradadas.

Os resultados também apontam novas perspectivas para a agricultura familiar em Gilbués. A expectativa é que o conhecimento produzido no núcleo ajude os agricultores a diversificar suas plantações, ampliar a produção local e reduzir a necessidade de comprar hortaliças e outros alimentos de municípios de outros estados, como Barreiras, na Bahia.

O agricultor Francisco Washington relatou experiências positivas com o cultivo de diferentes produtos na região e destacou o potencial produtivo das terras quando recebem os cuidados adequados.

“Em Gilbués, tudo o que tentamos plantar, de girassol a repolho, tem produzido muito bem. Eu agora estou vendo as portas se abrindo, mas ainda precisamos de um pouco mais de tecnologia e até mesmo de regularização fundiária”, afirmou.

Gilbués é conhecida pelas extensas áreas de solo exposto, erosões e paisagens avermelhadas, resultado de um processo histórico de degradação ambiental intensificado por atividades humanas, incluindo a exploração de diamantes e a retirada da cobertura vegetal.

Além de desenvolver pesquisas científicas, o Nuperade também atua na disseminação de conhecimento e na conscientização ambiental. A proposta é aproximar a ciência dos moradores e agricultores, oferecendo informações sobre conservação do solo, recuperação de áreas degradadas e técnicas de produção sustentável.

A primeira colheita de milho representa um resultado concreto dos experimentos e abre novas possibilidades para a recuperação ambiental e o fortalecimento da agricultura no sul do Piauí. A continuidade dos estudos deverá permitir avaliar a eficiência das técnicas aplicadas e identificar soluções que possam ser utilizadas em outras áreas afetadas pela desertificação.

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