Entenda: O que Lula deve levar em consideração ao escolher seus novos ministros, segundo cientista político
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa definir o legado que pretende deixar antes de escolher os ministros de seu quarto mandato. A avaliação é do cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que participou do programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Segundo o especialista, a montagem da equipe exigirá mais do que acomodar aliados políticos: será necessário combinar capacidade técnica, habilidade de negociação com o Congresso e prioridades claras para o governo. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Prando considera que o presidente enfrenta um momento especialmente importante de sua trajetória política, diante da possibilidade de que o quarto mandato marque o encerramento de sua participação em disputas eleitorais. Na avaliação do professor, Lula terá de decidir se pretende priorizar reformas estruturantes, o equilíbrio das contas públicas, a redução dos juros e do custo de vida ou adotar uma orientação mais populista à esquerda. Essas escolhas, segundo ele, deverão influenciar diretamente o perfil dos novos integrantes da Esplanada.
Para Prando, a primeira questão que o presidente precisa enfrentar não é a escolha de um sucessor político, mas a definição da marca que deseja deixar ao país. O cientista político lembrou que os governos anteriores de Lula ficaram associados, em sua avaliação, à diminuição da extrema pobreza, ao crescimento da classe média e à ampliação de políticas sociais.
“Antes de pensar num sucessor, a pergunta que ele deve estar se fazendo é: que legado ele quer deixar? Qual é a marca que ele quer?”, afirmou.
O professor também relacionou essa reflexão ao desempenho do terceiro mandato, que, segundo sua análise, enfrentou índices desfavoráveis de avaliação popular durante grande parte do período. Para ele, o resultado da eleição presidencial demonstrou a importância da mudança de postura da campanha entre o primeiro e o segundo turnos, quando Lula conseguiu reverter a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro.
Prando considera que o presidente precisará decidir entre diferentes prioridades para o novo governo. Entre as alternativas mencionadas estão reformas estruturantes, melhora das contas públicas e redução do custo de vida, em contraste com uma possível guinada mais populista à esquerda. A definição desse caminho, na avaliação do cientista político, será fundamental para orientar a escolha dos auxiliares.
Outro fator considerado decisivo por Prando é o fortalecimento do Congresso Nacional. O cientista político afirmou que a ampliação do poder dos parlamentares sobre o orçamento, especialmente por meio das emendas, modificou a relação entre Executivo e Legislativo.
Ao analisar essa transformação, Prando recorreu ao conceito de presidencialismo de coalizão e argumentou que a distribuição de ministérios deixou de assegurar, necessariamente, apoio nas votações. Segundo ele, a autonomia orçamentária dos parlamentares reduziu a capacidade de negociação do presidente. “É um presidencialismo quase que de submissão”, declarou.
Na avaliação do professor, Lula terá de negociar com um Congresso mais alinhado à direita e enfrentar as dificuldades de construir uma base parlamentar consistente. A simples concessão de cargos, afirmou, já não garante que os partidos contemplados acompanhem o governo em suas principais iniciativas.
Prando avalia que o presidente também precisará considerar aliados que participaram de seu projeto eleitoral, mas não conseguiram vencer as disputas que enfrentaram. O cientista político mencionou Fernando Haddad como exemplo de um quadro importante para Lula e que, em sua interpretação, assumiu uma candidatura difícil para contribuir com a campanha presidencial.
O desafio, entretanto, não será apenas acomodar esses nomes na administração federal. Para Prando, a nova equipe deverá reunir profissionais com qualificação técnica e capacidade de articulação política. O professor considera que o diálogo com o Centrão será uma das alternativas buscadas pelo presidente para formar sua base de sustentação.
“Eu imagino que o presidente vai buscar o diálogo com o Centrão para compor o governo e deve pensar em nomes para compor esse ministério […] de maneira que ele tenha bons técnicos, mas também pessoas com bom trânsito político”, afirmou. Em seguida, resumiu: “Não adianta só bons técnicos sem trânsito político.”
Para explicar as limitações de uma composição ministerial baseada apenas na projeção dos escolhidos, Prando lembrou que o terceiro governo Lula reuniu figuras que já haviam disputado a Presidência da República, como Geraldo Alckmin, Marina Silva e Simone Tebet.
“Talvez nunca houve um ministério tão estrelado com candidatos à Presidência como o Lula teve nesse terceiro mandato, mas não surtiu um efeito prático”, avaliou o professor.
Na análise de Prando, a experiência demonstra que a presença de lideranças conhecidas não é suficiente para superar as dificuldades de articulação e execução do governo. Por isso, o presidente deverá considerar não apenas o peso político dos futuros ministros, mas também sua capacidade de negociar com o Congresso e contribuir para as prioridades estabelecidas para o quarto mandato.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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