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Entenda: Mulher que viveu há 30 mil anos deixou em caverna francesa uma pista que muda a compreensão sobre os contatos entre antigos habitantes da Europa

Ao examinar o material, cientistas descobriram que a mulher à qual ele pertenceu reunia marcas genéticas de populações do oeste e do centro-leste europeu, regiõ

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 11:04
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Entenda: Mulher que viveu há 30 mil anos deixou em caverna francesa uma pista que muda a compreensão sobre os contatos entre antigos habitantes da Europa
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Caverna de Isturitz, no sudoeste da França, preservou vestígios humanos que ajudaram cientistas a identificar conexões genéticas entre populações europeias de 30 mil anos atrás.

Um osso de cerca de 30 mil anos encontrado em uma caverna no sudoeste da França trouxe uma pista sobre a história dos primeiros humanos modernos na Europa. Ao examinar o material, cientistas descobriram que a mulher à qual ele pertenceu reunia marcas genéticas de populações do oeste e do centro-leste europeu, regiões que até então eram consideradas pouco conectadas durante aquele período.

Região das cavernas de Isturitz e Oxocelhaya, nos Pireneus franceses, reúne vestígios de diferentes períodos de ocupação humana durante a pré-história. Entrada destinada aos visitantes da caverna de Isturitz, sítio arqueológico francês conhecido por preservar materiais que documentam a presença de antigos grupos humanos. Flauta feita com osso de abutre durante o período gravetiano foi encontrada em Isturitz e mostra a habilidade dos antigos habitantes europeus na produção de instrumentos musicais. Formação contendo fragmentos ósseos da caverna de Isturitz integra exposição arqueológica no local, que guarda registros de milhares de anos de ocupação humana. Pontas de projéteis do Paleolítico Superior, incluindo exemplares do tipo Isturitz, ajudam a compreender as técnicas utilizadas por comunidades pré-históricas. Escultura de bisão encontrada na caverna de Isturitz, datada de aproximadamente 17 mil a 14 mil anos atrás, revela a produção artística de grupos que ocuparam a região em época posterior. A descoberta integra um estudo publicado na revista Science Advances. Os pesquisadores compararam o DNA de três pessoas que viveram na Europa pré-histórica, em territórios que hoje fazem parte da França, da Espanha e da Itália. O resultado sugere que as relações as análises anteriores.

A peça decisiva veio da caverna de Isturitz, onde foram encontrados restos mortais de uma mulher que viveu há aproximadamente 30 mil anos. O DNA preservado no osso permitiu aos pesquisadores investigar as origens de seus ancestrais.

A maior parte da composição genética da mulher estava associada às populações do oeste europeu. Havia, porém, uma contribuição ligada a grupos que viveram mais a leste, incluindo regiões centrais do continente.

Segundo a pesquisa, os modelos genéticos situam essa troca de ancestralidade entre 31.500 e 32.500 anos atrás. Uma das explicações consideradas é o deslocamento de grupos humanos do leste em direção ao oeste, seguido de contatos entre populações.

Isso não significa que os cientistas tenham reconstituído uma viagem ou identificado o caminho percorrido por uma pessoa específica. O que o estudo encontrou foi um sinal de mistura genética que ajuda a compreender relações estabelecidas ao longo de gerações.

Na época em que essa mulher viveu, a Europa abrigava comunidades ligadas à cultura gravetiana, presente no continente entre aproximadamente 34 mil e 25 mil anos atrás.

Esses grupos deixaram vestígios arqueológicos, como ferramentas e pequenas estatuetas humanas conhecidas como Vênus. Objetos semelhantes encontrados em diferentes regiões

A genética, entretanto, oferecia uma visão mais dividida. Antes da nova análise, os especialistas dispunham de DNA obtido de cerca de duas dezenas de esqueletos associados ao período. Com esse conjunto limitado, a interpretação predominante era a de que as populações do leste e do oeste mantinham pouca mistura genética.

A amostra de Isturitz acrescenta uma informação que faltava: a existência de conexões biológicas entre esses grupos, mesmo que conservassem características genéticas próprias em diferentes partes da Europa.

A localização de Isturitz também ajuda a explicar o interesse dos pesquisadores. Situada em uma passagem históricas.

O lugar guarda vestígios de diferentes períodos de ocupação. Neandertais passaram pelo local muito antes da mulher estudada, enquanto materiais de épocas posteriores também foram recuperados no sítio, incluindo recipientes feitos de crânios humanos.

Por isso, a caverna não oferece apenas um registro individual. Seu histórico arqueológico permite relacionar o DNA analisado a uma paisagem que recebeu diferentes grupos humanos durante milhares de anos.

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