Entenda: Israel calculou o preço de deixar mulheres fora do comando e vai usar verba pública para formá-las
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Consulte formatos e valores disponíveisIsrael calculou o preço de deixar mulheres fora do comando e vai usar verba pública para formá-las Governo israelense destina 25 milhões de shekels a 15 programas para levar executivas ao topo das empresas de tecnologia Bandeira de Israel (Arquivo/Wikimedia Commons)
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 16h40 .
Priorizar nos meus resultados Google Israel tem um dos ecossistemas de tecnologia mais densos do mundo e, há três décadas, um problema que não sai do lugar: as mulheres entram no setor, mas raramente chegam ao comando. Foi então que o governo decidiu tratar a questão como política econômica.
A Israel Innovation Authority, agência pública de inovação do país, e o Ministério do Trabalho anunciaram um investimento de 25 milhões de shekels , somando recursos públicos e contrapartidas de empresas privadas. O dinheiro será dividido entre 15 programas, e seis deles têm um único objetivo : preparar mulheres para cargos de CEO, CTO e outras posições de alta liderança.
O diagnóstico por trás da decisão é claro. As mulheres são cerca de 34% da força de trabalho da tecnologia israelense, mas comandam menos de 11% das startups do país, segundo o relatório Women in High-Tech 2026, da própria agência.
Formar executivas para a alta liderança e para os conselhos exige preparo técnico e visão de negócio. Conheça o ABP-W, programa da Exame Saint Paul voltado à atuação em conselhos
Os programas de formação executiva cobrem perfis diferentes. Um deles, uma academia de seis meses, prepara mulheres para assumir o cargo de CEO em empresas de deep tech e inteligência artificial. Outro forma futuras CEOs de companhias de base tecnológica. Um terceiro oferece coaching executivo para profissionais experientes, com foco nas que têm 45 anos ou mais.
As outras nove iniciativas atacam o restante do funil: a entrada de mulheres com pós-graduação em empresas de deep tech , o retorno ao mercado depois de longos intervalos, a progressão de carreira após a licença-maternidade e a criação de indicadores de equidade dentro das empresas.
Os números israelenses mostram que a dificuldade não é atrair mulheres para a área. A participação feminina nos cursos superiores ligados à tecnologia saltou de 24% para 34% em pouco mais de uma década. Na faixa de 25 a 34 anos, elas já são quase 40% dos profissionais do setor.
O estreitamento acontece à medida que a carreira avança. As mulheres ocupam 28,4% dos cargos de pesquisa e desenvolvimento, 16% das gerências de desenvolvimento e uma fatia ainda menor das posições de CEO. Nos cargos executivos e administrativos, os homens ganham em média 48% a mais .
O padrão se repete fora de Israel. Segundo o Global Gender Gap Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, as mulheres ocupam 33,4% das posições de média gerência no mundo, mas apenas 28,1% da alta liderança . A diferença entre os dois níveis está estagnada desde 2020, e a participação feminina entre as novas contratações para o topo caiu de 34,8% para 33,7% entre 2022 e 2024.
O funil não termina na cadeira de CEO. É da alta liderança executiva que os conselhos de administração costumam recrutar seus membros, e um topo estreito hoje significa um board pouco diverso amanhã.
Inteligência artificial, dados e transformação digital fazem parte da formação de conselheiras no ABP-W, que completa dez anos em 2026. Saiba como o programa estrutura esses temas
No Brasil, as mulheres ocupam 18,7% das cadeiras nos conselhos das maiores companhias abertas, segundo o Board Index 2025 da Spencer Stuart. A Lei 15.177, de 2025, passou a exigir que estatais reservem 30% das vagas de seus conselhos para mulheres, o que deve aumentar a procura por executivas com experiência de alto nível.
O programa israelense também chama atenção para um ponto pouco discutido: a idade. “As taxas de emprego entre mulheres e homens começam a cair já a partir dos 50 anos”, diz Rubi Shemesh, diretor-geral do Ministério do Trabalho israelense. No mundo corporativo, é justamente nessa fase que muitas executivas passam a mirar uma vaga em conselho.
Há outro motivo para o recorte israelense importar a quem pensa em governança. Inteligência artificial, cibersegurança e transformação digital deixaram de ser temas restritos à área técnica e passaram a ocupar a pauta dos conselhos.
O ABP-W, o Advanced Boardroom Program for Women da Exame Saint Paul, que completa dez anos em 2026, incorporou esses temas à formação de conselheiras. Entre os módulos estão transformação digital e seus dilemas de competitividade e segurança, organizações orientadas por dados e inteligência artificial, além de gestão de riscos e cenário econômico global. O programa também inclui um módulo internacional, que na edição atual acontece na Smith School of Business, em Toronto.
“Expandiu muito a minha visão de adaptabilidade no contexto global”, diz Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil e ex-aluna do programa.
Israel concluiu que deixar a liderança feminina avançar no próprio ritmo custaria caro demais e colocou o tema no orçamento. As empresas que formarem suas executivas antes dos concorrentes terão mais nomes prontos quando as cadeiras do topo e do conselho abrirem.
Com módulo internacional em Toronto e uma rede de mais de 600 líderes, o ABP-W prepara executivas para decisões de board em um contexto global. Entenda como funciona a formação
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