Entenda: Fratura do punho pode ser o primeiro alerta para a osteoporose
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Consulte formatos e valores disponíveisUma pessoa tropeça na calçada, tenta amortecer a queda com a mão e acaba com o punho fraturado. O episódio é comum, especialmente entre pessoas mais velhas, e geralmente leva à procura de um ortopedista para imobilizar ou fixar a fratura com cirurgia. O que muitos pacientes desconhecem é que, dependendo da idade e das circunstâncias da queda, a fratura pode ser o primeiro sinal de uma doença silenciosa: a osteoporose.
O rádio distal é a extremidade do osso do antebraço localizada próxima ao punho. Sua fratura está entre as lesões mais frequentes após quedas com apoio da mão. Embora possa ocorrer em qualquer idade, inclusive em jovens submetidos a traumas de maior intensidade , merece atenção especial quando acontece após uma queda da própria altura, sobretudo a partir dos 60 anos.
A osteoporose provoca redução da resistência dos ossos, tornando-os mais suscetíveis a fraturas diante de impactos que normalmente não causariam uma lesão tão importante. Como costuma evoluir sem sintomas, muitas pessoas só descobrem o problema depois de quebrar um osso.
Nas mulheres, a perda óssea pode se acelerar após a menopausa, devido à redução dos níveis de estrogênio. Nos homens, o envelhecimento e outras condições clínicas também podem comprometer a saúde dos ossos.
A fratura do rádio distal tem uma característica importante: frequentemente ocorre antes de fraturas associadas a consequências mais graves, como as vertebrais e as do quadril. Isso não significa que toda pessoa que fraturou o punho desenvolverá essas complicações, mas o episódio pode indicar um risco aumentado que merece investigação.
O que explica a facilidade de algumas pessoas em estalar os dedos, enquanto outras não conseguem fazer o mesmo? Entenda por que o queixo é uma exclusividade humana após caso de jovem que deslocou a mandíbula ao bocejar Um em cada quatro idosos brasileiros sofrem ao menos uma queda anualmente Também não significa que toda fratura do punho seja causada por osteoporose. A intensidade do trauma, a idade e o histórico clínico precisam ser considerados.
A primeira preocupação após uma fratura é recuperar a anatomia e a função do punho. Entretanto, quando a lesão acontece após um trauma de baixa intensidade, limitar o atendimento à consolidação óssea pode significar perder uma oportunidade de prevenção.
A avaliação da saúde óssea pode incluir densitometria, investigação de fatores de risco e exames laboratoriais, conforme as características do paciente. Histórico de fraturas anteriores, uso prolongado de corticoides, baixo peso, tabagismo e determinadas doenças também devem ser consideradas.
A densitometria ajuda a identificar a redução da massa óssea, mas não é o único elemento utilizado para avaliar o risco. Ferramentas clínicas, como a calculadora FRAX , podem auxiliar na estimativa da probabilidade de novas fraturas, levando em conta diferentes fatores individuais.
A investigação é especialmente importante porque uma fratura por fragilidade aumenta o risco de outras. Identificar e tratar a osteoporose, quando presente, pode reduzir a ocorrência de novos eventos , inclusive em regiões como a coluna e o quadril.
Nem toda fratura do rádio distal precisa ser operada. A escolha depende do tipo de lesão, do grau de desvio dos fragmentos, da estabilidade, da qualidade óssea e das necessidades funcionais do paciente.
Fraturas bem alinhadas e estáveis podem ser tratadas com imobilização e acompanhamento radiográfico. Em outros casos, especialmente quando existe desvio importante, comprometimento da superfície articular ou instabilidade , pode ser necessário realizar cirurgia para reposicionar e fixar os fragmentos.
Uma das técnicas utilizadas é a fixação com placa específica para o rádio distal e parafusos, que permite estabilizar os fragmentos ósseos durante a consolidação da fratura. Entretanto, a indicação cirúrgica não depende apenas da imagem radiográfica . Idade, nível de atividade, condições clínicas e expectativas de recuperação também influenciam a decisão.
Independentemente da abordagem escolhida, a reabilitação desempenha um papel fundamental na recuperação da mobilidade, da força e da capacidade de realizar atividades cotidianas. Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais têm participação importante nesse processo , que pode envolver outros profissionais de saúde, conforme as necessidades individuais de cada paciente.
O cuidado com a saúde óssea não deve começar apenas depois de uma fratura grave. Quando o punho quebra após uma queda simples, existe uma oportunidade de identificar fatores de risco que talvez ainda não tenham produzido outros sintomas .
Além do tratamento medicamentoso, quando indicado, medidas como exercícios de fortalecimento e equilíbrio, alimentação adequada e correção de deficiências nutricionais podem contribuir para a saúde óssea e a prevenção de quedas. A escolha dessas estratégias deve considerar a condição clínica de cada pessoa.
É importante lembrar que a os teoporose não provoca apenas fraturas . Suas consequências podem comprometer a mobilidade, a independência e a qualidade de vida, especialmente na população idosa.
A fratura do rádio distal, portanto, não deve ser vista somente como um acidente isolado. Em pacientes com mais de 60 anos ou diante de um trauma de baixa intensidade, ela pode representar um aviso importante. Tratar o punho é fundamental, mas investigar por que aquele osso se quebrou pode ser decisivo para evitar a próxima fratura.
*Artigo escrito por Dr. Renato PoleseRusig, ortopedista, especialista em Cirurgia de Mão e Microcirurgia Reconstrutiva e Membro da Brazil Health – CRM/SP 182.895 | RQE 109352
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