Entenda: França impõe toques de recolher e endurece resposta após violência em protestos
Nesta terça-feira, 20, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que cerca de 150 pessoas já haviam sido encarceradas no âmbito dos processos abertos após

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Consulte formatos e valores disponíveisO número não corresponde ao total de pessoas detidas pelas forças de segurança. Segundo as autoridades, mais de 2,4 mil pessoas foram levadas sob custódia policial desde o sábado, 17, quando manifestações em diversas cidades foram seguidas por confrontos, incêndios, vandalismo e saques.
Darmanin defendeu uma resposta “extremamente firme” da Justiça contra os responsáveis por ataques a policiais, bombeiros, prédios públicos e estabelecimentos comerciais. O ministro afirmou que mais de 800 pessoas foram encaminhadas aos tribunais e que os números podem aumentar à medida que os procedimentos policiais são concluídos.
Em reação à escalada dos tumultos, autoridades francesas adotaram toques de recolher em áreas específicas. Em Paris, a restrição foi aplicada em regiões próximas à Praça da República e ao centro comercial Les Halles. Em Lyon, o toque de recolher no centro da cidade foi renovado entre 21h e 6h.
As medidas não valem para todo o território francês e são definidas pelas autoridades locais conforme o risco de novos episódios de violência. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou ainda um reforço “massivo” no esquema de segurança para os próximos protestos previstos no país.
Apesar dos atos violentos, as autoridades e organizações civis destacam que a maior parte das manifestações ocorreu de forma pacífica. O governo estimou em 550 mil o número de participantes nos protestos de sábado, enquanto os organizadores falaram em cerca de 800 mil pessoas.
Os protestos começaram em setembro, liderados por estudantes que cobravam melhores condições de ensino, infraestrutura e recursos para as escolas. Nas últimas semanas, o movimento ganhou adesão de sindicatos, trabalhadores e grupos políticos, incorporando pautas como inflação, crise habitacional, aluguel elevado e cortes em serviços públicos.
A violência de uma parcela dos manifestantes, porém, passou a dominar a resposta do governo. Carros foram incendiados, lojas foram saqueadas e prédios públicos foram atacados em diferentes cidades.
A morte de um homem em Paris, no sábado, ainda está sob investigação. Segundo o Ministério Público francês, a hipótese inicial é de mal súbito, sem confirmação de que o óbito tenha relação direta com os confrontos.
A mobilização francesa ocorre em um ambiente de crescente tensão social em outros países europeus. Na Espanha e em Portugal, protestos têm sido impulsionados principalmente pela crise de moradia e pelo alto preço dos aluguéis. Itália e Albânia também registraram manifestações recentes.
Embora compartilhem insatisfação com o custo de vida e a precarização de serviços, os movimentos têm origens e reivindicações próprias em cada país.
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