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Entenda: Fome pode influenciar mecanismos do cérebro ligados ao vício em álcool, aponta estudo

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 14:05
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Entenda: Fome pode influenciar mecanismos do cérebro ligados ao vício em álcool, aponta estudo
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Fome pode influenciar mecanismos do cérebro ligados ao vício em álcool, aponta estudo Experimentos com moscas-da-fruta identificaram um circuito neural que interfere na formação de memórias de recompensa associadas à bebida Bebida alcoólica: pesquisadores identificam circuito neural que pode interferir no desejo por álcool (Freepik)

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Neurociência Saiba mais A fome pode alterar a forma como o cérebro associa o álcool a sensações de recompensa, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos. A descoberta identifica um mecanismo neural que pode ajudar a compreender processos envolvidos na dependência da bebida.

Publicada na última segunda-feira, 19, na revista científica Current Biology, a pesquisa analisou o cérebro de moscas-da-fruta e identificou um neurônio cuja atividade influencia a formação de memórias relacionadas aos efeitos recompensadores do álcool.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores investigaram a octopamina, neurotransmissor presente nas moscas-da-fruta que participa de respostas a condições como fome, sede e dor.

A substância desempenha funções semelhantes às da noradrenalina em humanos e pode influenciar o comportamento, a memória e o processamento de estímulos.

Durante os experimentos, a equipe identificou um neurônio específico, chamado VUMa3, associado à resposta das moscas ao álcool. Ao ativar ou silenciar geneticamente esse neurônio, os cientistas observaram mudanças na rapidez com que os insetos passaram a associar o álcool a uma recompensa.

A manipulação também alterou a preferência pela substância, mas esse efeito ocorreu apenas quando as moscas estavam com fome. Os resultados sugerem que a privação de alimento pode modificar a comunicação entre neurônios sensíveis à fome e circuitos envolvidos na formação de memórias de recompensa.

As memórias associadas ao consumo de álcool desempenham um papel importante nos mecanismos da dependência.

Estímulos do ambiente, como lugares e situações relacionados à bebida, podem despertar lembranças de experiências recompensadoras e contribuir para o desejo de consumir álcool.

Segundo Karla Kaun, professora associada de neurociência da Universidade Brown e integrante da pesquisa, estados internos como a fome podem alterar a maneira como o cérebro responde a esses estímulos.

O estudo amplia investigações anteriores concentradas principalmente na dopamina, neurotransmissor associado aos sistemas de recompensa. Os resultados indicam que outras substâncias e circuitos neurais também podem participar desse processo, dependendo das condições fisiológicas do organismo.

Para Lewis Sherer, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Brown e primeiro autor do estudo, compreender como os insetos formam memórias relacionadas ao álcool pode oferecer pistas sobre mecanismos semelhantes em outros organismos.

A equipe pretende aprofundar o conhecimento sobre a influência de fatores como fome e estresse na resposta cerebral às substâncias.

Os cientistas também consideram que condições prolongadas de privação alimentar podem ser relevantes para futuras investigações sobre a vulnerabilidade à dependência.

Apesar das possibilidades, a pesquisa ainda não permite estabelecer uma relação causal entre fome e alcoolismo em humanos, tampouco apresenta um novo tratamento para a condição.

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