Entenda: Flávio admite não ter prova de fraude, critica volta de Jair ao Brasil e diz querer 2030 assim como Tarcísio
Ele admite não ter provas de fraudes nas eleições deste ano, mas diz que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.

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6.nov.2026 às 18h06 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Glenn Greenwald Isabella Menon Miami O senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ) disse, em entrevista exclusiva conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, a primeira a um veículo de imprensa brasileiro desde a fuga, que nem ele nem Lula podem afirmar, com 100% de certeza, quem foi eleito presidente do Brasil. Ele admite não ter provas de fraudes nas eleições deste ano, mas diz que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.
O ex-presidenciável afirma que o PL, seu partido, pedirá a cassação da chapa Lula/Alckmin por abuso de poder econômico, com base nas medidas tomadas pelo governo durante a campanha, como aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e o repasse de um Pix de R$ 5.000 para MEIs (microempreendedores individuais).
Na avaliação de Flávio, o Brasil não vive uma democracia plena, porque não há liberdade de manifestação. Está tudo "dominado" pelo governo, diz ele, inclusive o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O tribunal é presidido por Kassio Nunes Marques e tem como vice André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro.
Ele argumenta ter saído do país para "não legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes."
Na entrevista, o senador abandonou o tom mais moderado ensaiado na campanha e retomou o estilo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: reproduziu teorias conspiratórias e discursos golpistas, defendeu o voto impresso e acusou o governo Lula (PT) de ter um projeto "comunista".
O senador se recusa a falar sobre o plano de fuga ou de quem ajudou ou financiou sua saída do Brasil. Não decidiu ainda em que estado vai morar com a família, diz estar vivendo de reservas financeiras e afirma que gostaria de estar no Brasil. Mas, segundo ele, não pretende "cometer o mesmo erro" que o pai, que voltou ao país em 2023, após três meses na Flórida, e acabou preso pouco mais de dois anos depois.
Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que admitiu disputar a Presidência em 2030, Flávio responde que "todo mundo tem o direito de se colocar como candidato". Afirma que, se seu partido concordar, também pretende concorrer. Mas, se Jair Bolsonaro retomar seus direitos políticos, será ele o candidato, de acordo com o senador.
A entrevista aconteceu na tarde desta quinta-feira (5) em um espaço de coworking em Miami. Foi acompanhada pelo aliado de Flávio e comentarista político Paulo Figueiredo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participava de um evento da Cpac (Conferência de Ação Política Conservadora) em Mar-a-Lago, para onde o irmão foi à noite.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Pretende ficar em Miami, morar em outra cidade nos Estados Unidos ou voltar para o Brasil? Ainda vou decidir com minha família como será daqui para frente.
Pretende ficar aqui [nos EUA] enquanto essa investigação estiver pendente? Eu sei qual vai ser o final de um processo desse muito antes de começar, como aconteceu com meu pai, como aconteceu com Eduardo [Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro do ano passado]. Não tem por que eu acreditar que comigo seria diferente.
O Supremo está comprometido, o Tribunal Superior Eleitoral é dominado pelo governo, e Polícia Federal e Ministério Público Federal são aparelhados [Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do STF por 4 a 1; Eduardo foi condenado por coação pela sua atuação nos EUA por sanções ao Brasil].
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Como vai se bancar em Miami, onde o custo de vida é alto para quem recebe em reais? Tenho reservas.
Reservas de que? Sou parlamentar desde os 21 anos, empresário e advogado. Minha principal renda vem da advocacia. Mas certamente vou ter que trabalhar como todas as pessoas que vêm de fora dos Estados Unidos para cá.
Pretende abrir mão do resto do seu mandato como senador? De forma alguma. Sempre que houver a possibilidade de participar das sessões de forma virtual, vou participar.
Em entrevista ao jornal New York Times você disse que só tomou a decisão de viajar na segunda-feira pós-eleição. Qual foi a primeira vez que você falou sobre a possibilidade de viajar se perdesse a eleição? Eu falei com a minha esposa depois que fui intimado pela Polícia Federal. Na segunda-feira, fui visitar o presidente Bolsonaro, que defendo como advogado. Ao sair, policiais federais me avisaram que eu não poderia deixar o país. Naquele momento, ele falou para mim: "Você sabe onde é que eles querem chegar, né?". Eu falei: "Pai, fique tranquilo que eu sei o que tenho que fazer".
Foi uma operação bem complexa, não se sabe exatamente o que você fez para chegar aqui nos EUA. Não vou falar sobre isso para ninguém.
Pensou sobre essa possibilidade antes? Você imagina quantas pessoas pensaram em sair do país após as eleições? Porque sabe que o Brasil vai ruir, vai falir.
Eu disse que respeitava os resultados, mas o ministro [do STF Cristiano] Zanin, que é ex-advogado do Lula, mudou a regra do jogo depois do jogo jogado. Prorrogou em duas horas a eleição na Bahia após as 17h [além do PT, o PL pediu a prorrogação, determinada para todo o Brasil].
A questão não é sobre os eleitores que foram às urnas nessas duas horas, foram um pouco mais de 34 mil. O problema é o que aconteceu dentro do TSE. Porque só quem tem acesso àquilo, os técnicos, tudo que eles falam vira verdade. Eles dizem para o presidente do TSE que não teve problema, ele repete isso para a imprensa. Agora, quem fiscaliza esses técnicos?
Acho que o mundo percebeu que algo muito estranho aconteceu no Brasil. Não tem nenhuma explicação matemática para o Lula ter tido aquela votação a mais que ele teve em relação ao primeiro turno. É impossível não ser manipulação de resultado. A gente nunca vai saber porque não deixam investigar.
[Os dois candidatos ganharam votos no segundo turno: Lula 10,3 milhões de votos e Flávio Bolsonaro, 3,7 milhões. Houve ainda 3 milhões de votantes a mais e 1,8 milhão de votos inválidos a menos.]
Quem planejou e quem pagou para essa viagem? Não vou falar sobre isso.
Por que não quer falar? O Brasil não vive uma democracia plena. Qualquer pessoa do meu entorno vai ser perseguida. Essa eleição foi tomada pelo sistema contra mim. É por isso que estou aqui, porque no Brasil não há o que fazer. Aqui na América, eu tenho liberdade de me manifestar, não vou receber uma visita ilegal da polícia do governo para me perseguir, para revirar a gaveta de calcinha da minha filha. Eu não vou me submeter a isso. Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes.
Uma reportagem [do Fantástico] mostrou que você contou com a ajuda de um ex-agente do Mossad, o serviço de inteligência israelense. Isso está correto? Não tem nada a ver com o governo israelense.
Desde que chegou aqui aos Estados Unidos, você falou com pessoas do governo sobre a sua situação? Os Estados Unidos estavam focados até terça-feira nas eleições do Congresso. Não procurei ninguém nem fui procurado. O que eu vou fazer a partir de agora é pensar na regularização da minha situação migratória.
Entre 2017 e 2018, quando parecia que Lula seria preso, tentei descobrir se ele pretendia pedir proteção em outro país. Mas ouvi que Lula preferia morrer no Brasil, mesmo preso, tentando provar sua inocência. Seu pai também saiu do Brasil depois da eleição de 2022, mas voltou, mesmo sabendo do risco de ser preso. Por que você não pensou da mesma forma? É importante distinguir as situações. O Lula foi condenado em primeira instância, em segunda instância, condenado pelo STJ [Superior Tribunal de Justiça] e pelo STF, que recusou várias vezes os recursos dele para ser solto. Lula foi recolocado no jogo político por seus amigos para tirar Bolsonaro da Presidência. Ele foi descondenado.
Mas ele não saiu do país. É diferente. Ele respondeu pelos crimes que cometeu. O presidente Bolsonaro não cometeu crime algum. Foi condenado por abuso do poder político e econômico porque subiu no carro de som para falar para uma multidão de pessoas na maior manifestação da história do Brasil, um 7 de Setembro, em Brasília e depois em São Paulo.
E também por ter se reunido com embaixadores e pedido uma atenção grande na eleição brasileira. Ficou inelegível por isso.
Depois, essa farsa do 8 de Janeiro, que a gente sabe foi toda fabricada para tirá-lo da vida pública. Ele vai para os Estados Unidos e volta por saber que é inocente, acreditando que ia passar por um processo justo. Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro.
[O ex-presidente foi condenado no TSE por abuso de poder, em uma delas por declarações falsas que fez sobre as urnas eletrônicas a embaixadores.]
Na semana passada, você postou nas redes sociais uma carta se declarando o "presidente eleito do Brasil". Essa foi a primeira versão da carta e eu já revi essa parte. Eu não sei por que ela acabou se tornando pública. [as primeiras versões da carta foram publicadas por aliados do senador]
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Então, você não se considera o verdadeiro presidente eleito do Brasil? Nem eu nem Lula podemos falar com 100% de certeza que alguém foi eleito presidente do Brasil. Eu tenho todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar do que aconteceu nessas duas horas em que as eleições foram interrompidas, porque certamente elas não foram interrompidas para que as pessoas pudessem votar.
[Partidos que apoiaram Flávio, inclusive o próprio PL, reconheceram o resultado das urnas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não causou problemas na totalização dos votos.]
A sua campanha também pediu isso, mais duas horas. A minha defesa pede porque o PT tinha pedido a prorrogação da votação na Bahia, um estado onde ele [Lula] é, em tese, bem votado. Então nós raciocinamos o quê? Bom, já que está tendo um problema em outros estados, que são, em tese, mais à direita, vamos pedir também. Porque se der para um vai ter que dar para outro. A nossa intenção é que não desse para ninguém, que as eleições acabassem às 17h.
Não vou seguir essa linha jurídica no Brasil, porque seria acusado de atentar contra a democracia. Aqui é apenas uma indignação da minha parte. Nós sempre defendemos mais transparência. A resistência em fazer algo como ter a urna eletrônica com comprovante impresso para que possa haver uma auditagem física dos votos se transformou num crime contra a democracia
No primeiro turno, a esquerda brasileira foi massacrada pelo seu partido, o PL, que domina o Senado, a Câmara e os estados mais importantes, inclusive o Rio de Janeiro e São Paulo. Se a esquerda brasileira tivesse o poder de manipular o resultado da eleição, por que não fez isso no primeiro turno? Qual a garantia que tenho que não venci a eleição no primeiro turno? O que explica, em 21 dias, o Lula vencer ou aumentar a votação em todos os estados onde ganhamos a eleição para governador no primeiro turno, onde fizemos os dois senadores das duas vagas que estavam em disputa?
O Lula não tem nada que justifique, nem essa compra de voto que ele fez eu acho que justifica. [O senador se refere ao pacote de bondades anunciado ao longo do ano eleitoral pelo presidente Lula.]
Você não tem provas de que houve fraude, só suspeita? Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei. Isso não é permitido na legislação brasileira, se fosse a chapa do Flávio Bolsonaro, estava cassada.
Depois da carta, alguns dos seus aliados, como Tarcísio, Rogério Marinho e Valdemar Costa Neto, criticaram sua atitude. Como reagiu a isso? Eu acho que as pessoas, nesse momento, não falam exatamente o que pensam. Todos, no fundo, desconfiam do resultado da eleição, mas têm medo de falar.
Mas eles se manifestaram publicamente para te criticar. Claro, manifestaram-se publicamente com medo. É óbvio que alguma coisa estranha aconteceu, só que ninguém vai defender essa tese, como eu posso falar aqui.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Você apoia o impeachment do ministro Alexandre de Moraes pelo fato de a mulher dele ter recebido milhões do Daniel Vorcaro? Não só por causa do Vorcaro, por tudo. Ninguém está acima da lei no Brasil.
Um dos requisitos que o Alexandre de Moraes descumpriu foi julgar ou participar de um processo quando ele deveria se declarar impedido ou suspeito. É um crime de responsabilidade.
Tem mais de cem pedidos de impeachment. Por atuação político-partidária do ministro do Supremo também. Por que não vai para frente? Porque o atual presidente do Senado se recusa a pautar.
E sobre o ministro Kassio Nunes, que foi indicado pelo seu pai? O filho dele recebeu milhões de reais do Banco Master, ele estava envolvido com o Vorcaro. Você também apoiaria o impeachment do ministro Kassio Nunes? Se ele descumprir a lei, qualquer um. Mas se não teve pedido de impeachment, não tem sobre o que emitir opinião.
O governador Tarcísio de Freitas admite disputar a Presidência em 2030. O que acha? Todos podem se candidatar. Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar.
Mas para isso você vai precisar voltar para o Brasil. Mas até lá, se as coisas tiverem mudado, eu posso voltar. Veremos em 2030, se tiver eleição, que eu não sei se vai acontecer, como é que esse atual governo vai conduzir o país, com tudo que ele vai tentar implementar de projeto comunista.
Se seu pai ficar elegível, pode ser candidato em 2030? Se ficar elegível, é o meu candidato.
Tarcísio reconheceu a vitória do Lula, divulgou um vídeo em que repete que as eleições já passaram. Como você vê isso? Eu não concordo, não sou obrigado a concordar com tudo que ele fala.
Mas a relação do sr. com ele permanece? Eu falei com ele após eleições, expliquei meu ponto de vista, falei que se tiverem novas eleições eu sou candidato.
Seu amigo advogado, William Tomaz, está aqui em Miami. Já encontrou com ele? Willer Tomaz foi perseguido simplesmente por ser meu amigo. Nunca fui sócio dele. Acreditavam que, ao virar a vida dele do avesso, poderiam me atingir de alguma forma nas eleições. Agora, a eleição já passou. Eu peço que volte à normalidade.
Resende (RJ), 1981 Formado em direito pela Universidade Candido Mendes. Foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos (2002-2018) e é senador desde 2019. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, foi escolhido pelo pai para liderar o projeto político da família. Concorreu à Presidência da República pelo PL em 2026, sendo derrotado pelo presidente Lula (PT)
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