Entenda: Flamengo usa precedentes da Conmebol para tentar reverter eliminação na Libertadores; entenda
Eliminado pelo Estudiantes nos pênaltis, na semifinal, o clube entrou com uma ação na Conmebol questionando a utilização do zagueiro Marcos Rojo no jogo de volt

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Consulte formatos e valores disponíveisFlamengo recorre a casos de Santos e Chapecoense em tentativa ir à final da Libertadores RIO DE JANEIRO – O Flamengo busca nos tribunais uma última possibilidade de continuar na disputa da Copa Libertadores. Eliminado pelo Estudiantes nos pênaltis, na semifinal, o clube entrou com uma ação na Conmebol questionando a utilização do zagueiro Marcos Rojo no jogo de volta, realizado no Maracanã.
Para sustentar o pedido, o Rubro-Negro se apoia em precedentes da própria Conmebol envolvendo escalações consideradas irregulares. Entre os casos citados estão punições aplicadas a Chapecoense, Santos e Barcelona de Guayaquil em competições continentais.
A diretoria do Flamengo entende que a autorização concedida pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) ao Estudiantes não seria suficiente para afastar a responsabilidade do clube argentino perante o regulamento da Conmebol.
Um dos precedentes ocorreu em 2017, na Libertadores, envolvendo Chapecoense e Lanús.
Pouco antes da partida entre as equipes, a Conmebol comunicou que o zagueiro Luiz Otávio não poderia atuar por estar suspenso após uma expulsão contra o Nacional, do Uruguai. A Chapecoense alegou que não havia sido informada oficialmente sobre a punição e manteve o jogador em campo.
Luiz Otávio marcou o gol da vitória brasileira por 2 a 1. Posteriormente, porém, a Conmebol puniu a Chapecoense com a perda dos pontos e atribuiu ao Lanús uma vitória por 3 a 0.
A decisão acabou tendo impacto direto na campanha do clube brasileiro, que foi eliminado da competição.
Outro caso aconteceu na Copa Sul-Americana de 2018. O San Lorenzo denunciou à Conmebol a escalação de Jonathan Requena pelo Deportes Temuco, do Chile.
Segundo a reclamação, o jogador ainda estava vinculado à lista de atletas do Defensa y Justicia na mesma competição. O regulamento da Conmebol não permitia que um jogador fosse inscrito por dois clubes no mesmo torneio.
A entidade acolheu o pedido do San Lorenzo e alterou o resultado da partida de ida, atribuindo ao clube argentino uma vitória por 3 a 0.
O Temuco chegou a recorrer da decisão, mas a punição foi mantida. Na partida de volta, os chilenos venceram por 1 a 0, resultado insuficiente para avançar.
O precedente considerado mais próximo pelo Flamengo aconteceu na Libertadores de 2018, envolvendo Santos e Independiente.
O time brasileiro havia empatado por 0 a 0 na Argentina, mas o clube argentino entrou com uma reclamação alegando que o uruguaio Carlos Sánchez havia sido escalado de maneira irregular.
Sánchez carregava uma suspensão aplicada em 2015, quando defendia o River Plate. A punição deveria ser cumprida em uma competição da Conmebol, mas o jogador não havia disputado torneios continentais desde então.
Após analisar o caso, a entidade puniu o Santos com a perda do ponto conquistado na partida. O empate foi transformado em vitória do Independiente por 3 a 0.
No jogo de volta, no Pacaembu, o Santos voltou a empatar sem gols e acabou eliminado da Libertadores.
Em 2019, outro caso envolvendo escalação irregular modificou o resultado de uma partida da Libertadores.
O Defensor Sporting denunciou o Barcelona de Guayaquil pela utilização de Sebastián Pérez no jogo de ida da segunda fase. O colombiano havia sido inscrito sem que seu Certificado Internacional de Transferência (CTI) tivesse sido recebido dentro do prazo determinado pela competição.
A Conmebol acolheu a reclamação e alterou o resultado da partida. O Barcelona havia perdido por 2 a 1, mas passou a ser considerado derrotado por 3 a 0.
No confronto de volta, o clube equatoriano venceu por 1 a 0, mas não conseguiu reverter a desvantagem e acabou eliminado.
O caso envolvendo o Estudiantes tem como ponto central a situação de Marcos Rojo.
O zagueiro havia sido contratado pelo clube argentino junto ao Racing, que não queria liberá-lo para um rival. O Estudiantes pagou US$ 500 mil pela transferência e ainda estabeleceu valores adicionais em caso de classificação para a final e conquista do título.
Rojo foi inscrito no Campeonato Argentino no lugar do lesionado Gabriel Neves. No entanto, a Conmebol rejeitou inicialmente sua inscrição para a Libertadores por entender que o período de recuperação do jogador lesionado não atendia aos critérios para abertura de uma nova vaga.
O Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte e conseguiu autorização para utilizar o defensor no duelo contra o Flamengo no Maracanã. Rojo começou como titular e permaneceu em campo até os 30 minutos do segundo tempo.
O Flamengo havia sido incluído no processo e comunicado que, caso o jogador fosse escalado, questionaria a utilização dele posteriormente.
O Flamengo acabou eliminado nos pênaltis depois de dois empates sem gols com o Estudiantes. Agora, o clube tenta transformar a eliminação em uma classificação por meio da ação apresentada à Conmebol.
A defesa do Rubro-Negro argumenta que a autorização da CAS não afastaria a responsabilidade do Estudiantes diante das regras da entidade que organiza a Libertadores.
O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol prevê que, em casos de escalação indevida, a equipe considerada responsável pode ser declarada perdedora por 3 a 0.
O Flamengo espera que os precedentes sejam considerados no julgamento e que a Conmebol reconheça uma eventual irregularidade na utilização de Rojo. Caso o pedido seja aceito, o resultado da partida no Maracanã poderá ser alterado e o clube brasileiro voltaria a disputar uma vaga na final da Libertadores.
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