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Entenda: Fintech que movimentou R$ 1 bilhão omitiu atividades suspeitas das bets

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 6 de novembro de 2026 às 02:44
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Entenda: Fintech que movimentou R$ 1 bilhão omitiu atividades suspeitas das bets
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Arte/Metrópoles A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto, investigada por movimentar cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de apostas ilegais, teria deixado de comunicar às autoridades fiscalizadoras movimentações financeiras suspeitas realizadas por empresas ligadas às “bets do crime”. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal ( PCDF ), apesar do grande volume, a instituição teria feito apenas uma comunicação de operação suspeita, no final de outubro.

Segundo a corporação, a fintech, sediada na região da Faria Lima, em São Paulo, teria sido utilizada como estrutura para receber, movimentar e ocultar recursos vindo das apostas clandestinas. Mesmo sendo autorizada pelo Banco Central (BC) para funcionar, a empresa teria descumprido obrigações legais de monitoramento e comunicação de atividades consideradas suspeitas.

De acordo com a delegada Agatha Natacha Santos, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a empresa passou a ser investigada após os policiais identificarem que grande parte dos recursos movimentados pela instituição tinham origem em plataformas de apostas ilegais.

No centro da investigação, não quando apenas recebia dinheiro de seus clientes, mas na parte que a grande maioria de seus clientes eram essas bets ilegais, era de onde vinha a maior parte do capital que girava na empresa”, explicou.

A delegada destacou ainda que movimentações dessa magnitude deveriam ter despertado a atenção dos mecanismos internos de controle da instituição.

“São várias situações que aconteceram no decorrer de um pequeno espaço de tempo e que gerariam no setor de compliance da empresa [regra da instituição], algum tipo de advertência”, pontuou Agatha.

A falta de alertas chamou a atenção dos investigadores principalmente quando eram analisadas movimentações milionárias em pequenos períodos.

A A55 já se envolveu em outro episódio relacionado a apostas. A fintech cancelou sob a alegação de irregularidades, uma conta utilizada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), para enviar recursos à plataforma de apostas Blaze. A medida ocorreu depois que a instituição identificou movimentações financeiras atípicas que poderiam indicar lavagem de dinheiro.

A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais

As investigações revelaram que os apostadores realizavam pagamentos por meio QR Code vinculados ao Pix. Em diversas plataformas investigadas, os policiais identificaram o mesmo CNPJ como responsável pelo processamento das transações.

Ao aprofundar as investigações, a PCDF descobriu que aproximadamente R$ 739 milhões movimentados pelas bets investigadas foram destinados à estrutura financeira da A55.

Além das operações realizadas pelas casas de apostas, a instituição e empresas do mesmo grupo movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão em transações. A polícia também informou que o Banco Central havia divulgado, em julho deste ano, a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech.

A Operação Azzardo, originada do idioma italiano gioco d’azzard, que significa “jogo de azar” em português, foi realizada na manhã dessa quinta-feira (5/11). Cerca de 200 policiais civis participaram do cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no DF e nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.

Segundo Paulo Francisco Soares Pereira, a investigação identificou uma estrutura que utilizava empresas de fachada e pessoas recrutadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras. “A gente teve conhecimento de que, em duas situações, no mesmo endereço havia 10 CNPJs, todos vinculados a essa exploração ilegal”, afirmou.

Diante dos indícios, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em patrimônio e valores dos investigados. A decisão também suspendeu os registros de 100 empresas e autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.

Os alvos da operação podem responder por uma série de crimes, com penas que somadas variam de 11 anos e 6 meses a 31 anos de reclusão, podendo chegar até 33 anos nos casos de falsidade ideológica.

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