Entenda: Doenças ampliam alerta sanitário e ameaçam produção e exportações
Enquanto Santa Catarina trabalha para conter os focos da doença de Newcastle, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém seis investigações de ocorrên

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Consulte formatos e valores disponíveisA avicultura brasileira enfrenta um novo período de atenção sanitária. Enquanto Santa Catarina trabalha para conter os focos da doença de Newcastle, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém seis investigações de ocorrências respiratórias e neurológicas em aves, cinco delas no estado catarinense. O avanço da vigilância ocorre em uma das principais regiões produtoras de carne de frango do País e reforça a preocupação com possíveis prejuízos à produção, aos contratos de exportação e à renda dos avicultores.
O painel de Investigações de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (SRN), atualizado nesta quinta-feira (29.10), registra quatro ocorrências em criações domésticas de galinhas no Oeste de Santa Catarina. Uma está localizada em Quilombo, outra em Coronel Freitas e duas em Nova Itaberaba. Os municípios ficam próximos das áreas onde foram identificados os focos de Newcastle a partir de 18 de outubro.
Há ainda uma investigação envolvendo pombos silvestres em Itajaí, no litoral catarinense, e outra em uma criação doméstica de galinhas em São José do Belmonte, Pernambuco. Em todos os seis casos, as amostras coletadas aguardavam resultados laboratoriais conclusivos na atualização de quinta-feira.
É importante distinguir investigação de confirmação. A SRN não é uma doença específica, mas uma classificação utilizada pelo serviço veterinário oficial para identificar aves com sinais que exigem apuração. Entre as enfermidades investigadas estão a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Portanto, os seis registros não representam seis novos focos confirmados.
A concentração das investigações no Oeste catarinense exige atenção especial pela importância econômica da região. A produção avícola local reúne propriedades integradas, cooperativas, frigoríficos e fornecedores de insumos. Uma eventual ampliação das restrições sanitárias poderia afetar o alojamento de aves, o funcionamento das indústrias e o transporte de animais e produtos.
O risco comercial também merece acompanhamento. Restrições impostas por países importadores em resposta à doença de Newcastle podem alcançar municípios, estados ou todo o território brasileiro, dependendo dos acordos sanitários estabelecidos com cada mercado. Mesmo quando os bloqueios ficam restritos a determinada região, frigoríficos precisam reorganizar embarques, contratos e destinos comerciais.
Além da vigilância sobre Newcastle e influenza aviária, outra enfermidade preocupa a avicultura nacional: a bronquite infecciosa aviária. Embora provoque sintomas respiratórios que podem se confundir com os de outras doenças, ela é causada por um vírus diferente e exige diagnóstico laboratorial específico. Não há, nas informações divulgadas sobre as seis investigações, confirmação de que alguma delas esteja relacionada à bronquite infecciosa.
Causada por um coronavírus que infecta galinhas, a bronquite infecciosa se espalha rapidamente entre as aves e compromete tanto a produção de carne quanto a de ovos. A transmissão ocorre pelo contato com animais infectados e por materiais contaminados, como equipamentos, roupas e utensílios utilizados nas granjas.
O problema vai além dos sintomas respiratórios. Dependendo da variante do vírus, a infecção também pode atingir os rins e o sistema reprodutivo das aves. Em frangos de corte, a redução do consumo de ração e do ganho de peso prejudica o desempenho dos lotes. Nas poedeiras, a doença pode provocar queda acentuada na produção e alterações na qualidade dos ovos.
Referências técnicas do setor apontam que, em situações graves, a redução na postura pode chegar a 70%. A recuperação dos indicadores produtivos pode levar várias semanas, especialmente quando há comprometimento do aparelho reprodutivo. Esses percentuais representam situações específicas e não devem ser interpretados como perdas esperadas em todas as granjas atingidas.
Para o produtor, os prejuízos incluem despesas com atendimento veterinário, maior necessidade de manejo, pior conversão alimentar e redução da quantidade de animais ou ovos comercializados. A presença de infecções secundárias também pode agravar o quadro e elevar a mortalidade.
A bronquite infecciosa, entretanto, tem consequências sanitárias e comerciais diferentes das doenças que motivam as investigações oficiais de SRN. Newcastle e influenza aviária de alta patogenicidade estão sujeitas a medidas específicas de controle e podem provocar restrições internacionais imediatas. A bronquite infecciosa exige atenção permanente das granjas, mas sua ocorrência não implica automaticamente os mesmos embargos comerciais.
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O controle da bronquite infecciosa envolve vacinação, acompanhamento veterinário e medidas de biosseguridade. Os programas de imunização precisam considerar as características das aves, as variantes virais presentes na região e as condições de produção. A vacinação, isoladamente, não substitui o controle de acesso às instalações, a higienização de equipamentos e o monitoramento dos lotes.
No caso das investigações conduzidas pelo Mapa, a prioridade é identificar rapidamente a causa das alterações respiratórias e neurológicas observadas. A comunicação de suspeitas ao serviço veterinário oficial permite antecipar medidas de contenção quando necessárias e reduzir o risco de disseminação de enfermidades de maior impacto sanitário.
O momento exige atenção também dos fornecedores de milho e farelo de soja. A avicultura é uma das principais consumidoras desses produtos no mercado interno, e eventuais interrupções prolongadas na atividade industrial ou na criação de aves podem repercutir sobre a demanda regional por rações.
Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne de frango, preservar a condição sanitária dos plantéis é essencial para manter o acesso aos mercados internacionais. A competitividade do setor depende não apenas de produtividade e custos, mas também da capacidade de detectar, controlar e comunicar ocorrências sanitárias com rapidez.
As seis investigações em andamento ainda dependem de laudos conclusivos. Até que os resultados sejam divulgados, não é possível afirmar que representam novos focos de Newcastle, influenza aviária ou bronquite infecciosa. O que os registros demonstram é a necessidade de manter a vigilância em uma cadeia produtiva na qual um problema sanitário localizado pode produzir consequências econômicas muito além da propriedade afetada.
As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro alcançaram receita líquida conjunta de R$ 2,1 trilhões em 2025, crescimento de 13,45% em relação ao levantamento anterior. Desse total, R$ 1,24 trilhão ficou concentrado nas dez maiores companhias, responsáveis por aproximadamente 59% do faturamento do grupo. Os números integram o ranking Agro100, divulgado pela revista Forbes Brasil, e mostram a dimensão econômica das empresas que atuam no processamento, na comercialização e na exportação da produção agropecuária nacional.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo comércio de produtos agrícolas e pela indústria de proteína animal. Entre os sete segmentos acompanhados pelo levantamento, seis registraram crescimento de receita superior à inflação de 2025. A expansão reflete o peso das cadeias de grãos, carnes, alimentos e energia na atividade econômica brasileira, embora o aumento do faturamento não signifique, necessariamente, crescimento equivalente dos lucros.
A liderança permanece com a JBS, que registrou receita líquida de R$ 480,58 bilhões. O valor corresponde a quase 39% do faturamento das dez primeiras colocadas e coloca a companhia em posição bastante superior à das demais empresas do ranking.
Na segunda posição aparece a MBRF, com R$ 163,96 bilhões, seguida pela Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões. Juntas, as três primeiras colocadas somaram aproximadamente R$ 760 bilhões, evidenciando a concentração de receitas nas cadeias de carnes e comercialização de alimentos.
O comércio de produtos agrícolas apresentou o maior crescimento percentual entre os segmentos avaliados, com expansão de 23,51%. O grupo reúne empresas que compram, armazenam, processam e comercializam commodities, especialmente soja e milho, além de operar na exportação de produtos brasileiros.
Para o produtor rural, a atuação dessas companhias tem influência direta sobre o escoamento das safras. Tradings e cooperativas participam da formação dos canais de comercialização, do financiamento de operações e da logística que liga as propriedades aos mercados consumidores. O crescimento dessas empresas amplia a dimensão econômica da cadeia, mas também reforça a importância da concorrência e da transparência nas relações comerciais.
O segmento de proteína animal registrou aumento de 16,37% na receita, segundo maior avanço do levantamento. O desempenho acompanha a importância da indústria frigorífica brasileira, que transforma a produção pecuária em alimentos destinados ao mercado interno e às exportações.
Além da JBS e da MBRF, a Minerva integra o grupo das dez maiores empresas, com faturamento de R$ 54,83 bilhões. As três companhias de proteína animal presentes na lista somaram aproximadamente R$ 699 bilhões, o equivalente a mais da metade da receita das dez líderes.
A concentração de receitas na indústria de carnes demonstra o tamanho da estrutura necessária para abate, processamento, distribuição e exportação. Também evidencia a dependência econômica entre frigoríficos e pecuaristas, uma relação em que os preços pagos pelos animais, os custos industriais e as condições de acesso aos mercados internacionais influenciam os resultados de toda a cadeia.
A agroenergia apresentou crescimento de 13,37%, impulsionada pelas atividades ligadas à produção de etanol e outros biocombustíveis. A Raízen Energia aparece na quinta posição do ranking, com receita de R$ 87,7 bilhões. O desempenho do segmento reforça a importância da transformação de matérias-primas agrícolas em energia, atividade que amplia a demanda por produtos como cana-de-açúcar e milho.
As empresas de alimentos e bebidas registraram expansão de 7,2%. Nesse grupo estão Cargill Alimentos, Ambev e Bunge Alimentos, que ocupam, respectivamente, a terceira, quarta e sexta posições. O segmento reúne operações de processamento e industrialização que agregam valor à produção agropecuária antes de sua chegada ao consumidor.
A celulose apresentou o desempenho mais fraco entre os sete setores acompanhados. A redução das cotações internacionais da matéria-prima pressionou as receitas das companhias, em um mercado sujeito às oscilações da demanda global e dos preços industriais. Mesmo nesse ambiente, a Suzano permaneceu entre as dez maiores empresas do agronegócio, com receita de R$ 50,12 bilhões.
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Fonte: Ranking Agro100, Forbes Brasil. Receitas líquidas referentes a 2025.
A presença de companhias de diferentes segmentos entre as líderes demonstra que o peso econômico do agronegócio vai muito além da produção dentro das propriedades. A atividade movimenta indústrias, sistemas de armazenagem, transporte, comércio exterior, processamento de alimentos e produção de energia.
O crescimento das receitas, entretanto, não permite concluir que todos os participantes dessas cadeias tenham registrado melhora equivalente de rentabilidade. O produtor rural continua sujeito às oscilações dos preços das commodities, aos custos dos insumos, às condições climáticas e às despesas financeiras, fatores que podem reduzir suas margens mesmo quando o faturamento das grandes empresas aumenta.
O levantamento também evidencia a importância de investimentos em infraestrutura e capacidade industrial. Com a produção brasileira de grãos projetada em aproximadamente 367 milhões de toneladas na safra 2026/27, a expansão da atividade agropecuária exigirá estruturas capazes de armazenar, transportar e transformar volumes cada vez maiores.
Os R$ 2,1 trilhões registrados pelas cem maiores empresas representam, portanto, a dimensão de uma cadeia econômica que se estende da propriedade rural ao mercado internacional. O desafio para os próximos anos será fazer com que o crescimento dessa estrutura também se traduza em maior eficiência, competitividade e oportunidades de renda para quem produz.
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