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Entenda: Demitir alguém porque votou diferente não é firmeza. É má gestão

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 16:30
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Entenda: Demitir alguém porque votou diferente não é firmeza. É má gestão
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Circulou com força, nos últimos dias, a ideia de boicotar empresas e demitir funcionários por causa do voto. Entendo a frustração. Discordo da execução — e discordo por três motivos: de gestão, de risco e de país.

1. Custo. Demitir por critério ideológico é a forma mais cara de destruir capital humano. Repor uma posição custa entre 0,5 e 2 salários anuais, sem contar conhecimento tácito perdido, curva de aprendizagem, quebra de time e queda de produtividade marginal nos meses seguintes. Nenhum CFO aprova esse orçamento. Só que ele costuma vir diluído em discurso.

2. Métrica. Nenhuma empresa séria avalia pessoas pela urna. Avalia entrega. No dia em que lealdade política vira KPI, a meritocracia morre e o RH vira comissariado. Empresa com lista de inimigos internos não tem cultura — tem tribunal.

3. Risco. O voto é secreto por construção constitucional justamente para impedir isso. Transformar preferência política em critério de desligamento expõe a companhia a passivo trabalhista e, pior, a um passivo reputacional que nenhum investimento em marca conserta.

Mas o argumento que mais me interessa é outro: quem aposta contra o país aposta contra o próprio caixa. Governo é ambiente de negócios. Juros, câmbio, carga tributária, regulação, crédito e confiança do investidor passam por Brasília — independentemente de quem o executivo escolheu no domingo. Torcer para o governo atual fracassar é torcer por inflação, fuga de capital e desemprego. Isso não é convicção política. É má gestão de risco. Isso não é passar pano. Cobrar resultado, fiscalizar e apontar erro com dado é obrigação de qualquer empresário e de qualquer cidadão.

Existe uma distância enorme entre exigir competência e desejar o fracasso. A primeira é cidadania. A segunda é prejuízo com bandeira. Temos um país para fazer funcionar — e ele não funciona com metade da população de ressaca eleitoral.

Que o próximo governo dê certo. O meu resultado depende disso. E na sua empresa: já viu decisão de pessoas sendo tomada por critério ideológico? Qual foi o custo real?

* César Nunes é formado em Turismo pela UEMG, com especializações em Gestão Hoteleira, Vendas, MBA Executivo Empresarial e Desenvolvimento de Conselheiros pela Fundação Dom Cabral. Com mais de 28 anos de experiência em cargos de liderança, atuou em grandes redes e empresas do setor, como Marriott, Atlantica Hotels, Pestana Hotels & Resorts e Atrio Hotéis. Foi vice-presidente executivo do Grupo R1 e ocupou cargos de liderança na Resorts Brasil e no FOHB. Atualmente, é sócio e vice-presidente da Hotelaria Brasil e membro da FDC Angel.

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