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Entenda: COP17 termina com acordo, mas mundo segue fora da rota para reverter perda de biodiversidade

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 23:00
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Entenda: COP17 termina com acordo, mas mundo segue fora da rota para reverter perda de biodiversidade
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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COP17 termina com acordo, mas mundo segue fora da rota para reverter perda de biodiversidade Conferência na Armênia aprova o “Caminho de Yerevan” para acelerar o cumprimento das metas globais até 2030, enquanto financiamento segue como principal entrave A COP17, realizada em Yerevan, na Armênia, teve seu encerramento adiado em um dia devido a impasses nas negociações (AFP)

Última atualização em 31 de outubro de 2026 às 19h43.

Priorizar nos meus resultados Google “Não podemos proteger a natureza enquanto continuamos a financiar sua destruição.” A declaração de Astrid Schomaker, secretária-executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU, resume um dos principais impasses da COP17, encerrada neste sábado, 31, em Yerevan, na Armênia.

Após duas semanas de negociações intensas, representantes de 182 países chegaram a um acordo para acelerar a implementação das metas globais de biodiversidade até 2030 e quase 50 decisões aprovadas, incluindo regras de participação de povos originários.

O entendimento, batizado de “Caminho de Yerevan”, foi aprovado após uma madrugada de impasses que adiaram o prazo inicialmente previsto para o fechamento da conferência.

O avanço diplomático, no entanto, não alterou o diagnóstico: o mundo continua fora da rota para deter e reverter a perda de biodiversidade até o fim da década.

A primeira grande revisão coletiva do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado em 2022, revelou que os esforços adotados até agora são insuficientes para cumprir os 23 compromissos internacionais.

Entre eles estão a proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas, a restauração de 30% dos ecossistemas degradados e a redução de incentivos econômicos que contribuem para a destruição de ecossistemas naturais.

Segundo a ONU, embora quase 90% das 196 partes da convenção tenham estabelecido metas nacionais de biodiversidade, menos da metade delas estão no caminho necessário para serem cumpridas.

Além do desafio ambiental e climático, a falta de financiamento, especialmente para países em desenvolvimento, continua sendo um dos principais entraves para acelerar as políticas de conservação.

O Marco Global de Biodiversidade prevê a mobilização de pelo menos US$ 200 bilhões por ano até 2030, provenientes de fontes públicas e privadas, sendo US$ 30 bilhões anuais destinados para países em desenvolvimento.

Na COP17, a presidência armênia anunciou US$ 1,8 bilhão em compromissos financeiros mobilizados, provenientes de governos, investidores e organizações filantrópicas para iniciativas de conservação. Mas o valor representa recursos prometidos, não necessariamente já desembolsados.

Apesar do anúncio, um dos principais mecanismos continua praticamente vazio. Criado na COP16, na Colômbia, o Fundo de Cali busca receber contribuições de empresas que utilizam informações genéticas da natureza, como as dos setores farmacêutico e de cosméticos.

Embora tenha a ambição de arrecadar pelo menos US$ 1 bilhão por ano, chegou a apenas US$ 10 mil em promessas de contribuição, segundo o WWF.

“O que vimos foram mais surpresas positivas do que truques na COP17 ”, afirmou Daudi Sumba, diretor de conservação do WWF-Internacional, em nota.

Para o especialista, a revisão global envia um sinal de que os governos precisam ampliar suas ações. Mas o acordo ainda deixa dúvidas sobre como os recursos necessários chegarão aos países responsáveis por grande parte da biodiversidade do planeta.

“Sem uma ampliação financeira clara para viabilizar essas ações, temo que o financiamento continue sendo a principal questão a assombrar as cúpulas das Nações Unidas ”, destacou.

O alerta ganha relevância às vésperas da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que começa em 9 de novembro, em Antália, na Turquia.

Assim como nas negociações sobre biodiversidade, a mobilização de recursos para financiar a ação climática será um dos principais desafios e prioridades.

O principal resultado da COP17 foi a aprovação de um conjunto de diretrizes para acelerar a implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, considerado o principal acordo internacional para a preservação da natureza.

Na prática, o Caminho de Yerevan orienta os países a ampliar suas políticas de conservação, alinhar investimentos e orçamentos nacionais às metas de biodiversidade e fortalecer o monitoramento dos resultados.

Um dos principais pontos traz a necessidade de reformar ou redirecionar pelo menos US$ 500 bilhões por ano em subsídios prejudiciais à biodiversidade, compromisso que já fazia parte do marco global.

Esses incentivos incluem mecanismos de apoio econômico que podem favorecer atividades associadas à degradação ambiental. A proposta é reduzir progressivamente os estímulos que contribuem para a perda de biodiversidade e ampliar aqueles que favorecem sua conservação e seu uso sustentável.

O texto também destaca a necessidade de ampliar o financiamento internacional, fortalecer a cooperação científica e técnica com países em desenvolvimento e incorporar a agenda às decisões econômicas.

Para Schomaker, os próximos quatro anos serão decisivos para transformar os compromissos em resultados "Os recursos precisam chegar aos países e às comunidades que precisam deles”, reiterou.

O Brasil chegou à conferência com cinco prioridades: ampliar o financiamento internacional, fortalecer o uso sustentável da biodiversidade, garantir a repartição justa dos benefícios derivados de recursos genéticos, promover a conectividade ecológica e reconhecer o papel de povos indígenas e comunidades locais.

Duas dessas agendas tiveram encaminhamentos considerados relevantes pelo WWF-Brasil: a conectividade ecológica e o uso sustentável da biodiversidade.

Na primeira frente, o país defendeu a criação de um novo componente no Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas da Convenção, com o objetivo de integrar áreas conservadas e permitir a conexão entre diferentes ecossistemas.

A proposta busca facilitar o deslocamento de espécies, preservar o fluxo genético e fortalecer a resiliência ambiental diante das mudanças climáticas.

A criação não foi aprovada na COP17, mas o tema permaneceu nas negociações e poderá ser retomado nas próximas reuniões.

Outra prioridade brasileira foi ampliar o espaço do uso sustentável da biodiversidade nas decisões internacionais.

A proposta envolve atividades econômicas baseadas em recursos naturais que possam gerar renda e benefícios sociais sem comprometer a conservação dos ecossistemas. Entre os temas discutidos estão bioeconomia, economia circular e cadeias produtivas associadas à biodiversidade.

A conferência decidiu avançar com consultas a países, povos indígenas, comunidades locais e outros participantes para avaliar a possibilidade de um programa de trabalho específico.

“São agendas complementares e estratégicas para países megadiversos como o Brasil: precisamos conservar a natureza, mas também criar condições para que seu uso sustentável gere benefícios sociais, econômicos e ambientais", destacou Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil.

Na agenda financeira, o Brasil voltou a defender o princípio das responsabilidades diferenciadas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, além da ampliação dos recursos internacionais para conservação.

A delegação também apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo de financiamento voltado à conservação de florestas tropicais. Após o aporte mais recente da Holanda, a iniciativa já havia assegurado US$ 7,8 bilhões em compromissos, incluindo US$ 1 bilhão do Brasil.

O Brasil ainda defendeu o fortalecimento da governança do Fundo de Cali. Além dos debates financeiros, a COP17 avançou nas regras de funcionamento do órgão permanente da Convenção dedicado aos povos indígenas e comunidades locais.

Criado na COP16, o mecanismo está relacionado ao Artigo 8(j) da Convenção sobre Diversidade Biológica, que trata do respeito e da valorização dos conhecimentos, práticas e inovações tradicionais associados à conservação.

A decisão estabelece procedimentos de governança para ampliar a participação desses grupos nas discussões internacionais sobre biodiversidade.

Na agenda dos oceanos, os países reconheceram que os ecossistemas marinhos e costeiros vêm recebendo menos atenção do que os terrestres na implementação das metas globais.

A conferência também avançou na identificação de áreas marinhas ecologicamente ou biologicamente significativas e criou um grupo assessor dedicado à biodiversidade em regiões além das jurisdições nacionais.

Para Guido Broekhoven, diretor global de políticas multilaterais do WWF-Internacional, o tema vai além da preservação de espécies.

“A natureza fornece os alimentos que chegam às nossas cozinhas, a água limpa que sai de nossas torneiras, a polinização das plantações e os solos saudáveis que sustentam a segurança alimentar global ”, complementou.

A próxima conferência da ONU sobre biodiversidade, a COP18, será realizada em Quito, no Equador, em 2028. O país foi escolhido após vencer a disputa com o Panamá durante as negociações na Armênia.

Até lá, os governos terão mais dois anos para demonstrar avanços na implementação das metas globais e definir questões financeiras que continuam em aberto.

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