Entenda: Como a bolsa da Coreia passou de estrela em 2025 ao pior tombo global em 2026
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Consulte formatos e valores disponíveisComo a bolsa da Coreia passou de estrela em 2025 ao pior tombo global em 2026 Índice Kospi acumula perdas drásticas em meio à fuga de capital estrangeiro e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA Mercado sul-coreano enfrenta forte turbulência com a saída de investidores estrangeiros e a desvalorização das fabricantes de chips. (IA/ChatGPT/Exame)
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 09h35 .
Priorizar nos meus resultados Google A bolsa da Coreia do Sul, que chegou a ser uma das grandes estrelas dos mercados globais em 2026, enfrenta uma forte reviravolta. Depois de disparar com o entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) , o índice Kospi perdeu cerca de 40% desde o pico registrado em junho.
Ele foi pressionado pela queda das ações de tecnologia, pela saída de investidores estrangeiros e pelas dúvidas sobre o retorno dos bilhões de dólares destinados ao desenvolvimento da IA. Uma mudança de humor evidente, especialmente, nesta sexta-feira, 23.
O Kospi chegou a despencar 4,1% durante o pregão, acompanhando uma onda de vendas em Wall Street, mas conseguiu reverter as perdas e encerrou o dia com alta de 0,3%. A recuperação, impulsionada principalmente pelas fabricantes de semicondutores, não foi suficiente para apagar a queda de 18% acumulada em outubro.
Apesar do tombo recente, a bolsa sul-coreana ainda registrava valorização superior a 31% no acumulado de 2026.
O Kospi passou de um dos mercados mais aquecidos do mundo para o mais barato entre as principais bolsas globais. O índice chegou a negociar a cerca de quatro vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes, patamar que não era observado desde 2006 entre os 18 mercados que começaram o ano avaliados em mais de US$ 1 trilhão .
Empresas como Samsung Electronics e SK Hynix ocupam posições de destaque no mercado acionário do país e estão diretamente ligadas à expansão da IA, que exige chips de memória cada vez mais avançados e investimentos bilionários em centros de processamento de dados.
Durante a fase de euforia, as expectativas de crescimento desse setor ajudaram a sustentar a valorização das ações. O cenário começou a mudar quando surgiram dúvidas sobre a capacidade das grandes empresas de tecnologia de transformar os investimentos em IA em lucros suficientes para justificar os preços elevados de seus papéis.
A preocupação ganhou força após a divulgação de balanços de companhias americanas como Tesla, Meta e Western Digital. Embora algumas tenham apresentado resultados acima das expectativas, os números também levantaram questionamentos sobre o ritmo dos gastos com tecnologia.
A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, esteve entre as empresas atingidas pela onda de vendas. O movimento contribuiu para que o Nasdaq registrasse seu pior pregão desde junho, ampliando a pressão sobre os mercados asiáticos.
"Resultados fortes já não são suficientes quando as perspectivas não correspondem a avaliações que já são exigentes", segundo o analista de mercados da Forex.com, ouvido pela AFP , Fawad Razaqzada. "Os investidores estão se tornando muito menos tolerantes", disse.
Na Coreia do Sul, a preocupação com os gastos em IA veio acompanhada de receios sobre o aumento dos custos de financiamento . Juros mais elevados tornam os investimentos de longo prazo mais caros e podem reduzir o valor atribuído às empresas.
A trajetória recente da SK Hynix ajuda a explicar a dimensão da mudança no mercado sul-coreano. Uma das principais fabricantes mundiais de chips de memória, a companhia acumulava queda de 34% em suas ações no período de um mês.
Na sexta-feira, os papéis chegaram a recuar 4,3% nas primeiras negociações, mas terminaram o pregão com valorização de 4,4%.
A recuperação ocorreu depois que a empresa desistiu de realizar uma possível oferta pública inicial de ações de sua subsidiária Solidigm nos Estados Unidos, operação que poderia movimentar US$ 10 bilhões.
A fabricante justificou a decisão pelas condições recentes do mercado de capitais. O plano enfrentava resistência de reguladores e acionistas, e seu cancelamento ajudou a aliviar a pressão sobre os papéis da companhia.
Para Roy Lim, operador de ações da Samsung Securities ouvido pela Bloomberg , a recuperação foi "principalmente técnica", impulsionada pelas compras de investidores institucionais após a retirada dos planos de listagem da Solidigm.
Segundo o executivo, a redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano também ajudou a diminuir a pressão sobre as avaliações das empresas de tecnologia. "As preocupações com os gastos em IA permanecem, mas os preços mais baixos das ações estão se tornando cada vez mais difíceis de ignorar", pontuou.
A queda do Kospi também foi acompanhada por uma saída expressiva de capital estrangeiro. Antes mesmo do pregão de sexta-feira, investidores internacionais já haviam vendido, em termos líquidos, cerca de US$ 13 bilhões em ações do índice durante outubro, principalmente de empresas de tecnologia.
Outro sinal de enfraquecimento do mercado veio dos recursos disponíveis nas corretoras sul-coreanas. Dados da Korea Financial Investment Association mostraram que os depósitos de investidores caíram abaixo de 90 trilhões de won, equivalentes a US$ 67,9 bilhões , pela primeira vez desde janeiro.
A turbulência não ficou restrita à Coreia do Sul. O movimento de vendas em empresas ligadas à inteligência artificial atingiu outros mercados da Ásia, especialmente Japão e China, enquanto a alta do petróleo acrescentou uma nova fonte de preocupação.
Hoje, o índice japonês Nikkei 225 encerrou o pregão com queda próxima de 0,3%, enquanto o Topix recuou cerca de 0,9%. Além da pressão sobre as ações de tecnologia, os investidores reagiram aos dados de inflação de setembro, que reforçaram a possibilidade de novos aumentos de juros pelo Banco do Japão.
Na China, o cenário também se deteriorou. O CSI 300, que reúne algumas das principais empresas negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, entrou em " bear market ", na quinta-feira, 22, expressão usada quando um índice acumula queda de pelo menos 20% em relação ao seu pico recente.
O índice conseguiu recuperar parte das perdas na sexta-feira, com avanço de 1,8%, enquanto o Shanghai Composite subiu 0,9%. Ainda assim, as bolsas da China continental caminhavam para a 11ª semana consecutiva de desvalorização.
A pressão sobre o mercado chinês também refletiu a valorização do yuan, que atingiu o maior nível em quatro anos no início de outubro, e indicadores econômicos que alimentaram preocupações sobre a desaceleração da segunda maior economia do mundo.
Ao mesmo tempo, o petróleo Brent se aproximou de US$ 115 por barril, alcançando o maior nível em cinco meses em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio.
Danni Hewson, chefe de análise financeira da AJ Bell, afirmou à AFP que os mercados globais enfrentavam preocupações tanto com a disparada dos preços do petróleo quanto com a sustentabilidade dos gastos em inteligência artificial.
"As tensões crescentes na Ucrânia e a perspectiva de maior demanda por energia com a chegada do inverno ao Hemisfério Norte apenas aumentam a pressão de alta sobre os preços do petróleo e do gás", declarou.
Depois de uma queda tão acentuada, a principal dúvida é se as ações sul-coreanas já ficaram baratas o suficiente para atrair uma recuperação mais consistente ou se ainda há espaço para novas perdas.
O próximo teste será a divulgação de novos balanços corporativos, que poderá oferecer sinais mais claros sobre a demanda por semicondutores e a capacidade das empresas de tecnologia de manter seus planos de expansão.
"A reversão de hoje é um sinal encorajador de interesse comprador, embora uma recuperação sustentada dependa de sinais tranquilizadores nos próximos resultados", segundo o Jung In Yun, da Fibonacci Asset Management Global, à Bloomberg .
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