Entenda: BTG lista 26 ações que ficaram baratas depois do tombo pós-eleição
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Consulte formatos e valores disponíveisBTG lista 26 ações que ficaram baratas depois do tombo pós-eleição Após tombo de 20% do Ibovespa em dólar, banco encontra oportunidades, mas alerta para novas quedas Bolsa: Petrobras, Cyrela e Localiza estão entre as ações selecionadas pelo BTG Pactual.
Priorizar nos meus resultados Google O tombo da bolsa brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou um rastro de ações negociadas a preços que o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) considera difíceis de ignorar.
O banco vê que algumas empresas perderam mais de 60% de seu valor de mercado em poucos dias, enquanto outras passaram a valer apenas três ou quatro vezes o lucro esperado para 2027.
Em meio à turbulência, o BTG identificou 26 ações que considera atrativas, de gigantes como Petrobras a empresas menores, como C&A, Tenda e Banco Pine. Mas a instituição financeira também acredita que a bolsa pode cair mais 10% em dólar caso o governo não apresente medidas capazes de aliviar a parte fiscal.
Depois de o Ibovespa despencar 20,1% em dólar na segunda-feira, 26, em reação ao resultado da eleição presidencial. A queda foi acompanhada por uma disparada dos juros de longo prazo, que chegaram a 15,1%, em um movimento de aversão ao risco provocado pelas preocupações com as contas públicas.
"Uma queda de 20% em dólar em um único dia é muita coisa, talvez até demais", escrevem em relatório divulgado nesta quarta-feira, 28. "Analisamos os desempenhos relativos e as avaliações e chegamos a uma lista de empresas de alta qualidade que acreditamos estar negociando a preços muito atrativos".
Segundo o levantamento, 53 ações perderam mais de 30% desde a sexta-feira, 23, anterior. Com isso, o Ibovespa passou a negociar a 7,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível um desvio-padrão abaixo de sua média histórica.
A lista do BTG reúne empresas de diferentes setores, mas algumas chamam atenção pelos múltiplos de negociação após a queda. Na construção civil, a Cyrela (CYRE3) aparece avaliada em apenas 3,7 vezes o lucro estimado para 2027.
A Cury (CURY3) negocia a 6,1 vezes, enquanto a Tenda (TEND3), de menor capitalização, apresenta um múltiplo de 3,1 vezes. São avaliações que refletem, em parte, o receio de que os juros elevados continuem prejudicando o setor.
A Localiza (RENT3) também ganhou espaço entre as oportunidades identificadas pelo banco. Depois de acumular uma desvalorização de 18,6% em 30 dias, a locadora de veículos passou a negociar a 7 vezes o lucro projetado para 2027.
Entre as companhias de infraestrutura e serviços essenciais, o BTG destaca Equatorial (EQTL3), Eneva (ENEV3) e Sabesp (SBSP3), com taxas internas de retorno estimadas em 13%, 12% e 10,5%, respectivamente.
A concessionária Motiva (MOTV3) e a administradora de shoppings Iguatemi (IGTI11)também aparecem com retornos implícitos de 13%. A Rede D'Or (RDOR3), por sua vez, negocia a 13 vezes o lucro esperado para 2027.
Já Petrobras (PETR4) continua sendo vista pelo banco como uma alternativa relativamente segura, enquanto Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBR3) oferecem exposição ao dólar, característica que pode ajudar a compensar parte dos efeitos de uma eventual desvalorização do real.
O BTG também inclui nomes de perfil mais defensivo, como Ambev (ABEV3), Porto Seguro (PSSA3), Caixa Seguridade (CXSE3), Telefônica Brasil - Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3).
Entre as chamadas " small caps ", empresas de menor valor de mercado, os descontos são ainda mais expressivos em alguns casos. A C&A (CEAB3), que acumula queda de 41,7% em 2026, negocia a 3,2 vezes o lucro projetado para 2027.
O Banco Pine (PINE4) aparece com múltiplo de 3 vezes, enquanto a rede de farmácias Pague Menos (PGMN3), que perdeu 51,9% de seu valor no ano, está avaliada em 4,2 vezes.
Também entram na seleção Smart Fit (SMFT3), 3tentos (TTEN3) e SLC Agrícola (SLCE3), além de Copasa (CSMG3) e Orizon (ORVR3). Essas duas últimas se destacam pelas taxas internas de retorno estimadas em 14% e 15%, respectivamente.
Os múltiplos baixos, porém, não significam necessariamente que uma ação já tenha encontrado seu piso.
O próprio BTG reconhece que as projeções de lucro das empresas podem ser revisadas para baixo diante da perspectiva de menor crescimento econômico e juros persistentemente elevados.
Essa preocupação ajuda a explicar a ausência de duas varejistas conhecidas da lista principal.
Embora Assaí (ASAI3) e Lojas Renner (LREN3) pareçam bastante atrativas após a liquidação na avaliação da entidade, negociando a 8 e 5,4 vezes o lucro, respectivamente, o banco alerta que a desaceleração da economia e a Selic elevada podem comprometer seus resultados em 2027.
Se os preços ficaram mais interessantes, o cenário econômico continua sendo o grande problema. Na avaliação dos analistas, o mercado pode precisar de mais tempo para absorver o resultado eleitoral e, principalmente, a falta de clareza sobre os próximos passos da política fiscal.
"Mesmo que isso não aconteça, a bolsa pode andar de lado até que o governo anuncie o que pretende fazer para enfrentar a grave situação fiscal do país, se é que fará alguma coisa", afirma o relatório, ao abordar o risco de uma queda adicional de 10% em dólar.
O BTG não demonstra grande confiança na apresentação de um pacote fiscal robusto. Ainda assim, acredita que medidas mais modestas poderiam ajudar a estabilizar as ações e os juros de longo prazo, desde que sinalizem algum compromisso com o controle das despesas públicas.
O banco trabalha com crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e uma Selic de 12,5% ao fim do próximo ano, mas admite que os juros podem terminar o período acima dessa projeção.
Há um dado histórico que joga a favor de uma eventual recuperação. Desde 1998, o mecanismo de " circuit breaker ", que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas muito acentuadas, foi acionado 17 vezes na bolsa brasileira, em cinco episódios de crise, segundo o BTG.
Em todas essas ocasiões, o banco disse que o Ibovespa registrava valorização de pelo menos 30% um ano depois.
Após a crise financeira global de 2008, por exemplo, a recuperação chegou a quase 89% nos 12 meses seguintes ao último acionamento do mecanismo. Na pandemia de 2020, o avanço foi de 72%.
Esse histórico mostra que momentos de pânico podem ser seguidos por recuperações expressivas, embora não exista garantia de que o movimento se repetirá.
*A EXAME alerta que a reportagem não constitui uma recomendação de investimento para os leitores. Quem investe deve avaliar, individualmente, seu portfólio, condições e metas.
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