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Entenda: A democracia brasileira em novos tempos?

Nas eleições, cidadãos escolhiam suas elites políticas dentro do menu proporcionado.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 02:00
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Entenda: A democracia brasileira em novos tempos?
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Esta coluna é uma parceria da Folha com o Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV Cepesp).

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26.out.2026 às 23h00 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte George Avelino Professor da FGV-Eaesp e coordenador do FGV-Cepesp (Centro de Política e Economia do Setor Público)

Mundo afora, a democracia é um sistema político que sempre funcionou bem enquanto o debate público foi regulado com a participação limitada a líderes partidários, políticos, jornalistas, intelectuais, sindicalistas etc, o que permitia a agregação da diversidade natural de interesses em sociedades complexas. Nas eleições, cidadãos escolhiam suas elites políticas dentro do menu proporcionado. Essas, por sua vez, competiam dentro das regras do jogo, que garantiam um Estado limitado, de forma a reduzir os custos da derrota eleitoral, garantindo a possível alternância de poder e o processamento pacífico dos conflitos.

O surgimento das redes sociais desafiou esse alicerce tradicional da democracia e permitiu que vozes antes com espaço bastante limitado no debate público pudessem ecoar. No passado, os partidos ofereciam o menu de propostas e candidatos; agora, as redes abriram espaço para novos grupos, cuja participação ainda é desorganizada e, muitas vezes, sem objetivos claros. Em alguns casos, eles se limitam apenas à destruição das instituições que fracassaram em incluí-los.

Como se adaptar a esse novo cenário foi o desafio das lideranças políticas que sustentaram a democracia brasileira desde 1985 e, sem conseguir se atualizar às novas formas de fazer campanha, aparentemente envelheceram. Assim, a vitória do presidente Lula pode ser explicada menos pelas lideranças tradicionais e mais pela intensa mobilização popular da última semana de campanha, só comparável à das Diretas Já, fundamental para a democratização do país há mais de 40 anos.

A mobilização iniciada pelo movimento estudantil rejuvenesceu a campanha. André Janones (Rede-MG), outra liderança nova, comandou seu "exército" digital, consagrando as redes como recurso eleitoral relevante. O desafio agora é manter essa mobilização e adaptar a linguagem das redes –ainda simplória e virulenta– à proposição de políticas públicas. De qualquer forma, abriu-se uma janela para o uso delas a favor do campo democrático.

Também existem dilemas para o campo perdedor, que representa a outra metade do país. O primeiro é transformar o poder adquirido nas eleições para o Legislativo em algo menos rancoroso e mais propositivo. O segundo, relacionado ao primeiro, será substituir a liderança da família Bolsonaro em prol de uma ainda incipiente proposta de organização do campo conservador em moldes mais democráticos, algo inovador na história política do país.

Em suma, o resultado das eleições foi fruto sobretudo de um trabalho corpo a corpo, de quem saiu à busca de votos para defender a sua democracia. Oxalá as futuras disputas eleitorais possam ocorrer em ambiente mais construtivo, retomando o padrão clássico democrático em que a alternância de poder é vista como algo natural.

Este artigo encerra a coluna "Voto a Voto " nestas eleições, em que pesquisadores do FGV-CEPESP trouxeram diferentes abordagens analíticas sobre a política brasileira.

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