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Em destaque: Vendas de carros novos na China desabam 22% e montadoras buscam saída no exterior

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 19:45
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Em destaque: Vendas de carros novos na China desabam 22% e montadoras buscam saída no exterior
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Priorize VEJA no Google As vendas de carros de passeio na China caíram 21,7% entre janeiro e setembro, para 13,3 milhões de unidades, segundo a associação chinesa do setor. Para o ano inteiro, a previsão é de 18,5 milhões de veículos vendidos, uma queda de 22% em relação a 2025.

A retração ocorre após anos de expansão financiada por governos locais e investidores privados.

Estimativa do Wall Street Journal aponta que as fábricas chinesas têm capacidade para produzir cerca de 63 milhões de veículos leves por ano.

A quantidade de fabricantes ajuda a dimensionar a concorrência.

Em 2025, 143 marcas chinesas venderam ao menos um veículo elétrico; 46 delas comercializaram menos de mil unidades, segundo levantamento da consultoria AlixPartners.

Um exemplo é a Skyworth Auto. Sua principal fábrica foi projetada para produzir 100 mil veículos por ano, mas a marca vendeu 660 carros de passeio na China entre janeiro e setembro, de acordo com a reportagem do jornal americano.

O dado ilustra a distância entre a capacidade anunciada por algumas empresas e a procura por seus modelos, embora não represente o desempenho de todo o setor.

A disputa também reduz a rentabilidade. A margem de lucro da indústria automobilística chinesa caiu para 3,6% entre janeiro e agosto, segundo a associação de carros de passeio do país. Os fabricantes têm recorrido a cortes de preços e benefícios para atrair compradores.

A queda nas vendas ocorre mesmo com a rápida mudança tecnológica do setor.

Em setembro, veículos classificados na China como de “nova energia”, categoria que inclui carros elétricos e híbridos plug-in, responderam por 67% das vendas de automóveis de passeio.

Mesmo mês, porém, as vendas desses modelos recuaram 16,7% em relação a setembro de 2025.

O crescimento do mercado elétrico levou fabricantes tradicionais e empresas de tecnologia a lançar novos modelos. Mas o avanço não eliminou a disputa por clientes nem a dificuldade de sustentar dezenas de marcas.

Governos locais, que ajudaram a financiar fábricas e empresas, também têm poucos incentivos para aceitar fechamentos que podem reduzir empregos e arrecadação nas cidades.

Com menos compradores no mercado interno, as fabricantes buscam clientes no exterior. A associação chinesa do setor prevê que as vendas externas de veículos, incluindo automóveis, ônibus e caminhões, podem chegar a 12 milhões de unidades em 2026, ante 8,3 milhões no ano passado.

A expansão aumenta a pressão sobre fabricantes de outros países, que enfrentam concorrentes chineses com preços agressivos e ampla oferta de modelos.

No Brasil, veículos importados da China corresponderam a 48,7% dos emplacamentos de modelos importados entre janeiro e maio de 2026, segundo a Anfavea. Isso significa quase metade dos veículos importados registrados no período, e não metade do mercado brasileiro total.

O governo chinês tem criticado o que chama de “concorrência irracional” e pedido às montadoras que evitem cortes de preços excessivos.

Mas a consolidação do setor enfrenta obstáculos: empresas e fábricas estão ligadas a governos locais, empregos e cadeias de fornecedores. A redução da demanda, portanto, não se traduz automaticamente no fechamento de unidades ou na saída das marcas menos competitivas.

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