Em destaque: Veja o que esperar da França após onda de protestos, saques e violência
Leia também: França tem noite tranquila e avalia estender toque de recolher após protestos violentos Vandalismo, protesto por educação: entenda o que está acont
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Consulte formatos e valores disponíveisA prefeitura de Limoges foi incendiada e mais de 3 mil lojas foram saqueadas ou danificadas, segundo o governo. Além disso, grupos violentos entraram em confronto com a polícia em cidades de todo o país.
Enquanto prefeitos das maiores cidades francesas cobravam explicações do governo nesta segunda-feira sobre o que consideram falta de preparação, as autoridades se apressaram para estabelecer medidas de apoio às empresas afetadas e reforçar a segurança, à medida que a calma voltava às ruas.
O que o governo fará para conter a violência e indenizar as vítimas?
Cerca de 2.400 pessoas foram presas durante o fim de semana, e investigadores da polícia estão analisando vídeos e imagens publicados na internet para identificar os responsáveis pelos saques.
Toques de recolher parciais estão sendo organizados em alguns municípios, enquanto o governo afirmou que aumentará o número de policiais nas ruas, especialmente no próximo fim de semana, caso ocorram novos protestos. O governo não especificou quantos agentes adicionais serão disponibilizados.
Para ajudar as empresas afetadas pela violência a evitar demissões, o governo está adotando medidas que permitem reduzir ou suspender temporariamente as atividades dos funcionários, com compensação salarial financiada pelo Estado.
Recursos também estão sendo reservados para ajudar as empresas a atender às necessidades imediatas de fluxo de caixa. O governo ainda não forneceu detalhes completos sobre o financiamento ou sobre como o dinheiro será distribuído. Também se espera que as seguradoras cubram parte dos prejuízos.
Resposta às reclamações sobre o custo de vida
A situação extremamente delicada das contas públicas francesas significa que o governo tem pouquíssima margem para adotar medidas mais amplas destinadas a responder à indignação dos manifestantes com o aumento do custo de vida.
O governo já elevou os gastos emergenciais neste ano para ajudar determinados setores, como agricultores, pescadores e transportadores, a enfrentar os altos custos dos combustíveis provocados pela guerra contra o Irã.
Os protestos na França começaram no mês passado em escolas de ensino médio dos subúrbios operários do norte de Paris, onde a indignação com a falta de professores e as instalações deterioradas evoluiu para um movimento mais amplo.
Até agora, o governo não se comprometeu com um aumento substancial dos recursos destinados às escolas. No entanto, prometeu enviar cerca de 3 mil professores plenamente qualificados, mas que ainda não começaram a trabalhar, para preencher as vagas existentes.
Alguns manifestantes já convocaram uma nova rodada de protestos para sábado, 24 de outubro. Sindicatos convocaram greves para 5 de novembro, em protesto contra cortes orçamentários e em defesa de aumentos salariais.
A violência do fim de semana ofuscou em grande parte os recentes protestos de estudantes do ensino médio. As escolas estão agora em recesso por duas semanas, mas há relatos de manifestações em algumas universidades.
Como a crise afetará a grave situação econômica da França?
Os distúrbios provavelmente prejudicarão a confiança empresarial, que já está fragilizada por uma crise fiscal e pelos altos preços da energia decorrentes da guerra contra o Irã.
O governo minoritário enfrenta dificuldades para aprovar cortes de gastos no Parlamento francês, profundamente dividido, como parte do Orçamento de 2027, e corre o risco de ser derrubado pelos partidos de oposição caso não consiga chegar a um acordo com pelo menos alguns deles.
Os distúrbios pressionaram as ações francesas e o euro, além dos títulos do governo francês, elevando o prêmio de risco em relação aos títulos alemães de referência de dez anos para 146 pontos-base, o maior nível em duas semanas.
Os distúrbios podem se espalhar para outros países?
Se a França não conseguir conter os distúrbios, existe o risco de que eles ultrapassem suas fronteiras. Na vizinha Itália, confrontos entre policiais e manifestantes eclodiram no domingo durante protestos contra a precariedade dos serviços públicos e o aumento do custo de vida.
A Albânia também registrou uma série de manifestações estudantis nos últimos dias contra a corrupção, a falta de empregos e os baixos padrões de qualidade da educação, enquanto Espanha e Portugal enfrentaram protestos relacionados à moradia.
Como os distúrbios afetarão a eleição presidencial de 2027?
As eleições do próximo ano marcarão a saída do presidente Emmanuel Macron após uma década no poder. Os distúrbios provavelmente darão impulso à candidata presidencial de extrema direita Marine Le Pen, que já lidera as pesquisas para sucedê-lo e há muito tempo defende uma postura rigorosa em relação à lei e à ordem.
"Le Pen não precisa mais gastar dinheiro algum com a campanha", disse à Reuters Jean-Baptiste Moreau, ex-deputado do grupo político de Macron. "Ela não tem apenas um caminho livre à sua frente, mas uma rodovia de seis pistas."
O candidato da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon enfrenta pressões por apoiar as reivindicações dos manifestantes, criticar a atuação do governo e não condenar claramente a violência.
Enquanto isso, Macron, que partiu para o Oriente Médio nesta segunda-feira, saiu ainda mais enfraquecido da crise. Seu ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, agora candidato presidencial de centro-direita, afirmou na rede social X que esperava "decisões e iniciativas" do presidente em fim de mandato para "restabelecer a ordem".
Não houve relatos de estrangeiros feridos em decorrência dos distúrbios. No entanto, vários governos europeus recomendaram que seus cidadãos em viagem à França evitem grandes aglomerações e tomem precauções.
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