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Em destaque: TSE cobra Meta por tratamento igual a Lula e Flávio; empresa nega favorecimento

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 21 de outubro de 2026 às 00:53
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ouviu representantes da Meta e das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (20), para discutir o cumprimento de uma decisão que exige tratamento igualitário aos dois candidatos nas plataformas digitais. A empresa, responsável por Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, nega favorecer qualquer candidatura e afirma ter adotado medidas para cumprir as determinações da Justiça Eleitoral.

A reunião foi conduzida pelo ministro substituto Marco Aurélio Bellizze, após a Meta apresentar informações sobre as medidas adotadas e solicitar o encontro. A empresa havia sido intimada a prestar esclarecimentos em 24 horas sobre os mecanismos usados para distribuir conteúdos políticos e veicular anúncios eleitorais.

A decisão foi motivada por questionamentos sobre possíveis diferenças no alcance de publicações e no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial (IA), incluindo os sistemas de recomendação de conteúdo.

A campanha de Lula alegou que publicações ligadas ao candidato enfrentavam restrições de alcance, enquanto conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro teriam recebido tratamento mais vantajoso. A equipe petista também questionou a atuação da Meta AI na produção e distribuição de conteúdo eleitoral.

A Meta rejeitou as acusações e atribuiu os problemas relatados a questões técnicas. Durante a reunião, Bellizze afirmou que o objetivo da representação é garantir transparência e igualdade entre os candidatos.

Em manifestação apresentada ao TSE, a Meta afirmou que aplica as mesmas regras de distribuição de conteúdo a todos os candidatos e que adotou medidas para impedir abusos durante a disputa eleitoral.

Entre as providências informadas pela empresa está a análise de 1.204 publicações. Desse total, 720 foram suspensas por não identificarem o uso de IA ou de conteúdo sintético, conforme exigido pelas regras eleitorais.

A companhia também afirmou que criou lista de permissões para anúncios, restringindo a propaganda eleitoral paga a candidatos, partidos, coligações e federações devidamente cadastrados na Justiça Eleitoral.

A decisão do TSE prevê multa diária de R$ 500 mil pelo descumprimento das determinações. O valor pode subir para R$ 1 milhão por dia caso a empresa não comprove o cumprimento integral das medidas no prazo estabelecido.

O ministro, porém, não apontou comprovação de manipulação deliberada da distribuição de conteúdos pela Meta para favorecer ou prejudicar Lula ou Flávio. A medida tem caráter preventivo e busca impedir eventuais desigualdades na reta final da campanha.

Além da discussão eleitoral, a Meta foi alvo de questionamentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública por se recusar a criar um canal direto para atender casos urgentes envolvendo jornalistas, comunicadores e veículos de imprensa.

Segundo nota divulgada pelo ministério nesta terça-feira, o mecanismo permitiria encaminhar com mais rapidez situações de ameaças, assédio, ataques digitais, bloqueios e suspensões de contas.

A proposta foi formalizada pelo Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, vinculado à pasta, após uma reunião com representantes da empresa no início de outubro.

Em resposta enviada em 16 de outubro, a Meta rejeitou a criação do canal. A empresa argumentou que o mecanismo poderia representar a assunção de novas obrigações regulatórias e alegou complexidade técnica, jurídica e operacional.

Segundo o ministério, a companhia também afirmou que suas políticas são aplicadas de forma igualitária aos usuários e que os canais gerais de atendimento existentes seriam suficientes. A pasta acrescentou que a Meta declarou não saber por que contas de jornalistas são removidas.

O governo defendeu a criação de mecanismos específicos e permanentes de proteção a profissionais e veículos de comunicação no ambiente digital, independentemente do período eleitoral.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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