Em destaque: Temporais deixam quatro mortes, milhares de afetados e cidades em alerta no Sul do Brasil
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google Uma sequência de temporais severos provocou mortes, destruição de imóveis e interrupções na infraestrutura de municípios da Região Sul do Brasil neste início de novembro. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná foram atingidos por vendavais, chuvas intensas, granizo e enxurradas. No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil contabiliza duas mortes cujas circunstâncias ainda estão sob investigação. Em Santa Catarina, os bombeiros confirmaram dois óbitos relacionados a ocorrências durante os temporais.
O levantamento mais recente da Defesa Civil gaúcha, atualizado às 16h44 desta quinta-feira, 5, registra 148 ocorrências em 134 municípios. Em 130 cidades houve danos humanos ou materiais. Ao todo, 67.526 pessoas foram afetadas, 25 ficaram feridas, 97 estão desabrigadas e 289 desalojadas. O balanço também aponta 14 casas destruídas, 7.013 danificadas, 2.422 destelhadas e 110 alagadas.
Os municípios mais atingidos incluem Nova Prata, onde foram registradas 2.700 casas danificadas e 15 pessoas feridas, e Espumoso, com 15.201 pessoas afetadas e 600 residências danificadas. Em Passo Fundo, o granizo atingiu 1.035 casas, além de provocar danos em escolas e obstruir vias. Já em Frederico Westphalen, 630 residências foram destelhadas.
No Rio Grande do Sul, um motociclista de 44 anos que estava desaparecido em Sagrada Família foi encontrado morto nesta quinta-feira. As buscas haviam começado na quarta-feira. Em Cacique Doble, o corpo de uma mulher de 71 anos foi localizado próximo a um rio que passa a cerca de 20 metros de sua residência. Segundo a Defesa Civil municipal, ela morava sozinha. A Defesa Civil estadual ressalta que as circunstâncias dos dois óbitos e as suas relações com os eventos meteorológicos estão sendo investigadas.
Em Santa Catarina, uma das mortes ocorreu em Rio Negrinho, no Norte do estado. Um homem de 20 anos foi atingido pelo desabamento da estrutura de um posto de combustível às margens da BR-280, na tarde de quarta-feira. Ele foi encontrado inconsciente e levado ao hospital após tentativas de reanimação, mas não resistiu aos ferimentos. Em Xanxerê, uma mulher de 46 anos morreu vítima de choque elétrico por volta das 19h30 de quarta-feira. Na região, a Defesa Civil confirmou a ocorrência de um tornado. Outro tornado foi confirmado em Chapecó, onde os temporais também provocaram danos em diferentes áreas do município.
Segundo o tenente-coronel Alcântara, do Corpo de Bombeiros Militar de SC, a central de operações foi reforçada para atender a região de Chapecó. “O número de ocorrências nesse momento tem a ver com o corte de arvores e entrega de lonas à população”, explica ele.
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina atendeu 671 ocorrências relacionadas ao temporal em 76 municípios entre quarta-feira e a madrugada desta quinta. Mais de 110 pessoas foram resgatadas em Lages e Rio do Sul. Em Lages, foram retiradas 76 pessoas e um cachorro de áreas atingidas pela inundação. No Centro da cidade, 60 pessoas precisaram ser retiradas de uma escola.
Em Rio do Sul, os bombeiros resgataram 30 pessoas que ficaram ilhadas em uma escola no bairro Barra do Trombudo. Durante a noite, outras cinco pessoas — quatro crianças e uma idosa — foram retiradas de uma residência alagada. Na madrugada desta quinta, um homem de 22 anos foi resgatado de bote após ficar sobre o teto de um carro submerso em um arrozal. Ele havia sido arrastado pela correnteza e não apresentava ferimentos.
Em Chapecó, mais de 400 famílias receberam atendimento dos bombeiros na quarta-feira. O aeroporto também foi atingido, sobretudo na área dos hangares e no saguão principal. Em Xanxerê, foram distribuídas 302 lonas para a proteção emergencial de residências danificadas. O quartel dos bombeiros na cidade também sofreu danos, com parte do telhado arrancada pelo vento.
No Paraná, um vendaval acompanhado de chuva intensa atingiu a sede do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, em Maringá, na madrugada de segunda-feira, 2. A estrutura metálica do telhado do prédio administrativo foi arrancada e lançada sobre o pátio, atingindo pelo menos cinco viaturas administrativas. Uma árvore também caiu sobre a área de estacionamento e danificou uma ambulância, que permanece em operação, além de deixar outra viatura retida sob os escombros.
O destelhamento provocou alagamentos em salas do pavimento superior, incluindo o espaço onde fica o servidor da unidade. Não houve feridos entre os militares. Para reforçar o atendimento à população, o comando estadual enviou equipes de apoio de Cascavel, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba, que devem atuar principalmente na remoção de árvores e desobstrução de vias.
Apesar de o tempo ficar mais estável nesta quinta-feira em grande parte do Rio Grande do Sul, a Defesa Civil mantém alertas para a elevação de rios e a possibilidade de novas tempestades nos próximos dias.
O boletim hidrometeorológico divulgado nesta quinta-feira aponta que, nas últimas 24 horas, foram registrados volumes de chuva de até 120 milímetros na metade norte do estado. O rio Uruguai, em Iraí, ultrapassou a cota de inundação e deve continuar subindo. O rio Taquari também está acima da cota de atenção em Lajeado, com tendência de elevação e possibilidade de se aproximar do nível de inundação.
Há alertas de risco muito alto de inundação para Iraí, no rio Uruguai, e Dona Francisca, no rio Jacuí. Em Travesseiro, a elevação do rio Forqueta levou à emissão de alerta de risco alto.
A previsão indica possibilidade de temporais isolados com granizo no Norte e Noroeste gaúchos na tarde e noite desta sexta-feira, 6. Na madrugada de sábado, 7, há previsão de granizo, que poderá ser de grande tamanho, e rajadas de vento que podem superar 80 quilômetros por hora em áreas das regiões das Missões, Noroeste, Centro, Norte e Nordeste. Os acumulados de chuva podem chegar a 70 milímetros por dia na metade norte do estado, com pontos de até 90 milímetros no Norte e Nordeste.
Diante do cenário, os bombeiros orientam a população a não atravessar ruas alagadas, manter distância de fios caídos e evitar subir em telhados durante a chuva. Em áreas sujeitas a inundação, a recomendação é buscar locais seguros e acompanhar as orientações das autoridades municipais e da Defesa Civil.
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