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20.out.2026 às 8h43 Diminuir fonte Aumentar fonte Ian Austen Edmonton | The New York Times A população de Alberta votou na segunda-feira (19) pela permanência no Canadá, rejeitando uma campanha que buscava separar a província, rica em petróleo, do restante do país essa província do oeste.
Em um referendo, os eleitores apoiaram a permanência no Canadá, em vez da opção de realizar uma segunda votação sobre a possibilidade de separação, segundo projeção divulgada pela emissora pública CBC News no fim da noite de segunda-feira.
Com pouco mais de um terço dos votos apurados, 76% dos eleitores optaram por continuar fazendo parte do Canadá, enquanto 23% defenderam a realização de uma nova votação.
O referendo refletiu o longo histórico de ressentimento da província em relação ao governo central, mas também insatisfações mais recentes. Muitos líderes separatistas ganharam projeção política ao organizar grandes protestos contra as restrições durante a pandemia de Covid-19.
Ao contrário do que ocorre em Quebec, província que realizou duas votações malsucedidas sobre a saída do Canadá, o separatismo sempre foi uma posição minoritária em Alberta. Ainda assim, opositores da separação temiam que os eleitores apoiassem a realização de um segundo referendo para demonstrar sua insatisfação com a relação da província com o Canadá, mesmo que não quisessem se separar.
Havia também a preocupação de que os habitantes de Alberta favoráveis à união com o Canadá deixassem de comparecer às urnas por acreditarem que a província jamais rejeitaria o país.
A votação foi uma iniciativa de Danielle Smith, a primeira-ministra provincial de Alberta, cargo que no Brasil equivale ao de governador. Ela conseguiu provocar a indignação de pessoas dos dois lados do debate.
Smith assumiu a liderança do Partido Conservador Unido em grande parte graças ao apoio de separatistas, responsáveis por destituir o primeiro-ministro anterior, Jason Kenney, da liderança partidária.
Os defensores de um Canadá unido ficaram indignados com Smith por ela ter acrescentado a pergunta sobre a realização de um segundo referendo de separação a uma consulta já planejada, que continha outras nove questões. Essas perguntas tratavam dos poderes provinciais e da imigração.
A iniciativa ocorreu depois que um tribunal barrou uma tentativa dos separatistas de forçar uma votação sobre a saída do Canadá por meio de uma petição. Os federalistas afirmaram que a decisão de Smith era uma tentativa de contornar os tribunais e violava a Constituição.
Muitos defensores da separação ficaram decepcionados porque Smith criou uma votação sobre realizar ou não uma segunda consulta, em vez de oferecer uma escolha mais direta entre permanecer no Canadá ou sair do país.
Smith disse que votaria pela permanência no Canadá. Os opositores da separação consideraram tímido o apoio dela à causa antes da votação, e muitos afirmam duvidar da sinceridade de seu compromisso de continuar no Canadá.
No mês passado, em um fórum online, Smith manifestou apoio à luta para que Alberta permaneça no Canadá, mas também expôs o que descreveu como as queixas dos habitantes da província contra o governo federal.
"Quando pessoas orgulhosas e trabalhadoras sentem que sua contribuição é tratada como algo garantido", disse ela, "e que seu sustento é visto como algo a ser gradualmente eliminado, algumas começam a fazer uma pergunta dolorosa: este país realmente nos quer?"
Ela se referia às políticas ambientais implementadas durante o governo do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, que muitos habitantes de Alberta consideravam uma tentativa de acabar com a exploração das areias betuminosas da província.
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Entidades empresariais, ex-primeiros-ministros provinciais e políticos locais apoiaram firmemente a permanência no Canadá. Estudos econômicos, incluindo um encomendado pelo governo provincial, previram que deixar o país acarretaria custos enormes.
Pairavam sobre a votação a guerra comercial lançada pelo presidente Donald Trump contra o Canadá e suas reiteradas especulações sobre anexar o país como o 51º estado americano.
Alguns líderes separatistas de destaque viajaram três vezes a Washington no ano passado em busca de apoio do governo Trump, em reuniões com funcionários de baixo escalão do Departamento de Estado.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, criado em Edmonton, capital da província, chamou o referendo de "blefe perigoso". Carney era governador do Banco da Inglaterra quando o Reino Unido votou pela saída da União Europeia, em 2016.
"É útil levantar essas questões fundamentais?", perguntou ele em maio, após Smith anunciar o referendo. "Não, não é útil. Claro que não. Essa é a vontade democrática dos habitantes de Alberta? Eles votaram por isso na última eleição provincial? Não, não votaram."
Carney foi recebido com entusiasmo em dois grandes comícios a favor da permanência no Canadá, realizados na semana passada em Edmonton e Calgary. Smith não compareceu a nenhum deles.
Muitos líderes separatistas são veteranos dos grandes protestos realizados em Alberta durante a pandemia de Covid-19 contra as restrições de saúde pública. Eles nunca apresentaram planos específicos para uma Alberta independente, e suas diferentes facções propuseram diversos futuros, incluindo um Estado orientado pela doutrina cristã. Muitas de suas queixas contra o Canadá têm como base questões econômicas.
Cerca de 1,3 milhão de pessoas, pouco mais de um terço de todos os eleitores aptos, votaram pelo correio ou antecipadamente. Como os eleitores precisavam preencher dez cédulas de papel separadas e depois depositá-las no mesmo número de urnas, houve longas filas em muitos dos 1.400 locais de votação na segunda-feira.
Antes da votação, alguns líderes dos movimentos separatistas sugeriram que talvez não aceitassem o resultado.
Mitch Sylvestre, um destacado líder separatista, disse em entrevista na quinta-feira passada estar preocupado com possíveis irregularidades na votação. Ele também questionou a validade de muitos votos enviados pelo correio.
"Não vou subir em um palanque e começar a gritar ‘interferência eleitoral’ até que haja provas realmente sólidas de que isso aconteceu", disse Sylvestre. "Tudo o que estou dizendo é que sou muito cético, assim como muitos —ou a maioria— dos nossos apoiadores."
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