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Por Redatores da Empire Cidades 7 de novembro de 2026 às 08:20
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Ayao Komatsu, chefe da Haas, no paddock em Interlagos Imagem: Simon Galloway/LAT Images Ayao Komatsu esteve em evidência nos últimos dias, depois que uma discussão com Esteban Ocon acabou com o contrato do francês sendo terminado com quatro corridas para o final do ano e Rafael Câmara fazendo sua estreia na F1 logo no GP de São Paulo. Ele, muito provavelmente, preferiria só colocar a mão na massa, no que ele chama de processo de "estabilização" da equipe.

O japonês de 50 anos se mudou para a Inglaterra em 1995, quando foi estudar engenharia, e está na F1 desde 2003, com passagens pela BAR e Renault antes de se juntar à Haas no ano da estreia do time, em 2016. Ele era diretor de engenharia de pista até ser promovido a chefe com a saída de Guenther Steiner no início de 2024.

A equipe estava vindo de dois últimos lugares em três anos e lutava pela sobrevivência. Em 2026, está disputando com a Audi pelo sétimo lugar entre os construtores, mesmo sendo a única equipe operando abaixo do teto de gastos, ou seja, arrecadando menos do que pode gastar com performance.

Komatsu reconhece que não é fácil manter a equipe nos trilhos tendo a menor estrutura da F1 e mostra seu jeito sem rodeios ao falar sobre os demais chefes de equipe e a comida japonesa do bairro da Liberdade, em São Paulo.

Você passa a impressão de ser um cara direto, sem rodeios. Muito focado na engenharia. É por aí?

Ayao Komatsu: Em parte, sim. No fim das contas, trata-se de um carro, de um projeto de engenharia. Não tem enrolação: ou as coisas funcionam, ou não funcionam. Não dá para fugir disso. Nesse sentido, sim, o foco na engenharia está presente.

Mas, para criar uma equipe de alto rendimento, o foco precisa estar nas pessoas. Como fazer um grupo trabalhar em conjunto, como motivar, como alinhar a equipe e garantir que todos entendam a importância de suas contribuições. Para mim, o aspecto humano é o mais importante. Nosso maior patrimônio são as pessoas.

E como você faz isso? Conhecendo as limitações da equipe e a forma como ela está estruturada, neste momento, não dá para brigar por títulos nem nada do tipo. Como manter todos no caminho certo?

AK: Tendo, acima de tudo, clareza sobre quem somos e quais são nossos objetivos, além de um roteiro bem definido de como vamos avançar nos próximos três a cinco anos.

No momento, como você disse, não podemos falar em disputar vitórias ou campeonatos. Há alguns anos, o desafio era a sobrevivência, certo? E nós precisávamos superar essa fase.

Foi preciso estabilizar a situação. Agora, já conseguimos brigar no pelotão intermediário, mas ainda não de forma consistente. Às vezes estamos no meio desse pelotão, às vezes na parte da frente, e outras vezes lá no fundo.

Ou seja, ainda não alcançamos a estabilidade. Então, eu gostaria de levar a equipe a um patamar em que possamos brigar, de forma consistente, no topo do pelotão intermediário. É esse o objetivo que queremos alcançar em um prazo de três a cinco anos.

Esse é o nosso roteiro — ou, se preferir, a nossa meta — bem definido. E temos uma estratégia para chegar lá. Assim, uma vez estabelecido isso, todos sabem para onde estamos caminhando.

Quando você está com outros chefes de equipe, sente que é um pouco diferente deles?

AK: Bem, acho que todo mundo é diferente, não é? Sim, existem personalidades bem distintas.

Por exemplo, o Toto [Wolff, chefe da Mercedes] é muito diferente. Mas, ainda assim, tenho um grande respeito por ele e, na verdade, trabalhamos muito bem juntos. O mesmo vale para o pessoal da Red Bull. Sempre mantive um bom relacionamento com eles. Acho que cada um tem seus pontos fortes e fracos.

Acho apenas que temos personalidades e especialidades diferentes, o que é algo positivo. O Mattia [Binotto, CEO da Audi], por exemplo, também tem formação em engenharia. Ele é muito inteligente. Tenho um grande respeito pelo Mattia. Nas reuniões da comissão, ele é sempre muito direto ao ponto. Algumas pessoas gostam de falar bastante, enquanto outras... tem gente que gosta de ouvir a própria voz. Mas algumas pessoas vão direto ao ponto. Outras só falam besteira.

Mas é preciso ter personalidades diferentes, não é? São 11 equipes, 11 chefes de equipe. Cada equipe é estruturada de uma forma diferente. E a própria marca de cada uma também é distinta.

Você é o tipo de chefe de equipe que imaginou ser quando assumiu o cargo?

AK: Sinceramente, só consigo ser eu mesmo. Não é como se eu tivesse pensado: "Ok, como chefe de equipe, preciso ser esse tipo de pessoa". Eu sou apenas eu.

O que posso fazer é ser a melhor versão de mim mesmo. Se isso não for suficiente, então não é. Mas acredito que é só isso que posso fazer: ser a melhor versão possível de mim mesmo. É isso que busco.

Cada dia é um processo de aprendizado. O trabalho de chefe de equipe é, obviamente, muito diferente do trabalho de engenharia. Mas uma surpresa positiva foi o quanto gosto de conhecer pessoas com trajetórias e experiências diferentes, porque isso é aprendizado. Acho isso fascinante.

Sinto-me muito grato por estar nesta posição, por poder trabalhar com tantos especialistas que são excelentes em suas respectivas áreas. Observá-los trabalhando, aprender com eles e integrar tudo isso é algo muito empolgante.

Outra impressão que se tem, de fora, é que o Gene [Haas, proprietário da equipe] confia muito em você e que grande parte das decisões está nas suas mãos, embora ele seja a figura central.

AK: Ele oferece um apoio enorme, um apoio realmente muito grande. Então, sim, sou muito grato por isso. E temos uma estrutura bem simples: o Sr. Gene Haas é o proprietário de 100% da equipe, e eu a gerencio em nome dele. Ele tem seu braço direito, o CEO, que administra todas as suas empresas. Ele também me ajuda. Portanto, no que diz respeito aos negócios, conto com o apoio desse CEO.

Além disso, tenho ele, o proprietário. Entre nós três, basicamente, conseguimos definir a direção geral de como a equipe deve avançar. É algo muito, muito simples.

Não é preciso recorrer a um conselho de administração e passar, sei lá, semanas ou meses discutindo as coisas. Há prós e contras, claro. Ser uma equipe pequena significa ter recursos limitados e enfrentar grandes desafios, mas, por outro lado, confere agilidade e flexibilidade.

Tudo tem seus pontos positivos e negativos. Obviamente, tentamos tirar o máximo proveito dos nossos pontos fortes, mas, sem dúvida, precisamos crescer.

E quanto ao ano que vem? Este ano, vocês tiveram muitos problemas de consistência — algo relacionado a tudo o que discutimos. Como vocês estão preparados para o próximo ano?

AK: Acredito que ainda temos muito trabalho pela frente. Muito trabalho, porque o fato de termos seguido na direção errada no início deste ano, naturalmente, não ajudou. Tivemos que dedicar um esforço enorme para entender por que a direção estava errada, o que fizemos de equivocado, e assim por diante. Por fim, compreendemos a situação e implementamos uma atualização no carro.

Agora, o carro apresenta um comportamento que transmite muita confiança aos pilotos. Mas, claro, para dar o próximo passo, precisamos aumentar a pressão aerodinâmica. O ideal seria estarmos, hoje, em um estágio bem mais avançado.

Como estávamos ocupados resolvendo esse problema, não sabíamos exatamente qual direção tomar para o carro do ano que vem. Agora, após a atualização recente, ficou bem claro: essas são as características que precisamos buscar.

Portanto, diria que estamos atrás. Não me iludo achando que será fácil. Mas, pelo menos, temos uma direção clara.

Por curiosidade. Você já visitou a Liberdade?

Gosta da comida? É um pouco diferente da comida do Japão.

AK: Não acho a comida de lá tão boa. Um amigo meu japonês — um amigo jornalista que viaja o mundo todo — frequenta restaurantes japoneses em toda parte. E sempre que a gente se encontra em algum lugar, ele quer ir lá, então eu vou. Mas, na minha opinião, não é bom.

Quando eu trabalhava com o Nelsinho, não sei se já te contei isso? ele é muito teimoso! Ele me dizia — e não é brincadeira, ele não estava tentando me provocar: "Você ainda não provou o melhor sushi do mundo?". Nelsinho, vai se f?! O melhor sushi fica no Japão.

Mas é curioso, porque acho que o Brasil abriga a maior colônia — bom, não colônia, mas a maior comunidade de imigrantes fora do Japão, né? Esse pessoal com quem converso na Liberdade são imigrantes de terceira ou quarta geração. Eles nem falam japonês, mas têm nomes japoneses. Só que o sabor da comida é totalmente diferente.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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