Em destaque: Republicanos perdem em Ohio apesar de investimento alto e golpe baixo
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google Poucos estados receberam tanto dinheiro nesta eleição quanto Ohio. E em poucos lugares o resultado foi tão ruim para os republicanos. O partido de Donald Trump e seus aliados despejaram mais de 300 milhões de dólares só no mês de outubro em anúncios contra os candidatos democratas ao Senado e ao governo estadual, e recorreram a um dos ataques mais pessoais e sujos da campanha. Ainda assim, perderam as duas disputas nesta terça-feira, 3, num estado que votou em Trump nas três eleições presidenciais e é terra natal do vice-presidente J.D. Vance.
O democrata Sherrod Brown, de 73 anos, derrotou o senador republicano Jon Husted, segundo projeções da Associated Press, e volta a Washington dois anos depois de perder a cadeira para o republicano Bernie Moreno. A vitória tira dos republicanos uma vaga fundamental nos planos democratas de retomar o Senado. O partido de Trump investiu mais tempo e recursos nesta corrida do que em qualquer outra do país, com exceção do Texas, no ciclo eleitoral mais caro da história moderna americana.
A derrota pesa também para a indústria de criptomoedas. O Fairshake, principal super PAC do setor, gastou mais de 55 milhões de dólares para impedir o retorno de Brown, um crítico da tecnologia que presidia a Comissão de Bancos do Senado. Em 2024, o mesmo comitê havia investido 41 milhões de dólares para derrubá-lo. Desta vez, não funcionou.
Husted foi nomeado em 2025 para cumprir o restante do mandato de J.D. Vance, que deixou o Senado para assumir a vice-presidência. Ex-vice-governador do estado, fez campanha como um conservador de perfil empresarial e colado à Casa Branca, ao contrário de outros candidatos republicanos em estados disputados, que se afastaram do presidente à medida que sua popularidade caía. Mesmo assim, teve dificuldade para se tornar conhecido.
O democrata repetiu o discurso populista econômico que prega há quase cinco décadas, de um sistema político manipulado em favor dos bilionários e contra os trabalhadores, e encontrou eleitores preocupados com o custo de vida e com a corrupção. Brown também foi um dos primeiros a perceber o incômodo dos eleitores com os data centers. Usou anúncios para lembrar o apoio de Husted a esses investimentos quando ele estava no governo estadual.
Na disputa pelo governo de Ohio, o desequilíbrio foi ainda maior. A campanha do republicano Vivek Ramaswamy, empresário e ex-pré-candidato à Presidência, inundou o estado com cerca de 74 milhões de dólares em anúncios, segundo a empresa de monitoramento AdImpact. Um super PAC que apoiava sua candidatura acrescentou outros 63 milhões. A democrata Amy Acton, ex-diretora do Departamento de Saúde de Ohio, gastou cerca de 33 milhões de dólares, menos de um quarto do total investido a favor do adversário, e venceu.
Parte do dinheiro de Ramaswamy bancou o anúncio mais polêmico da campanha. Em outubro, o republicano anunciou que gastaria 4 milhões de dólares para exibir na TV e na internet um vídeo em que Donna Arthur, mãe de Acton, chama a filha de mentirosa, insinua que ela tem problemas de saúde mental e pede aos eleitores que não votem nela. As duas estão afastadas há décadas. Donna perdeu a guarda dos filhos quando Acton tinha 12 anos, depois que o marido, padrasto da candidata, foi indiciado por estuprá-la. Sua mãe continuou casada com o padrasto até a morte dele.
O vídeo dividiu os republicanos. O governador Mike DeWine, que apoiava Ramaswamy e em cujo governo Acton comandou a Saúde durante a pandemia, pediu que a peça fosse tirada do ar. Husted disse que não teria veiculado o anúncio. Trump fez o oposto e aconselhou Ramaswamy a mantê-lo, dizendo que Acton era “alvo legítimo”. O republicano defendeu a propaganda até o fim, com o argumento de que ela tratava de mentiras e não do abuso, e afirmou que Donna não recebeu dinheiro para participar.
O desempenho em Ohio fez parte de uma noite desastrosa para os republicanos em todo o país. As redes ABC, NBC e CNN já projetam que os democratas retomarão o controle do Senado, além da Câmara. Até agora, o partido tomou dos republicanos seis cadeiras de senador, em Ohio, na Carolina do Norte, na Carolina do Sul, no Texas, no Kansas e em Iowa. Precisava de um saldo de quatro para chegar à maioria. Nos governos estaduais, a onda também foi forte. Além de Acton em Ohio, os democratas tomaram dos republicanos os governos do Texas, onde Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott, da Geórgia, com Keisha Lance Bottoms, e de Iowa, com Rob Sand. O partido precisava de um saldo de duas vitórias para voltar a comandar a maioria dos estados pela primeira vez desde 2010.
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