Em destaque: Relatório prevê aquecimento de até 2,8°C se políticas atuais forem mantidas
A projeção faz parte do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

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Consulte formatos e valores disponíveisDocumento prevê que as emissões de gases de efeito estufa precisam diminuir 45% até 2035 e 69% até 2040. BRASÍLIA – As emissões globais de gases de efeito estufa precisam diminuir 18% até 2030 para que o aquecimento do planeta possa ser limitado a um pico entre 1,7°C e 1,8°C e retorne ao patamar de 1,5°C até o fim do século. A projeção faz parte do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
O documento também aponta que os cortes precisam chegar a 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em comparação com os níveis registrados em 2025. Para alcançar essa trajetória, seria necessária uma redução média anual de 5,7% nas emissões entre 2025 e 2035.
De acordo com o relatório, se as políticas climáticas atuais forem mantidas, a temperatura global poderá aumentar 2,8°C ao longo deste século. Mesmo que todos os compromissos climáticos apresentados pelos países sejam cumpridos, a elevação ainda poderia alcançar 2,6°C.
Em um cenário mais otimista, que considera também o cumprimento das metas de neutralidade de emissões, o aquecimento ficaria em torno de 2,1°C. O resultado ainda estaria acima do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ultrapassar temporariamente a meta não significa abandonar o objetivo de limitar o aquecimento. Segundo ele, ainda é possível reduzir a intensidade desse aumento e fazer com que as temperaturas retornem a níveis inferiores a 1,5°C até 2100.
O estudo alerta que cada aumento adicional da temperatura e cada ano acima do limite de 1,5°C intensificam os impactos ambientais. Entre os riscos estão a elevação do nível do mar, ondas de calor, incêndios florestais e o comprometimento de ecossistemas, como os recifes de coral.
Uma das projeções aponta que, com o aquecimento, até um quarto das geleiras do planeta poderia derreter, contribuindo para uma elevação de até 12,5 centímetros no nível dos oceanos. O cenário também pode comprometer permanentemente o acesso à água potável em diferentes regiões.
O relatório analisou mais de 220 avaliações de políticas ambientais adotadas em diferentes países. Os resultados indicam que iniciativas no setor elétrico conseguiram reduzir as emissões em média 9%.
Já instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e sistemas de comércio de emissões, registraram reduções entre 5% e 13% nos setores avaliados.
O PNUMA destaca que a expansão das energias renováveis e a adoção de políticas climáticas já produziram resultados positivos em diferentes regiões. No entanto, essas iniciativas ainda estão concentradas em determinados países e setores e precisam ser ampliadas para alcançar os objetivos globais.
A diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, ressaltou que existem experiências bem-sucedidas capazes de demonstrar que as emissões podem ser reduzidas rapidamente. Segundo ela, os países precisam implementar políticas que garantam cortes contínuos e de maior escala.
Entre as medidas apontadas estão a ampliação da capacidade de geração de energia renovável, a redução do uso de combustíveis fósseis, o combate ao desmatamento e a diminuição das emissões de metano.
O relatório também recomenda ampliar os compromissos climáticos para 2035 e 2040, com metas mais específicas para os setores de energia e transporte.
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