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Em destaque: Quem domina as redes domina as narrativas?

Ora vemos a juventude ser posicionada como o grande problema social, desviando das normas e expectativas de outras gerações, ora apontada como a grande solução

Por Redatores da Empire Cidades 25 de outubro de 2026 às 00:04
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Em destaque: Quem domina as redes domina as narrativas?
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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24.out.2026 às 21h04 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Beatriz Besen Psicóloga, doutora pela USP e pós-doutoranda em Psicologia Política na PUC-SP. Autora de "Novas Direitas: Juventude além dos Extremos" (Ed. Vozes)

Quem estuda juventudes de longa data está acostumado com um pêndulo que varia conforme os ventos sopram e os interesses se realinham. Ora vemos a juventude ser posicionada como o grande problema social, desviando das normas e expectativas de outras gerações, ora apontada como a grande solução e esperança para o futuro.

Nesta eleição, não foi tão diferente, pelo menos dentro das esquerdas. Durante toda a campanha do primeiro turno pairava uma tensão. Diante de notícias e dados que pareciam apontar que a juventude estava se voltando à direita, muitos se perguntavam: será que perdemos a juventude?

Foi com essa questão ainda no ar e com uma dose de otimismo e confiança nas pesquisas, que o campo progressista foi às urnas. A primeira leitura dos resultados provocou desânimo e uma ressaca geral: crescimento histórico da extrema direita no Congresso e nos governos estaduais. Mas, após um respiro profundo e diante da nova chance conquistada pela garantia do segundo turno presidencial, os ventos viraram.

Lula (PT) —cujo rosto havia viralizado nas redes de Lucas Pavanato (PL-SP) e Flávio Bolsonaro (PL) figurando como bandido ao som do hit sertanejo "3 Batidas"— agora recebia uma nova mensagem: quem domina as redes domina as narrativas.

Convidada para encontrar o presidente imediatamente após as eleições, a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) fez um post no dia 5 de outubro, agradecendo os votos e contando que parte de sua campanha foi gasta respondendo à própria esquerda, que colocava em xeque sua capacidade e tratava a rede social com demérito. Afirmou ainda que a esquerda precisava de novas representatividades e devia compreender que a base também está "no Instagram e no TikTok".

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Essa mensagem não veio só dela. Guilherme Cortez (PSOL-SP), ávido produtor de conteúdos digitais, declarou estar na política para disputar a geração Z. Os dois se encontraram nas campanhas de primeiro e segundo turnos, percorreram universidades pelo Brasil e produziram conteúdos de alto engajamento, se posicionando como o "pesadelo de Nikolas Ferreira (PL-MG) na Câmara".

Junto a eles, outros nomes despontaram. Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), Luna Zarattini (PT-SP), Duda Hidalgo (PT-SP), Rosa Amorim (PT-PE), Camila Jara (PT-MS) e Pedro Rousseff (PT-MG) foram alguns dos jovens petistas eleitos para novos cargos com votações expressivas. Parte deles investiu com força nas redes e adotou o formato de cortes e confrontos diretos, aderindo, com sucesso, à treta e polêmica antes dominadas por perfis da extrema direita.

Não podemos dizer que foram só eles, mas podemos dizer que, sem esses jovens, a rota da campanha petista dificilmente teria tomado os rumos que tomou. Com os novos formatos e estratégias de campanha, Lula, pela primeira vez, liderou o índice de popularidade digital da Quaest, e seu rosto —também em formato selfie— passou a estampar mais sua própria campanha do que a dos adversários.

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Assim, a juventude, que parecia barreira no primeiro turno, se converteu em plataforma. Ruas e redes se alimentaram e um exército intergeracional se formou, "canalizando" —como seu próprio general Janones (Rede-MG) disse— forças que pareciam desconectadas. As urnas revelarão se essa mobilização foi suficiente, mas um recado foi dado: o PT não precisa da juventude apenas nas campanhas, precisa que ela se sente à mesa e participe das decisões estratégicas sobre os rumos do partido nos próximos anos.

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