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Em destaque: Produção recorde, mas dívida do agro é a maior da história

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 14:10
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Em destaque: Produção recorde, mas dívida do agro é a maior da história
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O agronegócio brasileiro inicia o próximo ciclo de governo diante de um impasse que sintetiza os últimos quatro anos: o País expandiu a produção, abriu mercados e se firmou entre os maiores fornecedores agrícolas do mundo, enquanto uma fatia cada vez maior de produtores luta para financiar a lavoura, honrar dívidas e se proteger de perdas climáticas. Passada a eleição, as entidades do setor se dizem dispostas a negociar com o governo federal uma pauta que reúne crédito rural, seguro agrícola, infraestrutura, tributação e competitividade.

O sinal de aproximação apareceu na primeira reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) depois do pleito. O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion, declarou que o grupo apoiará propostas alinhadas aos interesses dos produtores, sem abrir mão da independência para criticar medidas que considerar prejudiciais. A abertura ao diálogo, porém, não apaga as divergências acumuladas no mandato que termina: ela desloca o eixo da discussão para as questões econômicas e produtivas dos próximos quatro anos.

O gargalo mais urgente é o endividamento. Segundo o Banco Central, a inadimplência nas operações de crédito rural direcionado a pessoas físicas, considerando atrasos acima de 90 dias, atingiu 9,7% em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. Em setembro, o indicador recuou para 8,7%, queda mensal de 10,3%, mas continuou em nível elevado quando comparado ao início do mandato.

O problema é mais extenso do que revelam os números de atraso. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), calcularam cerca de R$ 205 bilhões em operações rurais com algum tipo de comprometimento financeiro. O valor mostra que a dificuldade não se limita a quem já deixou de pagar parcelas.

Esse agravamento se formou em um cenário de juros altos, margens reduzidas em algumas culturas, quebras de safra por causa do clima e critérios bancários mais rígidos. Produtores que contrataram financiamentos em condições vantajosas passaram a conviver com custos financeiros maiores exatamente quando os preços dos grãos caíram em relação aos picos anteriores.

O governo lançou mãos de renegociações, entre elas a Medida Provisória 1.376/2026, mas as regras de acesso seguem sob crítica. Agricultores relatam cobrança de garantias adicionais e exigência de pagamentos iniciais que travam a adesão. Revisar essas condições está entre as prioridades imediatas da bancada ruralista, que também pressiona por soluções capazes de romper o ciclo de renegociação a cada nova crise.

O financiamento da safra seguinte expõe outro obstáculo. O Plano Safra 2026/2027 anunciou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, mas a contratação depende da liberação dos recursos, das taxas praticadas e da análise de risco feita pelos bancos. Nos três primeiros meses do ciclo, foram contratados cerca de R$ 80 bilhões, abaixo dos R$ 113,4 bilhões do mesmo intervalo da safra anterior.

A distância entre o valor divulgado e o dinheiro que chega à porteira resume o impasse: de pouco serve ao produtor a existência de uma linha de crédito se a instituição exige garantias que ele não tem como apresentar ou se os juros inviabilizam a operação.

O seguro rural fecha esse retrato. Ao longo do mandato, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), pelo qual o governo banca parte do custo das apólices, sofreu bloqueios orçamentários e oscilações na liberação de verbas. O efeito foi a dificuldade de ampliar a cobertura num período marcado por secas, enchentes e quedas de produtividade em várias regiões.

O avanço da produção de grãos amplia a pressão. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra superior a 360 milhões de toneladas em 2026/2027. Escoar e guardar volume dessa magnitude exige aportes contínuos em ferrovias, hidrovias, rodovias e armazéns. Sem esses investimentos, parte do ganho de produtividade é consumida pelo custo logístico.

O comércio exterior seguirá no topo da agenda. A abertura de mercados foi um dos pontos positivos do período, com centenas de habilitações e acordos sanitários que ampliaram as vendas externas. Ao mesmo tempo, o acesso passou a depender cada vez mais de exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade.

As normas europeias contra o desmatamento, as barreiras sanitárias de compradores internacionais e o endurecimento dos limites de resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários vão demandar investimentos e adaptações em diversas cadeias. O desafio é cumprir essas regras sem perder competitividade nem transferir custos desproporcionais aos pequenos e médios produtores.

A reforma tributária é outra frente aberta. A aprovação definiu uma nova estrutura de impostos sobre o consumo, mas a transição ainda depende de regulamentação, ajustes nos sistemas fiscais e decisões das empresas sobre aproveitamento de créditos. Para o agro, será preciso acompanhar os efeitos sobre insumos, transporte, industrialização e comercialização.

A pauta trabalhista ganhou peso com a mudança nas regras da jornada semanal. Entidades do setor alertam para a dificuldade de reorganizar atividades que não param, como granjas, propriedades leiteiras e frigoríficos. A regulamentação de jornadas diferenciadas deve ir ao Congresso, com o desafio de conciliar direitos dos trabalhadores e as particularidades da produção no campo.

Resta ainda a segurança jurídica. A regulamentação de leis sobre defensivos agrícolas, bioinsumos, regularização fundiária e mecanismos de controle da produção continuará exigindo decisões administrativas e legislativas. Para empresas e produtores, a estabilidade das regras é decisiva porque investimentos em máquinas, armazenagem e expansão da produção são planejados ao longo de vários anos.

“O agronegócio não precisa de um governo que concorde com tudo o que o setor defende, mas de regras claras e condições para produzir com eficiência. Crédito, infraestrutura, segurança jurídica e acesso aos mercados são questões econômicas que ultrapassam qualquer disputa eleitoral. O Brasil já demonstrou que sabe produzir; agora precisa transformar essa capacidade em renda, estabilidade e desenvolvimento para o País”, afirmou Rezende.

O balanço do período que se encerra não é nem inteiramente favorável nem totalmente negativo. Houve crescimento da produção, consolidação de mercados e avanços em instrumentos legais, ao mesmo tempo em que pioraram o endividamento, as restrições ao crédito e a exposição financeira dos produtores às perdas climáticas. Parte desses problemas vem de fatores externos, como a oscilação dos preços internacionais e o clima, mas a capacidade de enfrentá-los também depende das políticas públicas.

A cobrança sobre o próximo governo será converter anúncios de recursos e medidas emergenciais em instrumentos permanentes de financiamento e de proteção da renda no campo. A dimensão do desafio está no contraste entre os resultados da produção nacional e a situação financeira de milhares de propriedades.

A disposição de diálogo manifestada pelas lideranças do setor abre espaço para negociação, mas os resultados dependerão de decisões concretas sobre orçamento, crédito, seguro e investimentos. O agronegócio chega ao novo mandato com capacidade produtiva ampliada e peso decisivo na economia brasileira. A pergunta que segue em aberto é como fazer esse crescimento se traduzir também em mais segurança financeira para quem planta.

O agronegócio brasileiro terá uma agenda movimentada em novembro, com feiras, exposições e encontros técnicos distribuídos por diferentes regiões do país. Café, pecuária, agricultura familiar, aquicultura, crédito e tecnologia estarão entre os principais temas.

A programação começa nesta terça-feira (03.11), em Roraima, e se estende até a última semana do mês, reunindo produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e compradores em eventos voltados à comercialização, à modernização das propriedades e à abertura de oportunidades de negócios.

Um dos primeiros eventos será a 45ª Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr Show), de 3 a 7 de novembro, no Parque de Exposições Dandãezinho, em Boa Vista. A organização estima receber mais de 900 mil visitantes e movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão em negócios. Os valores representam expectativas dos organizadores, não resultados já alcançados.

A Expoferr terá exposições de animais, demonstrações de tecnologias agrícolas, atividades de agricultura familiar e espaços de negociação. Entre os destaques está uma vitrine tecnológica com cultivos de soja, algodão, milho, mandioca, sorgo, milheto e girassol, além de orientações técnicas destinadas a pequenos produtores. A proposta é apresentar alternativas de produção adaptadas às condições da região e aproximar agricultores de fornecedores e instituições de assistência técnica.

Na sequência, o calendário inclui eventos especializados em custos de produção e financiamento. No dia 5, está previsto o Seminário Datagro de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol, em formato virtual. O encontro abordará um dos principais desafios do setor sucroenergético: a relação entre despesas agrícolas e industriais, produtividade e preços de comercialização.

Nos dias 11 e 12, São Paulo receberá o Conacredi Agro 2026, no Centro de Convenções Frei Caneca. O encontro terá como foco o financiamento do agronegócio, assunto que ganhou importância diante das dificuldades de acesso ao crédito e do aumento do endividamento rural. A programação interessa a produtores, cooperativas, instituições financeiras e empresas que atuam no financiamento da produção.

Também entre 11 e 13 de novembro, Belo Horizonte sediará a Semana Internacional do Café (SIC), no Expominas. O encontro está entre os principais eventos da cafeicultura brasileira e reúne produtores, exportadores, torrefadores, cooperativas, compradores e empresas de tecnologia.

A edição de 2026 terá como tema a preparação da cafeicultura brasileira para os 300 anos da introdução do café no país, que serão completados em 2027. A programação inclui debates sobre mercado internacional, sustentabilidade, produtividade, qualidade e agregação de valor, além de rodadas comerciais e apresentações de novas tecnologias.

Entre as atividades previstas estão o Simpósio DNA Café, o Fórum da Cafeicultura Sustentável, encontros sobre a participação feminina no setor e o concurso Coffee of the Year, que reconhece a qualidade de cafés produzidos em diferentes regiões brasileiras. Também serão discutidas alternativas para aproveitar resíduos da produção na fabricação de fertilizantes, geração de energia e desenvolvimento de novos produtos.

A realização da feira ocorre em um momento de mudanças no mercado internacional do café, com maior exigência de rastreabilidade, diferenciação de qualidade e comprovação de origem. Para os produtores, os debates podem ajudar a identificar oportunidades de comercialização e investimentos capazes de ampliar a rentabilidade das propriedades.

No Paraná, a programação terá como destaque a Expofrísia 2026, marcada para os dias 12 a 14 de novembro, no Parque Histórico de Carambeí. A exposição é voltada especialmente à pecuária leiteira, uma das atividades de maior importância econômica nos Campos Gerais.

O evento reunirá produtores, cooperativas e empresas ligadas à genética, nutrição animal, equipamentos e manejo. A produtividade dos rebanhos, a qualidade do leite e o controle dos custos estarão entre os assuntos de interesse dos participantes. A região concentra propriedades com elevado nível de tecnificação, o que transforma a exposição em uma oportunidade para acompanhar soluções já utilizadas na produção comercial.

Ainda na segunda semana do mês, Avaré, no interior de São Paulo, receberá a Faesp Show, de 12 a 14 de novembro. A feira será direcionada principalmente aos pequenos e médios produtores, com exposição de equipamentos, serviços, tecnologias e atividades relacionadas à gestão rural.

A programação paulista também inclui, entre 19 e 22 de novembro, a Feira Industrial, Comercial e de Agronegócios de Assis e Região (Ficar Assis), no Parque de Exposições Jorge Alves de Oliveira. O encontro aproxima atividades agrícolas, industriais e comerciais, com oportunidades para empresas fornecedoras e produtores da região.

No Nordeste, a aquicultura terá espaço na Feira Nacional do Camarão (Fenacam), prevista para 17 a 20 de novembro, em Natal, no Rio Grande do Norte. O evento reúne representantes da criação de camarões, da piscicultura, da indústria de equipamentos e da pesquisa aplicada à produção aquícola.

Entre os temas de interesse estão sanidade dos animais, nutrição, qualidade da água, produtividade e comercialização. A carcinicultura tem importância econômica para estados nordestinos e enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à prevenção de doenças e à competitividade nos mercados interno e externo.

Na última semana do mês, Florianópolis, em Santa Catarina, receberá o Encontro Nacional de Bubalinocultores, programado para 24 a 27 de novembro. A atividade é voltada à criação de búfalos, com discussões sobre genética, produção de leite e carne, manejo e aproveitamento econômico dos produtos derivados.

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A agenda brasileira coincide ainda com a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), marcada para 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. Embora não seja uma feira agropecuária, a conferência terá repercussões sobre o setor, especialmente nas discussões relacionadas ao financiamento de práticas sustentáveis, à redução de emissões e às exigências ambientais do comércio internacional.

A concentração de eventos em novembro mostra a diversidade das cadeias produtivas brasileiras. Enquanto a Semana Internacional do Café reúne um setor fortemente ligado às exportações, encontros como a Expofrísia e a Fenacam tratam de desafios específicos da pecuária leiteira e da aquicultura. Já as feiras regionais aproximam produtores de fornecedores, compradores e instituições financeiras.

Para quem pretende participar, é importante observar os prazos de credenciamento e as condições de acesso. Parte dos encontros exige inscrição antecipada, enquanto outros possuem programação gratuita ou condições diferenciadas para produtores e cooperados.

Além da exposição de produtos e equipamentos, essas reuniões oferecem oportunidades para comparar tecnologias, negociar insumos, conhecer alternativas de financiamento e avaliar tendências de mercado. Em um momento de maior pressão sobre os custos de produção, a possibilidade de identificar soluções economicamente viáveis tende a ser um dos principais atrativos.

Novembro será, assim, um mês de intensa circulação de informações, tecnologias e oportunidades comerciais no agronegócio. Dos grandes encontros nacionais às exposições regionais, o calendário oferece aos produtores a possibilidade de conhecer novas práticas, estabelecer contatos e planejar investimentos para os próximos ciclos produtivos.

As datas e os locais constam das programações divulgadas pelos organizadores e calendários setoriais.

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