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Em destaque: O uísque de uma ilha tropical que conquistou a Escócia

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 11:45
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Em destaque: O uísque de uma ilha tropical que conquistou a Escócia
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O uísque de uma ilha tropical que conquistou a Escócia Como um império de café solúvel transformou o clima tropical de Taiwan em vantagem para desafiar a tradição escocesa do uísque Kavalan: empresário taiwanês começou nos negócios com uma fábrica de café solúvel até migrar para o uísque (ChatGPT Image/Reprodução)

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Uísque Saiba mais Água, extrato de café, açúcar, leite em pó. Emulsificantes e estabilizantes. Essa é a receita da energia que move a cidade de Taiwan. Ou, ao menos, que auxilia na vigília de muitos taiwaneses, cujo corpo teima seguir na inércia do sono. Um café solúvel, onipresente nas lojas de conveniência da metrópole. Não é nenhum Kopi Luwak, ou café especial ultrapremiado. Mas dá conta do recado. Seu nome é Mr. Brown Coffee, e ele é produzido pela King Car.

A King Car Food Industrial foi fundada em Taiwan em 1979 por um senhor chamado Tien-Tsai Lee. O primeiro grande negócio de bebidas foi a fábrica de Zhongli, que produzia refrigerantes, chá e outras bebidas. Em 1982, lançou o suprarreferido Mr. Brown, feito com grãos importados e processado em Taiwan. O produto virou uma marca enorme localmente e ajudou a transformar a King Car num conglomerado de alimentos e bebidas gigantesco.

Apesar do energizante sucesso, aquele não era o sonho de infância de Lee. Aliás, provavelmente nenhuma criança apontaria uma fábrica de café solúvel como seu projeto de vida, ainda que portadora dos mais excêntricos anseios. O que Lee queria, desde bebezinho, na verdade, era ter uma fábrica de uísque. O que, convenhamos, já é estranho o suficiente para um infante.

Todo mundo achava que ele era louco. E, como Sartre muito sabiamente postula, quando todo mundo acha uma coisa e só você pensa o contrário, provavelmente todo mundo está certo. Então, ele provavelmente não batia bem, mesmo. Taiwan não tinha qualquer tradição em produzir uísque e nem cultivava cevada. Além disso, é quase uma sauna ao ar livre, extremamente quente e de uma umidade sufocante. Desafiando tudo de uma forma quase imprudente, Lee prosseguiu e batizou sua destilaria de Kavalan.

A destilaria foi erguida em tempo recorde. O projeto da destilaria começou em 2005, em Yuanshan, no condado de Yilan. A empresa construiu ali uma operação completa, com moagem, mosturação, fermentação, destilação, maturação e blending. Apenas três anos depois, lançou comercialmente seu primeiro uísque, Kavalan. O que, até aqui, parecia um feito extraordinário de um taiwanês com delírios de grandiosidade. Mas nada que fizesse frente às centenárias marcas escocesas.

Até que, em 2010, na Escócia, houve o momento de glória, que mudou tudo. Um rótulo da destilaria, em uma degustação às cegas conduzida por grandes nomes da indústria, derrotou todos os seus concorrentes – muitos deles, provenientes da Escócia. O resultado foi um choque para o mundo do single malt. E os prêmios não pararam por aí. Em 2015, o famoso Kavalan Vinho Barrqieu foi escolhido como melhor single malt na World Whisky Awards. Um ano depois, o mesmo prêmio escolheu a Kavalan como a destilaria do ano.

O sucesso surpreendente da Kavalan, porém, não foi um golpe de sorte. Tien-Tsai Lee tinha uma visão clara do que queria. E sabia que precisava de ajuda. Contratou Jim Swan, químico e consultor de uísque. O homem por trás da estruturação das mais improváveis destilarias, como a indiana Amrut e a israelense Milk & Honey, além de um pouco mais tradicional, mas igualmente inventiva, Kilchoman.

Juntos, desenvolveram um projeto que não tinha nada de insano. Produzir um uísque que utilize as características de Taiwan a seu favor. Taiwan tem um clima quente e úmido, então simplesmente copiar o modelo escocês de maturação não faria muito sentido. Swan ajudou a decidir fermentação, destilação, desenho do estilo do destilado e, sobretudo, o programa de barris – com os famosos STR.

No fim, Lee não era completamente maluco. Estava apenas alguns anos à frente do bom senso. A Kavalan não venceu, tentando produzir uma imitação de Scotch a onze mil quilômetros da Escócia. Fez justamente o contrário. Aceitou que Taiwan não tinha cevada, não tinha tradição, não tinha inverno escocês e não tinha qualquer obrigação de fingir que tinha.

É quase uma fábula, que nos lembra da importância de ser quem somos, e não fingir ser outra pessoa. E, claro, de seguir nossos sonhos de infância, por mais selvagens que sejam. Pode ser cansativo, quase extenuante. Mas, se faltar energia, basta fazer um café solúvel.

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