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Em destaque: Novo boletim do El Niño no Brasil alerta para fogo, queimadas e inundações

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 12:56
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Em destaque: Novo boletim do El Niño no Brasil alerta para fogo, queimadas e inundações
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e atingir a categoria de muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o quinto boletim do Painel El Niño, divulgado em outubro pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O documento aponta que o fenômeno pode influenciar os padrões de chuva e temperatura no Brasil, com riscos distintos conforme a região, incluindo estiagem, incêndios florestais e elevação dos níveis dos rios.

As projeções indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. De acordo com o boletim, as anomalias de temperatura da superfície do mar nas áreas centrais e orientais do oceano ultrapassaram 3°C, conforme dados divulgados pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) em 26 de outubro.

Imagem da NOAA incluída no Painel El Niño • Inmet e outros - Boletim nº 5 do Painel El Niño O documento foi elaborado em conjunto pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil), pela Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) e pelo Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia).

Feriados de novembro permitem duas folgas prolongadas em 2026; veja datas Feriado de Finados terá chuva em quase todo o país; veja previsão Calor extremo causa mais de 500 mil mortes por ano em todo o mundo, aponta relatório internacional Chuva e calor acima da média A previsão climática para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuvas acima da média histórica na região Sul e em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Em contrapartida, a tendência é de precipitações abaixo do padrão climatológico em grande parte do Norte e em setores do Nordeste e do Centro-Oeste.

As temperaturas também devem ficar acima da média em quase todo o país, especialmente na região Norte. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde a previsão aponta maior probabilidade de temperaturas abaixo do padrão climatológico no trimestre.

Previsão Climática do CENSIPAM para a Amazônia Legal e Pantanal no trimestre novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027 • Fonte: CENSIPAM Esse cenário não significa que todas as localidades terão o mesmo comportamento. Mesmo em áreas com previsão de menos chuva, podem ocorrer episódios de precipitação intensa. A combinação entre calor e umidade disponível na atmosfera pode favorecer tempestades isoladas, enquanto a persistência de períodos secos tende a ampliar os riscos em regiões mais vulneráveis.

O boletim também apresenta um diagnóstico das condições de seca observadas no país. Entre agosto e setembro, a área do Nordeste classificada com seca grave passou de 16% para 28% da região, segundo o Monitor de Secas. No Norte, a parcela com essa classificação dobrou, de 4% para 8%.

Segundo o painel, a situação preocupa especialmente porque a previsão de chuvas abaixo da média, combinada às temperaturas elevadas, pode intensificar a perda de umidade do solo e agravar a escassez hídrica nos próximos meses.

No Nordeste, os impactos da seca são associados à falta de água e a prejuízos para comunidades rurais. No Norte, a atenção se concentra em áreas como Roraima e nas bacias dos rios Negro e Branco, que apresentam níveis baixos e déficits de precipitação.

O documento ressalta, porém, que a situação hidrológica da Amazônia não é tão generalizadamente crítica quanto a registrada em 2023 e 2024. Ainda assim, a combinação entre as condições atuais e a perspectiva de menos chuva justifica atenção especial em áreas específicas.

A previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas na região Norte também aumenta o potencial de propagação de queimadas. O boletim registra que, na Amazônia Legal, foram contabilizados 6.542 eventos de fogo em agosto e 12.659 em setembro. Em outubro, até o dia 23, foram registrados outros 11.662 eventos.

Para novembro, a expectativa é de redução das ocorrências com o avanço gradual da estação chuvosa. No entanto, a influência do El Niño pode tornar essa diminuição mais lenta do que o habitual.

Previsão climática sazonal por tercil (categorias abaixo da faixa normal, dentro da faixa normal e acima da faixa normal), gerada pelo método objetivo (CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME) para o trimestre novembro, dezembro de 2026 e janeiro de 2027. As áreas em branco indicam igual probabilidade para as três categorias. • Fonte: CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME O cenário exige atenção principalmente no norte do país, onde o risco de fogo permanece elevado. A previsão do Cemaden para o trimestre de novembro a janeiro classifica 307 municípios em nível de alerta alto e outros 464 em alerta para o risco de fogo.

Previsão do risco de fogo por município para o trimestre novembro–janeiro • Fonte: INPE, INMET e FUNCEME Apesar da tendência de redução da área sob condições mais críticas em comparação com o trimestre anterior, o boletim ressalta que a chegada das chuvas não elimina imediatamente o risco de incêndios.

Enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam maior preocupação com a escassez hídrica, o Sul apresenta um cenário de atenção para cheias. Segundo o boletim, os três estados da região estavam livres de seca pelo segundo mês consecutivo, mas os acumulados de chuva provocaram elevações recorrentes nos níveis dos rios e inundações em diferentes localidades.

Na bacia do rio Uruguai, foram ultrapassadas cotas de alerta em estações do Médio Uruguai, enquanto áreas do Alto Uruguai, em Santa Catarina, também registraram elevações. As bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, tiveram episódios de inundação em diversos municípios.

A previsão sazonal indica vazões acima da média e maior risco de cheias em toda a região Sul, em parte do Sudeste e no alto rio Paraguai. No Sudeste, esse risco pode aumentar em janeiro, especialmente nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul.

O documento também aponta que as vazões devem permanecer abaixo da média em grande parte do país, sobretudo em bacias do Nordeste, no norte da bacia do Paraná e em áreas da Amazônia. A situação reforça a necessidade de acompanhar os níveis dos rios e os sistemas de alerta hidrológico.

Diante das projeções, as instituições responsáveis pelo boletim recomendam o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, dos avisos oficiais e das condições hidrológicas.

A Defesa Civil orienta a população a manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas, conhecer os riscos existentes na cidade e no bairro onde mora e identificar locais seguros e rotas de fuga em caso de emergência.

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