Em destaque: Na Amazônia, árvores ficam meses com os troncos debaixo da água preta, mas seguem vivas graças a adaptações da floresta de igapó
No igapó, muitas árvores sobrevivem porque ajustam o crescimento e o metabolismo ao ciclo anual de inundação.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisCompartilhar Enviar Quando o rio Negro sobe na Amazônia, parte da mata passa meses com raízes e troncos mergulhados na água escura. No igapó, muitas árvores sobrevivem porque ajustam o crescimento e o metabolismo ao ciclo anual de inundação. Essa resistência envolve adaptações diferentes, conforme a espécie e a duração da cheia.
A coloração de rios como o Negro vem principalmente de substâncias orgânicas dissolvidas, e não de lama em suspensão. Essas águas costumam ter poucos nutrientes e acidez elevada. Nas margens mais baixas, o igapó de água preta passa longos períodos sob o nível do rio.
Mais perto de Manaus, a subida e a descida das águas mudam os caminhos por entre troncos. A altura do terreno determina quanto tempo cada trecho fica inundado: pontos baixos podem permanecer submersos muitos meses, enquanto os mais altos reaparecem antes.
O movimento anual do rio é chamado de pulso de inundação. Durante a cheia, peixes alcançam áreas da mata e podem acessar frutos e sementes. Na vazante, o solo retorna à superfície, assim como ocorre com praias que aparecem na vazante em outros ambientes fluviais da região.
Não se trata de uma emergência inesperada todos os anos. A alternância entre fase aquática e seca participa da reprodução e da distribuição de diversas espécies. Porém, cheias muito prolongadas ou secas extremas podem romper o ritmo ecológico ao qual a vegetação se ajustou.
O solo submerso tende a ficar pobre em oxigênio, pois as trocas gasosas são lentas na água. Muitas espécies tolerantes reduzem o ritmo de crescimento ou usam reservas acumuladas. Um estudo sobre submersão prolongada descreve estratégias diferentes entre árvores e mudas amazônicas. Algumas delas são:
Nenhuma dessas soluções aparece obrigatoriamente em toda árvore. Algumas mantêm folhas e atividade reduzida; outras perdem parte da folhagem. A tolerância à submersão depende da espécie, de seu estágio de vida e da duração real do alagamento.
As áreas de várzea, associadas a rios de águas brancas como o Solimões, recebem mais sedimentos e nutrientes. No igapó de água preta, o solo costuma ser menos fértil, o que influencia as espécies presentes e seu crescimento mais lento.
Essa diferença também afeta a chegada das mudas. Uma semente que se estabelece numa área de inundação mais breve pode não resistir em outra, onde a água permanece sobre o solo por meses. A floresta resulta de uma seleção contínua entre terreno, sementes e cheias.
Uma análise sobre distúrbios do pulso de inundação discute como alterações na duração e intensidade das cheias podem ameaçar árvores longevas da região. O problema não é simplesmente a presença de água, mas a mudança no regime ao qual cada população foi adaptada.
Durante a seca, podem aparecer marcas de nível nos troncos, sinais de anos de alternância. Barragens, mudanças no clima e extremos hidrológicos podem alterar o tempo de exposição das raízes. Para plantas que crescem lentamente, sucessivos desequilíbrios podem causar efeitos acumulados.
As árvores do igapó não vencem qualquer inundação. Elas persistem em um ambiente onde subida e vazante fazem parte da vida, e cada espécie dispõe de respostas próprias para aproveitar as fases mais favoráveis.
O mesmo chão que desaparece sob a água volta a receber folhas e sementes na estação seca. Conservar esse ambiente significa preservar o pulso natural dos rios e a diversidade de adaptações vegetais, não simplesmente impedir que a floresta seja inundada.
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Fique por dentro: Manifestantes bloqueiam Avenida da Floresta em protesto contra reintegração de posse em Manaus
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Atualização: Aos 76 anos, ator preserva sítio com horta e animais usado como refúgio em meio à floresta no RJ
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Em reunião com clima quente, Flamengo valida renovação de patrocínio na camisa; veja valor
A marca da empresa de comércio eletrônico singapurense continuará nas mangas da camisa dos times masculino, feminino e do sub-20 até o fim de 2027, pelo valor d



/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/q/m/zqZXVBSKGicsHCI9J4XA/55054872780-95b367d0de-k.jpg)










